Nossa educação ainda está presa aos grilhões do Industrialismo
- O sistema de educação com o qual convivemos nasceu e amadureceu em razão da era industrial. Foi um salto em relação ao passado e foi útil para o amadurecimento desta era. Mas, assim como a linha de produção, é segmentado, compartimentado e instrucionista, contribui para anular a possibilidade de a criança aprender a aprender, aprender a pensar e a refletir na flor da idade do início de uma nova era da História da humanidade, que exige o aprendizado contínuo e não a acumulação enciclopédica de dados. (Educação e Tecnologia - O que está em jogo?, publicado em "O Estado de São Paulo" em 04/05/2007, autoria de Rodrigo Lara Mesquita)
O trecho do artigo mencionado acima, publicado no dia de hoje pelo Estadão em seus editoriais, dá uma amostragem de uma série de percalços e dificuldades que temos pela frente na transição mais do que necessária rumo a uma educação de qualidade. Ao destacar e relacionar as origens do sistema educacional vigente em nossas escolas atualmente, vinculando a história recente a transição para o sistema industrial ocorrido há aproximadamente 250 anos atrás, o jornalista Rodrigo Lara Mesquita coloca o dedo numa ferida latente para qualquer pretensão modernizadora do ensino em nosso país, ou seja, nos dá a medida do atraso e, ao mesmo tempo, dimensiona o difícil embate que temos pela frente...
Difícil luta essa a da modernização e renovação dos ares na educação nacional porque ainda estamos presos a uma poderosa e aparentemente intransponível barreira... a das mentalidades, ou seja, a cultural. Estamos impregnados pelo modelo descrito nessa citação e não percebemos, ou ainda, se conseguimos entender essa impregnação, não vemos saídas ou alternativas de superação que alcancem a instância coletiva a nível nacional...
O que quero dizer com isso? Que por mais que algumas pessoas já tenham compreendido essas amarras que ainda nos atam ao sistema industrial segmentado, burocrático, direcionador de atividades e que impede a nossa emancipação intelectual, esses cavaleiros solitários ou Quixotes não encontram eco para suas ponderações no conjunto da sociedade brasileira!
Aprender a aprender, aprender a refletir, amadurecer intelectualmente e emancipar-se depende muito das escolas, dos professores, da vontade política nacional, da organização das forças da sociedade civil, do trabalho árduo dos pensadores de plantão e de todas as pessoas que se conscientizam do quanto estamos atados a pesados grilhões que ainda nos ligam a esse remoto passado...


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