Alfabetização científica já!
No dia de ontem, 11 de junho de 2007, o jornal "O Estado de São Paulo" publicou a matéria "Falha na alfabetização científica prejudica interesse pelo assunto". Destacou a matéria que recente pesquisa realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia constatou que 41% dos brasileiros demonstram grande interesse por ciência. Dado expressivo que coloca o assunto atrás apenas de esporte entre os temas de maior interesse nacional.
A pesquisa também demonstrou que os demais 59% de brasileiros não gosta ou não apresenta interesse pela área simplesmente pelo fato de não entenderem ou de acharem muito confusos os temas tratados pela ciência. Isso demonstra, com clareza, que a formação educacional em ciência no Brasil é bastante débil e que, obviamente, isso fragiliza e em muitos casos torna inviável a relação dos brasileiros com o estudo e a compreensão da ciência.
Falta-nos, segundo constatam alguns especialistas que abordam o assunto na reportagem, a alfabetização científica. O estudo realizado nas escolas no que tange a ciência é muito livresco e desconectado da realidade das pessoas. Segundo esses estudiosos não há interesse e preocupação por parte dos professores em realizar experimentos, contextualizar os conhecimentos científicos e, dessa forma envolver os alunos desde cedo com a área.
Além disso, os estudos científicos nas escolas iniciam-se de forma mais regular apenas a partir do 3° e 4° anos do Ensino Fundamental sendo que deveriam começar, em seus fundamentos, já na educação infantil (assim como os estudos de filosofia, acrescentaria eu!).
Em linhas gerais o que podemos perceber é que temos uma educação de base, que considero pessoalmente como a mais importante para que os estudos realmente evoluam de forma plena nas etapas posteriores da educação escolar, que não é efetiva e bem sucedida como deveria em português e matemática, que pouco ou nada produz em termos de arte e educação física, que não discute e aprofunda-se em estudos sociais (história e geografia) e que, ainda pior, não estimula o interesse pela ciência e pela filosofia...
Aonde queremos chegar enquanto país se as bases de nossa educação são tão frágeis e débeis? Precisamos de consistência, projetos, idealismo e, principalmente, de concretude e ação para que as escolas saiam do marasmo e ajudem a nação a abandonar a eterna promessa de país do futuro, um futuro que, diga-se de passagem, parece nunca chegar e nem ao menos se mostra em nossos horizontes mais distantes... Alfabetização científica já!


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