5 de mar. de 2026

Que escola quero para meu filho?


Pergunta recorrente entre os pais que querem investir na formação dos filhos: Qual a melhor escola para matricular meu filho? E deste questionamento surgem alguns caminhos naturalmente seguidos para realizar esta escolha, partindo daquilo que é mais imediato e visual, como as instalações e os recursos materiais oferecidos até a linha pedagógica e a formação dos professores. Tudo isto realizado com o máximo de atenção e discernimento, ou seja, visitando as escolas pré-selecionadas e averiguando, in loco, como é a escola.

Nesta busca também passaram a ser consultados recentemente, como elemento nesta criteriosa cruzada em busca do Santo Graal (a melhor escola para meu filho) os rankings educacionais divulgados por órgãos governamentais ou privados.

A partir destas informações do ENEM, Saresp, Saeb, Prova Brasil - entre outras (regionalizadas, locais), os pais seguem para as escolas, em que são recebidos pelos mantenedores e/ou seus representantes (diretores, coordenadores, orientadores pedagógicos, professores...). Nesta visita descobrem facilidades como laboratórios de ciências, salas de computação, bibliotecas, quadras, salas de aula climatizadas... Ficam sabendo de programas adicionais, como estudo de línguas estrangeiras, teatro, dança, filosofia, introdução ao mundo globalizado... Descobrem o perfil pedagógico da instituição e ficam sabendo do currículo dos professores... São informados de atividades extras como feiras científicas, viagens, exposições...

Neste sentido, também, vale atentar para a linha pedagógica - se é mais convencional, mista, socioconstrutivista, interacionista (e descobrir, perguntando e pesquisando, o que significam estes termos, na prática, para realmente entender as escolas). Há pais que buscam escolas mais rigorosas quanto à disciplina e o rendimento imediato dos alunos (notas). Outros querem formação mais global e livre, sem tantos impedimentos, mas com algum controle...

Neste sentido, vale mudar a pergunta originalmente elaborada pelos pais quando iniciam esta busca, deixando de lado a simplista "qual é a melhor escola para meu filho?" por outra, na qual a indagação passa a ser "que escola quero para meu filho?". A mudança parece apenas mero formalismo linguístico, mas na realidade não é... Ao optar pela segunda linha de questionamento, os pais começam a se perguntar não apenas como é a escola, mas sim qual é a filosofia que a orienta e, desta maneira, passam a pensar não apenas naquilo que é mais imediato, as aulas...

Com esta mudança de perspectiva, os pais passam a pensar além do ano letivo, orientando o futuro de seus filhos, dando-lhes perspectivas de acordo com a ideia de mundo que têm e advogam...

É muito séria esta escolha! Se o que buscam é dar competitividade e preparo para o mercado de trabalho desde tenra idade, isto deve ser levado em conta na escolha da escola. Se, por outro lado, pretendem dar formação mais humanística, que desenvolva as capacidades de relacionamento e a chamada inteligência emocional, devem buscar outra, diferente da primeira!

No meu íntimo, penso e digo abertamente que, além da visão de mundo dos pais, certamente devemos também levar em conta os rumos do planeta em que vivemos, mas primordialmente sempre defendo que acima de qualquer valor, juízo, compreensão de mundo ou qualquer outro fator, deve prevalecer a ideia de que a escola em que nosso filhos irão estudar deve fazê-los felizes.

E o que significa tal felicidade na escola? Para mim (e minha esposa, também educadora), tal escola deve acolher, orientar, ser parceira da família, atuar em sintonia com o aluno, respeitar a criança (ou o adolescente, o jovem...), proporcionar oportunidades, desenvolver o senso ético (a estética, a cidadania, a responsabilidade social, a fraternidade), instigar a busca e o amor pelo saber (o conhecimento, a ciência), abrir todos os sentidos para que eles possam ver, sentir e viver o (e no) mundo...


Por João Luís de Almeida Machado


Obs. Escrevi esse artigo em novembro de 2009 e, como continua pertinente e atual, acredito que ainda vale a leitura! 

Seres Humanos Digitalizados - 24/11/2009

 Mao-humana-aproximando-de-cabo-que-emite-como-um-raio-azul

Revista Veja - Participar de um projeto como o MyLifeBits mudou a vida do senhor?
Gordon Bell - Eu me tornei portátil. Estou livre de pilhas e pilhas de papéis. Toda a minha vida está arquivada num disco rígido. Ela ocupa 260 gigabytes. Posso, por exemplo, trabalhar em qualquer lugar do mundo, contanto que esteja com meu computador por perto. Ter tudo digitalizado também me deixa bastante seguro. Em certo sentido, tenho uma sensação de imortalidade. Aliás, no futuro, nossas memórias digitais poderão ser transformadas em avatares. Eles conversarão com nossos descendentes. Uma das consequências da memória total é que deixaremos uma história incrivelmente mais rica para a posteridade. (Depoimento de Gordon Bell, cientista americano, responsável em parceria com Jim Gemmell, pelo projeto MyLifeBits, da Microsoft Research, e co-autor do livro Total Recall - Memória Total)

O entusiasmo de Bell, aos 75 anos, com as possibilidades legadas pelas novas tecnologias é contagiante. A leitura destas linhas e de toda a entrevista feita com ele e com seu parceiro de pesquisa, Jim Gemmell, traça as linhas daquilo que se prenuncia não como um futuro distante, mas como algo que já está acontecendo e que irá ser ampliado para toda a humanidade como possibilidade real de serviços.

Mas olhemos com atenção alguns trechos de seu depoimento contidos na pergunta acima destacada:

Ao afirmar que se tornou "portátil", há uma vinculação direta e aparentemente total entre homem e máquina, como se fôssemos um ser composto e, de certa forma, indissolúvel, a partir de agora, pois na continuação de sua fala, Bell menciona que esta condição (portátil) está vinculada à posse de seu computador, fiel escudeiro, sempre por perto... É claro que isto é um exagero, ainda mais em se tratando de um cientista de ponta, responsável por um projeto bancado pela Microsoft, mas por trás desta colocação, é possível prever (até mesmo com base no que já vemos em nosso cotidiano) como realmente estamos ficando techaddicts (não sei se a expressão existe, mas seria uma espécie de "viciados em computador", traçando um paralelo com drugaddicts, viciados em drogas).

Ao dar números à sua vida, estipulando que ela hoje representa 260 gigabytes, com base em todos os registros feitos por ele dentro da pesquisa MyLifeBits, através da qual sua vida está sendo constantemente filmada e gravada em bits, além de todos os demais registros possíveis (fotos, escritos, falas...), Bell realiza o sonho da ciência, de metrificar, quantificar e, eventualmente, pesar, avaliar e ponderar o próprio ser humano...

Com tantas câmeras e recursos digitais ao nosso redor, ainda que a partir de certo momento de nossas vidas venhamos a esquecer todo este monitoramento, que garantia temos quanto à nossa privacidade e espontaneidade? Quanto a isto, em outro momento da entrevista, Bell afirma que pode ser benéfico, pois nos fará sempre escolher os melhores e mais éticos caminhos quanto ao que fazemos de nossas vidas... Errar deixa então de ser uma possibilidade? Que futuro estamos legando às novas gerações se as atrelamos a sistemas que não lhes permitirão nem sequer cometer falhas?

A questão da aparente "imortalidade" remonta também a sonhos e ideais da ciência desde tempos imemoriais. Indo um pouco além, com tanto registro, dados abundantes, informações a bel prazer, que esforço real nossa mente, o maior de todos os supercomputadores como já tive a oportunidade de registrar neste espaço virtual, terá que fazer? Que estímulos quanto à memória e ao desenvolvimento do raciocínio e da criatividade existirão para os seres humanos a partir de agora?

E outra: todos seremos então imortais a partir do registro de nossas existências, o que me parece bastante belo e democrático... No entanto, vale refletir sobre se queremos isto e, ainda, que valor real existirá para a humanidade o conhecimento de todas estas experiências individuais...

Escrevendo estas linhas, concluo que a ficção está morrendo e sendo substituída pela realidade ou, melhor dizendo, pela virtualidade... Lembrei-me de filmes como Substitutos, 1984, Matrix, Admirável Mundo Novo e Violação de Privacidade (The Final Cut, 2004)... Neste último, com chips implantados em nossos cérebros, o registro de tudo aquilo que ocorre em nossas vidas é armazenado automaticamente em computadores "linkados" a este chip, reproduzindo a ideia do projeto MyLifeBits e do livro Total Recall (cujo título também remonta à ficção científica, pois há um filme estrelado por Arnold Schwarzenneger, baseado em obra de Phillip K. Dick, de mesmo nome).

O futuro é promissor? Ou assustador? O que nos reserva o amanhã?


Por João Luís de Almeida Machado

Tarefas escolares no banco dos réus - 30/11/2009

 Li no último dia 24 de novembro (2009), uma notícia que vem do Canadá e que relata a briga de um casal com a escola dos filhos pelo direito de isentá-los do compromisso e responsabilidade de fazer tarefas escolares. Os pais são advogados e alegam que após exaustiva carga de trabalho educacional no âmbito escolar, ao chegar em casa seus filhos tinham sobrecarga de trabalho ao ter que realizar longas séries de exercícios de disciplinas como matemática, história, inglês, ciências...

Trata-se, certamente, de questão das mais polêmicas. Há defensores do ponto de vista dos pais que se justificam dizendo haver não apenas sobrecarga de trabalho educacional com as tarefas como a compreensão por parte dos alunos quanto às tarefas sendo castigo ou punição e, desta forma, realizadas sem comprometimento algum, apenas pela obrigatoriedade... Isto resultaria em ganho para estes alunos ou seria apenas tempo perdido? Trabalhar, literalmente, com "uma faca no pescoço" não parece agradável aos olhos de ninguém, não é mesmo? Pois esta é, basicamente, uma das leituras realizadas quanto a esta temática polêmica.

Aqueles que defendem os pais destes alunos do Canadá pensam ainda que com o excesso de atribuições educacionais queimam-se possibilidades de viver cada etapa de maturação e desenvolvimento sócio-psicológico da forma como deveriam ser vividas. Não há tempo, por exemplo, para ser criança e brincar com tantos compromissos vindos da escola, aos quais se adicionam, por exemplo, atividades extra-escolares como aprendizagem de línguas estrangeiras, prática de esporte, escola de informática...

É claro que isto levará os detratores deste posicionamento a dizer que os pais deveriam então não sobrecarregar seus filhos com estas outras responsabilidades...

Aqueles que defendem a necessidade das tarefas, entre os quais muitos professores, definem-se desta forma levando em conta a necessidade de fixar e consolidar conhecimentos e saberes trabalhados em sala de aula, o que acabaria ficando mais difícil sem que existisse a famosa lição de casa. Somente as ações realizadas na escola seriam, de seu ponto de vista, insuficientes para que as informações e dados trabalhados em classe se tornassem conhecimento entre seus alunos...

Os que se posicionam no front contrário irão dizer que mesmo com as tarefas não há garantias quanto a transformação de dados e informações trabalhadas em aula em conhecimento apenas pela atribuição de exercícios para casa relacionados aos mesmos...

Minha opinião? Creio que há por parte dos estudantes resistência as tarefas, em especial levando-se em conta que suas vidas hoje estão muito corridas, como afirmam aqueles que defendem a ação dos canadenses. Mas não acredito que somente esta medida irá diminuir o stress e o alto grau de ansiedade que atinge nossas crianças e adolescentes. Nem tampouco imagino que a escola possa abrir mão das lições de casa, apenas que deve programar-se e planejar-se para que não ocorram excessos quanto a estas tarefas.

Além disto, é de suma importância que as tarefas não sejam apenas reprodutivistas, ou seja, que se prestem somente a pedir aos estudantes que demonstrem ter memorizado conteúdos, fórmulas e saberes apresentados por seus professores em sala de aula, pois desta maneira tornam-se verdadeiramente massacrantes, desconfortáveis e nada úteis para a real efetivação do processo ensino-aprendizagem... As tarefas precisam ser estimulantes, desafiadoras e capazes de mobilizar os alunos na busca de informações, dados, leituras, filmes, jornais, músicas e tantos outros recursos para que, desta forma, se consolide de vez não apenas os saberes da sala de aula, mas que se vá além dos mesmos...

O brado não deve ser no sentido de se criar a possibilidade de não fazer lições de casa e sim, no sentido de buscar tarefas instigantes que promovam os saberes utilizando-se de recursos adicionais ao trabalho desenvolvido em sala de aula pelos professores, levando os alunos a navegar pela web, ler outros materiais, utilizarem trechos de filmes, aprenderem com a poesia ou o teatro... Desta maneira estaremos estimulando sua curiosidade, criatividade, possibilidade de voar, muito além do horizonte inicialmente previsto na escola, rumo ao conhecimento que seja para eles muito mais significativo!

Obs. Para ler a matéria sobre o caso canadense, na íntegra (em inglês) acesse o link http://www.theglobeandmail.com/life/family-and-relationships/family-negotiates-homework-ban/article1367357/

Por João Luís de Almeida Machado

O Antissemitismo na Alemanha Nazista - 27/11/2009

 Adolf Hitler escreveu "Minha Luta" (Mein Kampf, título original em alemão) na prisão em 1924. Neste livro, defendia a ideia da superioridade do povo alemão (identificado erroneamente por ele como raça ariana) em relação a todos os demais. 

"Toda manifestação da cultura humana, todos os produtos da arte, da ciência e da habilidade técnica, o que vemos diante de nossos olhos hoje, é quase exclusivamente o produto do poder criativo dos Arianos”, disse em algumas linhas, de modo a atestar esta suposta superioridade com base em elementos materiais e sem que ao menos se desse ao trabalho de enumerar tais conquistas...
 
Hitler pensava que a superioridade ariana estava sendo ameaçada por casamentos mistos. Se isto acontecesse, acreditava que a maior civilização do mundo poderia desaparecer em virtude do processo de miscigenação.

Ainda que soubesse que outras raças/etnias iriam resistir a esse processo, acreditava que cabia aos arianos o dever de controlar o mundo, o que comprovaria sua tese racista e preconceituosa. Isto seria difícil e a força teria que ser utilizada, mas poderia ser acontecer. Para justificar seu ponto de vista, ele deu como exemplo o Império Britânico, que durante parte de sua história tinha controlado um quarto do mundo utilizando-se de sua força militar.

Hitler acreditava que a superioridade ariana estava sendo ameaçada principalmente pelos judeus, não levando em consideração, por exemplo, que alguns de seus compositores e músicos preferidos eram judeus. Dizia que existiam planos judeus de mistura racial com os arianos cuja finalidade era enfraquecer tal etnia e, desta forma, facilitar seu acesso ao poder político, econômico e social.

Ainda de acordo com o líder nazista, os judeus foram os responsáveis pelo surgimento da arte moderna (que ele repudiava abertamente, ainda mais tendo sido, em etapa anterior de sua vida, pintor tradicionalista, que seguia o modelo da escola clássica de pintura), da pornografia e, até mesmo, da prostituição.  Para o Führer (o grande líder, na expressão popularizada durante a Alemanha Nazista) alemão, os judeus tinham sido os maiores responsáveis pela derrota germânica na Primeira Guerra Mundial, o que aumentava ainda mais o verdadeiro ódio que sentia por esta população.

Ele não entendia, e nem pretendia, que os judeus, aproximadamente 1% da população alemã da época, por conta de seus negócios e influência econômica, pudessem, aos poucos, aumentar sua influência no país. E, para ele, isto estava ocorrendo, pois de acordo com as informações de que dispunha, os judeus estavam controlando o maior partido político na Alemanha, o Partido Social Democrata alemão.

Pessoas-passando-em-frente-a-loja-com-simbolo-nazista

Além da influência política cada vez maior, muitas das principais empresas e vários jornais do país eram de posse de judeus. O fato de este grupo alcançar posições de destaque em uma sociedade democrática foi, de acordo com Hitler, um argumento contra a tal sistema político.

Além disto, os nazistas acreditavam que os judeus estavam aliados aos comunistas em uma conspiração conjunta para dominar o mundo. Hitler afirmava que 75% de todos os comunistas eram judeus e ainda dizia que a parceria entre judeus e marxistas já haviam tido sucesso na Rússia e agora ameaçava a estabilidade política do resto da Europa. 
 
O Antissemitismo escancarado não ocasionou dificuldades para Hitler quando ele estava tentando ganhar poder na Alemanha. Empresários judeus na Alemanha e no resto do mundo eram, ocasionalmente, capazes de usar sua influência para impedir que ideias antissemitas fossem propagandeadas e levadas a outros públicos.

Ciente do poder do dinheiro judeu, Hitler começou a deixar de fora os comentários antissemitas em seus discursos durante as eleições. Este foi um dos principais fatores para o aumento das contribuições financeiras dos industriais alemães na eleição geral de 1933. Sua mudança de tática foi tão bem-sucedida que até mesmo empresários judeus começaram a contribuir com dinheiro para o Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores.
 
Tendo chegado ao poder, Adolf Hitler começou a expressar ideias antissemitas novamente. Baseado em suas leituras de como aos negros eram negados os direitos civis nos estados do sul dos Estados Unidos, Hitler tentou tornar a existência dos judeus na Alemanha ainda mais miserável. Esta ação teve início em abril de 1933, com o boicote de um dia a lojas de judeus. Membros da SA Nazista promoveram piquetes em frente às lojas para garantir o sucesso da iniciativa. 

A hostilidade em relação aos judeus, a partir de então, só aumentou na Alemanha. Isto pôde ser percebido também na decisão de muitas lojas e restaurantes que passaram a negar atendimento à população judaica. Começaram a ser afixados cartazes em toda a Alemanha, dizendo: "Judeus não são admitidos". Em algumas partes do país (o que posteriormente se ampliou para toda a nação), os judeus eram proibidos de frequentar parques públicos, piscinas e até mesmo de utilizar transportes públicos. A estrela de Davi passou a ser utilizada obrigatoriamente por todos os judeus para que assim fossem identificados (e discriminados) em toda a Alemanha.

Os alemães foram incentivados a não se utilizar de serviços prestados por médicos e advogados judeus.  Funcionários públicos, professores e trabalhadores dos meios de comunicação que tivessem ascendência judaica em qualquer grau foram demitidos. Os membros da SA iniciaram grande pressão sobre seus compatriotas para que não comprassem bens produzidos por empresas judaicas. 

A Ullstein, maior editora de jornais, livros e revistas na Alemanha, controlada por judeus, foi forçada a vender seus ativos em 1934, pois as ações da SA tinham tornado impossível para eles para manter suas operações e lucros.

Membros da comunidade judaica que já não podiam ganhar a vida deixaram o país. O número de judeus que abandonaram a Alemanha aumentou após a aprovação das Leis de Nuremberg, em 1935. Sob esta nova lei, os judeus já não eram mais considerados cidadãos alemães. Também passou a ser considerado ilegal o casamento entre judeus e arianos.

Homens-frente-a-loja-judaica-com-vidros-quebrados

Com o passar dos meses a pressão sobre os judeus para deixar a Alemanha se intensificou. Hitler, Goebbels e Reinhard Heydrich organizaram um novo programa destinado a incentivar os judeus a emigrar. A Noite dos Cristais, ocorrida entre os dias 9 e 10 de novembro de 1938, foi tratada publicamente como uma reação espontânea do povo alemão à notícia de que um diplomata alemão tinha sido assassinado por um jovem judeu refugiado em Paris. Na verdade, tudo o que ocorrera foi organizado pelos nazistas.
 
Durante a Noite dos Cristais foram atacadas, destruídas e/ou queimadas mais de 7 mil lojas de judeus e 400 sinagogas. Cerca de 90 judeus foram mortos e aproximadamente 20 mil pessoas foram enviadas para campos de concentração. Até esta altura estes acampamentos tinham sido usados, principalmente, para abrigar os presos políticos, inimigos do regime. As únicas pessoas que foram punidas pelos crimes cometidos na Noite de Cristal, foram os membros da SA Nazista que haviam estuprado mulheres judias, pois tinham ofendido as leis de Nuremberg que proibia relações sexuais entre arianos e judeus.
 
Depois da Noite dos Cristais, o número de judeus que desejavam deixar a Alemanha aumentou dramaticamente. Foi calculado que entre 1933 e 1939, cerca de metade da população judaica da Alemanha, estimada em 250 mil pessoas, deixaram o país. Uma maior quantidade de judeus teria participado deste êxodo, mas o antissemitismo não ficou restrito à Alemanha e muitos países relutaram em aceitá-los...


Por João Luís de Almeida Machado

A Loja Mágica de Brinquedos - 01/12/2009

 Brincar de faz de conta. Inventar brinquedos a partir de latas, caixas de papelão, carretéis de linha, barbantes, batatas… Andar de bicicleta, divertir-se com jogos de tabuleiro (clássicos universais como xadrez, damas, ludo ou ainda contemporâneos como War, Banco Imobiliário, Detetive…), criar universos com bonecas ou personagens articulados, reinventar as pistas de corridas com carrinhos de ferro, jogar bola…

Ser criança é uma dádiva. Este presente, no entanto, tem sido abreviado com o passar dos anos. O impacto do mundo adulto sobre as crianças tem sido devastador e mereceria estudos sérios. Hoje, com 8 ou 9 anos já se cobra dos infantes que tenham, no mínimo, uma paquera na escola ou no bairro. As meninas, por sua vez, são estimuladas a usar maquiagem, perfume e a se mostrarem femininas e sedutoras… Isso na faixa dos 10 a 12 anos… Creiam-me, é o fim do mundo ou, ao menos, da infância como deveria ser vivida…
Filmes como “A Loja Mágica de Brinquedos”, do diretor Zack Helm, tem o claro intuito de trazer de volta a magia, a imaginação, a criatividade e toda a alegria que existe em ser criança. Com isto, espero, talvez seja possível iluminar os pais a devolver aos filhos o direito da infância, prorrogando-a por mais algum tempo além daquele que a sociedade voraz e perniciosa, rápida e precoce, tem oferecido.

Nesta produção, entramos num Empório (como no título) que pertence há alguns séculos ao caricato e mágico senhor Magorium (Dustin Hoffman, uma das lendas do cinema americano que ainda continua ativo). Ele está com seus dias contados, mas diferentemente de qualquer outra pessoa, ao invés de se mostrar recluso, doente, acamado, prefere manter o alto astral e se incumbir de uma missão final em sua longa trajetória, passar sua loja para a única pessoa que acredita capaz de manter a magia ali residente, sua assistente, Molly Mahoney (Natalie Portman, jovem e talentosa atriz da nova geração do cinema yankee).

Molly, no entanto, apesar de honrada com a possibilidade, não consegue imaginar-se dona da loja e, principalmente, capaz de dar ao estabelecimento toda a beleza, vibração e magia ali residentes em virtude de seu proprietário original, o Sr. Magorium.

A loja tem brinquedos maravilhosos, que a partir do momento em que são acionados, tocados ou manipulados por qualquer criança, tornam-se dínamos de criatividade e encantamento para todas as pessoas. Aos olhos de Molly Mahoney, o fascínio existente na loja é decorrente do proprietário, o Sr. Magorium, e ela não teria tal habilidade e encantamento para manter toda a magia…

“A Loja Mágica de Brinquedos” é uma grande fantasia alegórica que quer ir além da diversão (garantida pelo espetáculo visual, pelos atores em atuações destacadas, pelo roteiro de qualidade…) já que, além disso, se propõe a tentar resgatar o que ainda existe de infância em muitos adultos e, se possível, preservar e prolongar o sonho de criança que muitos infantes estão perdendo…

Uma bela fábula atemporal mais que necessária para os dias de hoje – tão cinzentos e amargos… A proposta da produção é vida e cor, diversão e felicidade… A magia, afinal de contas, está dentro de cada um de nós…


Para Refletir

  1. Brincar enquanto se aprende é mais do que uma possibilidade, é verdadeira necessidade. É claro que esta afirmação parece destinada aos professores da Educação Infantil, mas na realidade gostaria de ampliar este alcance e propor que em todos os níveis a ludicidade se faça presente. Como? Basta colocar a imaginação, tão exaltada e valorizada no filme “A Loja Mágica de Brinquedos”, em uso! Por exemplo, por que não trabalhar com produção de jogos de tabuleiro (isto mesmo, a partir de conteúdos, propor aos alunos a produção de trilhas, jogos de cartas, RPG...), quadrinhos, palavras cruzadas e tantas outras possibilidades! E isto, creiam-me, vale tanto para os alunos do fundamental quanto para a turma do Ensino Médio, Faculdade, EJA...

 

  1. Ler textos e assistir filmes que trabalhem a fantasia é, também, trabalho que pode auxiliar os alunos nos estudos. O sucesso de franquias literárias como as séries Crepúsculo e Harry Potter comprovam que o gênero tem forte apelo entre a garotada e que, certamente, outras leituras como estas podem ajudar os alunos. Este auxílio se revela bastante enriquecedor quanto à produção de textos, leitura propriamente dita, compreensão daquilo que está sendo lido (e de outras fontes e materiais), maior capacidade de criar, argumentação... Entre os alunos da Educação Infantil e dos primeiros anos do Fundamental, a prática de contar histórias é igualmente relevante pois não apenas estimula a leitura, mas ensina a dar ênfase, respirar de acordo com a leitura, mudar o tom, criar clima...
  1. A infância precocemente finda é uma das mais belas aves que o homem abate em vôo... Ser criança é uma dádiva verdadeira e como nós adultos queremos que isto acabe de forma tão acelerada... É hora de repensar esta situação, de apoiar a criançada, de dar asas a imaginação deles, de estimular-lhes brincadeiras, de permitir-lhes riso e diversão! Na escola também, claro que sem perder o foco educacional, sem abrir mão de objetivos pedagógicos, mas preservando em cada criança aquilo que ela tem de mais belo, de mais pueril, de mais eterno... Viva a infância!


Por João Luís de Almeida Machado

As tecnologias nos tornam menos inteligentes? - 07/12/2009

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Lançado recentemente nos Estados Unidos pelo professor Mark Bauerlein, da Universidade de Emory, em Atlanta, o livro "The Dumbest Generation: How The Digital Age stupefies young americans and jeopardizes our future" (A geração mais burra: Como a Era Digital torna mais estúpidos os jovens americanos e compromete nosso futuro, na tradução mais literal possível), coloca em xeque as conquistas do mundo virtual para o desenvolvimento intelectual das crianças e adolescentes nascidos após o advento e consolidação da rede mundial de computadores.

Mas o que motiva o pesquisador a afirmar de forma tão categórica tal pensamento, estampado em letras garrafais no título de sua obra? De acordo com Bauerlein, o que se pode dizer é que:

"Em termos de inteligência pura, eles são tão espertos quanto sempre foram. Mas quando você vê o conhecimento deles de história, literatura, filosofia, eles são completamente ignorantes. Isso porque a maioria do tempo livre dessas crianças é gasto com ferramentas digitais que simplesmente repercutem umas as outras. Eles não leem jornais, eles mexem no Facebook. Eles não leem livros, eles mandam SMS. Isso tira deles o tempo que era destinado para a formação intelectual".

Em suma, o que auferimos é que o uso excessivo destas ferramentas pode realmente causar empecilhos ao pleno desenvolvimento destas novas gerações. Nos tempos atuais garotas e garotos são rápidos, antenados, multitarefas e, aparentemente, por conta igualmente de sua facilidade no uso da tecnologia, parecem muito espertos aos olhos de todos...

Mas o acesso a informação rápida, do modo como ocorre na web, por exemplo, leva os usuários (em especial os mais novos) a apenas "bater os olhos" e passar pelos dados sem se interessar em saber com maior profundidade aquilo que está sendo ali apresentado (fatos, números, imagens, conjecturas, análises...). Lêem-se as manchetes apenas - o que, de certa forma explica a popularidade dos microblogs, como o Twitter. Com isto, não ocorre a leitura focada, atenta, crítica e capaz de gerar movimentos de busca por mais dados e informações complementares, o que suscitaria em tal pessoa, a capacidade de ampliar seus saberes e realizar a transformação destas informações em conhecimento...

Conhecimento este que teria que ser ainda burilado a partir da partilha e debate das idéias e fatos percebidos, estudados e compreendidos, com outras pessoas - mesmo que através do mundo virtual, por exemplo, nas chamadas redes sociais. O que Bauerlein atesta é que, nas redes sociais (como o Facebook, por ele mencionado, e alguns de seus pares - Orkut, MySpace...) só há espaço para jogos, diversão, informação superficial (ou fútil mesmo), egotrips...

O que fazer? Bauerlein fala da necessidade das famílias, especificamente dos pais, acompanharem mais de perto o uso das ferramentas do mundo virtual por seus filhos, estipulando limites e propondo alternâncias entre estas experiências na rede com aquelas do mundo real, como a interação direta com outras pessoas, a leitura, o esporte, a música, o teatro, o cinema...

Concordo com ele, mas como educador incluiria a necessidade de um trabalho educacional que orientasse o olhar dos estudantes - não no sentido de limitá-lo, estipulando apenas por onde deve ir (navegar na web) - mas que tenha o objetivo de dar a esta nova geração o necessário foco, definindo um timing mais adequado para a interação com a informação, articulando a troca com outras pessoas na sala de aula, cambiando dados com o que está nos livros ou em outras fontes, realizando produções acerca daquilo que está sendo lido e estudado a partir da rede (e das outras bases culturais utilizadas)...

Imaginar que esta nova geração, por si só será capaz de realizar esta alteração de rumo por conta própria, sem o auxílio dos pais e dos professores (entre outros), é pensar como possível colocá-los num avião ou num carro de corrida, para pilotá-lo, apenas a partir da experiência que possuem em simuladores de vôo ou games que reproduzem a Fórmula 1, os Stock Cars... Para que isto dê certo, a experiência de quem já voou ou dirigiu tais veículos é de essencial importância tanto quanto a gradual preparação para que, a partir do tempo certo, possam realmente acelerar...

Obs. Leia entrevista "Conectados, multitarefa, radicais, isolados e burros" dada por Mark Bauerlein ao caderno Link, do Estado de São Paulo. Dê também uma olhada na reflexão “Computadores não melhoram a qualidade da educação”, analisando o pensamento de Nicholas Carr sobre o tema.


Por João Luís de Almeida Machado

Lições de quem faz as melhores animações do mundo - 15/12/2009

 Símbolo-da-Pixar

Assisti recentemente e recomendo a todos, não apenas às pessoas que curtem cinema ou especificamente as animações, o ótimo documentário "The Pixar Story". Através desta produção, ficamos sabendo como foi a trajetória de uma das mais celebradas e respeitadas empresas que atuam no ramo de entretenimento no mundo de hoje. Algumas lições, no entanto, me pareceram tão fortes e poderosas que mereciam destaque. São elas:

1- John Lasseter, um dos responsáveis pelo sucesso da Pixar ao lado de Steve Jobs, sempre foi verdadeiramente apaixonado por desenhos animados e, a partir do momento em que descobriu que poderia ganhar a vida trabalhando com isso, não teve dúvidas, abraçou seu sonho. Partiu então para um curso, na Califórnia, nos anos 1970, em faculdade criada por Walt Disney. Seus professores? Os artistas que praticamente conceberam esta arte nas décadas anteriores, ou seja, os animadores da Disney, já veteranos, retirados de sua aposentadoria, para eternizar este trabalho. Estes professores foram responsáveis por clássicos como Pinóquio, Fantasia, Branca de Neve e os Sete Anões, Dumbo, Mógli... Entre as lições percebidas neste relato, destacaria a valorização dos saberes dos experientes mestres e a paixão de Lasseter pelo trabalho que escolheu fazer ao longo de sua vida.

2- Não pensem que tudo foi fácil, não... Durante os anos de estudo, Lasseter trabalhava durante as férias nos parques temáticos da Disney, no início como varredor de ruas e depois como condutor do barco de uma das atrações... Aqui vale destacar que sempre começamos por baixo e que, desde que honesto, qualquer trabalho é digno e passível de nos legar saberes... Lasseter, hoje, dirige a Disney/Pixar e é responsável também pelos parques e novos brinquedos que lá existem...

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Cena de “Gerri’s Game”, curta de animação da Pixar.

3- Como resultado de estudos, aplicação e amor pelo trabalho, Lasseter foi premiado por seus dois primeiros curtas de animação, realizados ainda nos anos 1970 e, por conta deste já prematuro sucesso, conseguiu o emprego de seus sonhos, na fábrica de sonhos, ou seja, de novos desenhos animados, da Walt Disney.

4- No início dos anos 1980, as animações passavam por uma entressafra, com queda nas bilheterias e perda de interesse do público. Na mesma época, os estúdios Disney lançaram o filme "Tron", que foi o primeiro a trabalhar com efeitos digitalizados, criados por computadores. Lasseter percebeu que o futuro estava nestas tecnologias e decidiu investir numa animação que utilizasse também estes recursos (além dos tradicionais). Visão de futuro e capacidade de empreender, então, são os marcos deste ponto da história...

5- Ao mostrar a animação que surgiu para o então presidente da Disney, Lasseter foi questionado quanto aos custos e tempo de produção. Ao dizer que eram praticamente os mesmos das animações tradicionais, escutou que este trabalho então não interessava aos Estúdios Disney. Ao voltar para sua sala, menos de 10 minutos depois deste fato, recebeu um telefonema de seu chefe imediato e foi comunicado de sua demissão... Estava além de seu tempo e não foi compreendido...

Cena-de-carro-vermelho-com-semblante-de-convicção
“Carros” (2006), de John Lasseter, outra animação em longa-metragem
produzida pela parceria Disney/Pixar que obteve êxito mundial.

6- Não desistiu e chegou à conclusão de que animações digitalizadas eram mesmo o futuro. Associou-se a engenheiros, arquitetos, técnicos e contou com o aporte de recursos por parte do visionário empreendedor Steve Jobs, da Apple. Antes disso, alguns de seus parceiros trabalharam com o mago George Lucas (da série Star Wars), na Industrial Light and Magic, na qual foram concebidos importantes avanços tecnológicos para a produção em cinema, inclusive para trabalho com computadores... Juntou-se, então, às pessoas certas que, como ele, também acreditaram nas possibilidades das animações criadas em computadores... Reuniu forças com outros especialistas, conhecedores de outras técnicas e equipamentos...

7- Durante os primeiros anos a firma não deu lucros, apenas contabilizou gastos, o que poderia levar Jobs a deixar de investir na Pixar. A persistência e confiança do mago da Apple fizeram com que a Pixar evoluísse e conseguisse chegar ao seu primeiro grande sucesso, o longa-metragem de animação computadorizada, "Toy Story", e pudesse partir para todos os demais hits por ela produzidos (Carros, Os Incríveis, Procurando Nemo...).

8- O sucesso da Pixar não cegou os realizadores e tampouco engessou o trabalho na empresa, cada novo projeto é desafio diferente do anterior e, neste caminho, novas técnicas, recursos, ideias, pessoas, histórias e possibilidades surgem...

9- O advento das técnicas de animação computadorizada colocou o mercado de animações em alta no mundo inteiro e a Pixar se associou à Disney, com Lasseter sendo contratado para gerir a empresa de Uncle Walt, anos depois de ter sido demitido por suas ideias inovadoras, que não foram compreendidas pelos então gestores da Disney...

Cena-de-monstro-assustando-com-criancinha
“Monstros S.A.” (2001), um dos primeiros grandes sucessos da Pixar ao lado
de “Toy Story”, conta com criatividade a história do bicho-papão às avessas.

10- A animação computadorizada quase sepultou as técnicas tradicionais de produção de desenhos animados, e isto grandemente em função do sucesso da Pixar e de outras companhias que seguiram seus passos... A Disney fez planos de fechar seus estúdios de animação... Os executivos da Pixar decidiram, então, investir também em animações produzidas com técnicas convencionais para preservar esta arte, acreditando que há espaço tanto para animações computadorizadas quanto para as desenhadas à mão por grandes artistas... O que vende ingressos e pipoca não são exatamente as técnicas, mas as grandes histórias contadas na tela, acreditam todos que trabalham na Pixar (Com o que concordo em grau, número e gênero).

Obs.: Apresento, abaixo deste artigo, o curta de animação One Man Band, da Pixar, é claro, para uma melhor apreciação do belo trabalho destes animadores!


Por João Luís de Almeida Machado

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