As desgraças que aproximam o Brasil e a África

Li um artigo publicado pela revista Superinteressante (do mês de junho de 2007) cujo título é "Ajuda atrapalha?" e que tem como foco a África e as grandes doações e empréstimos (a juros abaixo daqueles que são cobrados no mercado) que foram concedidos a países daquele continente. Chama bastante a atenção de quem lê o depoimento de algumas pessoas ligadas a Organizações Não Governamentais que em vários momentos do texto dizem que a ajuda que tem vindo de fora não tem auxiliado os africanos a superar as chagas que tanto atormentam aquelas terras.
Pelo contrário, afirmam esses ativistas de causas africanas que os desmandos e desvios de verbas, roupas, alimentos ou medicamentos são regulares e causam problemas ainda mais sérios dentro daqueles países. Criam-se poderes paralelos que negociam essas doações ou, ainda pior, que captam boa parte dos recursos disponibilizados e os desviam para contas particulares em outras nações.
Há uma cultura estabelecida nesses países que permite, não combate e até estimula a truculência e a corrupção por parte dos governos locais. A miséria, os ciclos de fome, os problemas ambientais, as epidemias, as guerras civis, a desorganização econômica e o analfabetismo em larga escala tornaram-se emblemáticas bandeiras africanas em prol das quais se doam bilhões de dólares para o continente. O problema é que as lideranças estabelecidas nas nações africanas desviam os recursos obtidos, não combatem os flagelos existentes e, pior, continuam ano após ano utilizando as desgraças locais como meio para a obtenção de mais e mais recursos...
A pobreza local virou um subterfúgio para a obtenção de meios e recursos que alimentam o corrompido mapa político local. Quer um dado indicativo de como isso é fato? As nações asiáticas estavam em igual ou inferior nível de desenvolvimento quando comparadas as africanas nos anos 1960 e hoje vivem uma situação muito melhor em praticamente todos os quesitos comparáveis (trabalho, saúde, educação, saneamento,...). O pior de tudo é saber que a quantidade de recursos investidos na África foi muito superior ao montante destinado as nações asiáticas... A questão central refere-se a como esses recursos foram geridos...
O pior de tudo é constatar que há muitos pontos que aproximam o Brasil dos africanos quanto a triste realidade da corrupção (calcula-se que aproximadamente 10% dos valores direcionados a execução de obras e serviços públicos acabem nas mãos de corruptos), dos serviços públicos desqualificados (hospitais sem médicos, equipamentos cirúrgicos quebrados ou ociosos, escolas de lata,...), dos flagelos que servem como chamarizes para recursos e que nunca são resolvidos (a indústria da seca, o analfabetismo que nunca acaba),...

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