As universidades que não temos...
Estive pensando a respeito da vida universitária no Brasil e estou chegando a triste conclusão que, salvo honrosas exceções em termos de cursos, docentes e alunos, as universidades que temos por aqui não conseguiram constituir uma mentalidade acadêmica producente tal qual a que existe e vigora na Europa, no Japão, nos Estados Unidos ou no Canadá. Por que estou me referindo a isso?
Porque percebo claramente que a falta de uma vida acadêmica nos moldes mais tradicionais, próximos daquilo que vemos na França, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos ou na Alemanha (para citar apenas alguns exemplos) não permite aos nossos estudantes da graduação uma real imersão (de corpo e alma) no espírito de pesquisa, formação, estudos acadêmicos e aperfeiçoamento profissional, humano e técnico que as universidades deveriam lhes imputar.
E o que quero dizer com vida acadêmica? Refiro-me, nesse caso, a vivência acadêmica traduzida num compromisso que ao longo do prazo de um curso de graduação (qualquer que seja a área de especialização) leve o aluno a estudar, frequentar a biblioteca da instituição, fazer pesquisas de campo, participar de aulas práticas com grande regularidade, ter aulas que lhes cobrem o máximo de aprofundamento e dedicação (é isso mesmo, acho que temos que ser mais rigorosos, afinal de contas estamos formando os profissionais do futuro), envolver-se com os eventos culturais e científicos promovidos nos campus e, até mesmo, viver nos locais onde estudam... De preferência sem ter que se preocupar com outras atividades que tenham que desenvolver paralelamente...
Como não temos essa realidade dominando o cenário nacional, exceto em alguns nichos específicos (como o ITA, alguns departamentos de universidades federais, pouquíssimas áreas ou cursos de instituições particulares) ou a partir da ação isolada de bravos profissionais que entendem a necessidade de modificar os rumos da graduação em nosso país, as perspectivas de um futuro melhor para as universidades e para o país continuam as mesmas, ou sejam, pouco promissoras...


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