Fora do mapa...
“O Brasil tem quatro mecanismos federais de avaliação do ensino: o Saeb, o Enade, o Enem e a Prova Brasil, todos de padrão internacional. A cada vez que se divulga um de seus resultados, uma torrente de más notícias sobre a educação é despejada pelos jornais. Mas nenhum desses testes jamais captou um dado tão alarmante quanto o que surge da pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, que acaba de sair do forno. Os pesquisadores abriram um mapa-múndi na frente dos entrevistados (1 000 pessoas, em setenta municípios das nove regiões metropolitanas) e lhes pediram que indicassem onde ficava o Brasil. Somente metade acertou. É isso mesmo: o levantamento mostra que 50% dos brasileiros não sabem localizar o país no mapa.” (E a gente ainda goza os americanos..., artigo de Ronaldo França, Revista Veja, Ed. 2033, 07 de Novembro de 2007).
Desenhar mapas é atividade cada vez mais rara entre os estudantes que freqüentam a escola nos dias de hoje. A maior parte dos estudantes simplesmente copia e cola da Internet imagens da Europa, o Mapa Mundi, dados sobre o relevo do Brasil, a divisão política dos Estados Unidos ou a representação da economia da Ásia nesse formato. Não há mais aquele trabalho artesanal, que encaminhava o aluno para o contato mais direto e atento com o Atlas (será que ainda sabem o que significa essa palavra?).
Tudo isso é um grande contra-senso, ou seja, em pleno século XXI, com todos os recursos disponíveis, inigualáveis em qualquer período anterior da existência humana na Terra, a quantidade de “analfabetos geográficos” (apenas para utilizar os dados da pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, que nos revela o desconhecimento por aproximadamente 50% dos brasileiros quanto à localização geográfica de seu próprio país) é muito grande e chega a ser desconcertante...
O pior é pensar que, a geografia é apenas a ponta do iceberg... Desconhecimento ou ignorância quanto a conhecimentos básicos, que deveriam orientar a ação das pessoas em seu cotidiano, abundam também em ciências, história, línguas, matemática,...
E o que nos causa essa desinformação, despreparo e analfabetismo?
Individualmente representa desemprego, subemprego ou salários mais baixos; Coletivamente (pensando-se em termos de nação), indica que investimentos e oportunidades que poderiam surgir em nosso país podem e devem migrar para outras regiões do globo onde a mão de obra seja mais qualificada do que aqui... E olhem que chineses, indianos, chilenos e outras nações em desenvolvimento estão fazendo a lição de casa e melhorando muito a educação local...
Se continuarmos do jeito que estamos não apenas seremos ignorantes quanto a localização do Brasil como também o próprio país estará fadado a ficar fora do mapa...
Obs. Para saber mais sobre a pesquisa do Instituto Ipsos vá ao MUNDO DOS NÚMEROS, a seção do Observatório da Educação que traz a tona dados de pesquisas recentes.
Por João Luís Almeida Machado

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