Desafios aos gestores da educação

  • "O bom gerenciamento de recursos está mais diretamente relacionado ao melhor desempenho dos alunos do que à simples quantidade de dinheiro investido na educação. A conclusão aparece em pesquisas internacionais, nacionais e regionais. Ela traz para o debate da busca de mais qualidade na educação básica e pública a necessidade de mais profissionalização no setor. Isso inclui a adoção de conceitos como metas, acompanhamento e avaliação, ao lado do discurso pedagógico." (Gestão tem mais impacto que verba, artigo de Simone Iwasso, Caderno Especial do jornal O Estado de São Paulo dedicado ao tema Educação, 29 de Abril de 2007).
Há vários focos de trabalho importantes para que a educação nacional atinja a qualidade que dela se espera. A atualização dos conhecimentos e práticas dos professores, investimentos em infra-estrutura das escolas, aparelhamento das unidades com laboratórios de ciências e de informática, criação de cursos adicionais como artes ou filosofia, valorização do magistério, plano de carreira, bonificações por melhores resultados,...
Quase todos esses tópicos estão sendo discutidos e avaliados, pensados e propostos por educadores do Brasil e do mundo já há algum tempo, mas uma questão que ainda carece de maior pesquisa e estudo relaciona-se justamente a necessidade de profissionalização dos gestores da educação. E essa pesquisa é para ontem, como dizem na gíria do interior de São Paulo, ou seja, ela urge de investimentos e trabalhos que sejam realizados o mais rapidamente possível para que soluções e alternativas de modernização da gestão e do gerenciamento dos recursos e trabalhos das escolas possam acontecer o quanto antes...
A escola tem que acompanhar a sociedade nos seus ciclos de transformação e, o momento que vivemos depreende atualização tecnológica, processos rápidos, decisões seguras e assentadas em argumentos sólidos, criatividade e inovação,...
Falta dinheiro? Tem que sobrar imaginação e capacidade de adaptação a essa realidade para que o pouco que existe em caixa seja suficiente para gerir emergencialmente ou momentaneamente a escola. Algumas das escolas que se destacaram com bons resultados nas avaliações nacionais aplicadas ao ensino fundamental e médio não eram propriamente "searas" de recursos, onde havia muito capital disponível para aplicar. Seu grande mérito residiu, justamente, na capacidade dos gestores de administrar o que tinham em mãos mesmo que fosse muito pouco...
É claro que isso não significa que devamos abrir mão da luta por mais verbas, por menos corrupção e desvios, pela ampliação dos investimentos nacionais na educação... Mas enquanto isso não acontece, que tal gerir melhor o que temos?

Comentários

  1. Olá João Luís!

    Me incomoda muito o fato da Escola relacionar o desempenho do aluno à quantidade de recursos investidos. Na minha opinião gerenciar bem o processo educacional é antes de mais nada vislumbrar um cenário educativo onde a aprendizagem possa ser pensada como um processo global na qual conhecer a realidade e intervir nela não são atitudes dissociadas. Tornar a escola um espaço significativo de aprendizagem nem sempre depende dos recursos materiais utilizados, mas de como nós educadores estabelecemos com os nossos alunos a relação do que se apresenta na sala de aula com a vida fora dela. Não são apenas os recursos materiais que darão conta de tornar os alunos sujeitos ativos do processo de construção do conhecimento. A questão está muitas vezes na forma como problematizamos as situações e na maneira como realizamos as intervenções no momento em que o aluno elabora o pensamento. Portanto, há que se optar por uma gestão escolar que favoreça o rompimento com o modelo fragmentado de educação e ensino que ainda alimentamos até hoje.

    Christina - Coordenadora Geral do Projeto de Informática Educacional em Bauru, pela Planeta Educação.

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  2. João Luís de Almeida Machado4 de maio de 2007 às 08:25

    Christina,

    Parabéns pelo comentário inteligente e fundamentado. Não podemos prescindir de nossa experiência de educadores para pensar as situações e questões que se colocam em primeiro plano no debate educacional que se enseja em nosso país hoje. É uma necessidade que repensemos todo o processo e a gestão criativa, planejada e propositiva é mola mestra nessa renovação tão ansiada. Concordo com seus posicionamentos, especialmente com sua afirmação em que diz que a aprendizagem é "um processo global na qual conhecer a realidade e intervir nela não são atitudes dissociadas"... Isso não é levado a sério, como deveria, por isso estamos tão atrasados...

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  3. Rosangela - formação de educadores Bauru AN27 de maio de 2007 às 20:17

    É muito mais cômodo dizer que não fazemos nada porque não tem verbas, o difícil é colocar "a cara para bater" e buscar outras alternativas financeiras como apoio da comunidade. E mais difícil ainda é conscientizar a comunidade local (equipe escolar ) a trabalhar a criatividade e desenvolver um trabalho com o que se tem!

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  4. ÑÃO DEVEMOS ,NUNCA,ESQUECER-NOS QUE
    SOMOS FILHOS DE UM SER SUPREMO E QUE DEVEMOS A ELE NOSSA EXISTENCIA.
    LEMBRE-SE; DEUS SEM VOCE É DEUS.VO-
    CE SEM DEUS E NADA!

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  5. João Luís de Almeida Machado8 de maio de 2007 às 09:09

    Olá Rosângela e Mariza,

    Temos que ter fé sempre, mas ir além da fé também é imperativo, portanto não podemos apenas nos acomodar na situação daqueles que jogam pedras e não constroem nada... As verbas ajudam e muito a melhorar a educação, a saúde, os transportes, a cultura, o lazer,... Mas se não temos esse dinheiro em mãos o que devemos fazer, chorar e lamentar? Não, temos que cobrar, no entanto, o nosso papel também deve ser ativo nessa história, chega de assistirmos a tudo "bestializados" como disse um cronista na proclamação da república, temos que ser realizadores e, superar as mazelas com criatividade e inteligência!

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