Professores reprovados por faltas...

  • "Todos os dias, quase 30 mil dos 230 mil professores da rede estadual de ensino paulista faltam às aulas, e, amparados pela lei, a maioria não perde nenhum centavo dos seus vencimentos. O número significa uma ausência diária de 12,8%.Dos 30 mil, menos de 2.400 têm faltas que acarretam perda de salário, segundo dados oficiais de 2006. Os docentes contam com 19 dispositivos legais que lhes permitem se ausentar sem desconto no salário, entre os quais licença médica, licença-prêmio (por assiduidade) e falta abonada por "motivo relevante" (seis ao ano neste caso). Em um desses mecanismos, o professor pode, no limite, faltar 100 dos 200 dias letivos, desde que apresente atestados médicos e que as ausências não sejam em dias seguidos." (30 mil professores faltam por dia na rede pública de São Paulo, artigo de Fábio Takahashi, para a Folha de São Paulo, em 11/10/2007)
13 professores em cada 100 que lecionam na rede pública paulista faltaram as aulas do dia de hoje (provavelmente a ausência foi ainda maior na data em que escrevo essa postagem pois trata-se de véspera de feriado nacional, com as escolas enforcando também a sexta-feira). Isso de acordo com pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo, no último dia 11/10/2007. Trata-se, evidentemente, de mais um silencioso golpe contra a população, a cidadania, a ética e a dignidade da própria profissão.
Amparados por legislação trabalhista que não desconta do salário essas faltas, os professores faltam e se respaldam em atestados médicos. E seus alunos? Pouco importa. Se terão aulas ou não, que diferença faz. Professor que prefere ficar em casa ao invés de trabalhar não deve realmente estar se preocupando com a educação, com a qualidade de suas aulas, com a freqüência mínima para se obter bom rendimento (por parte do aluno e dele também), com a repercussão desse péssimo exemplo para os estudantes e, finalmente, com os grupos de alunos com os quais deveria ter comprometimento.
Em empresas privadas, no caso da educação, em escolas particulares, o índice de faltas (conforme pesquisa da própria Folha de São Paulo) é de apenas 1%. E muitos dos professores que dão aulas na rede pública são os profissionais que atendem nas redes privadas... Baita ironia...
Porque não faltam nas escolas privadas? Porque há desconto na folha. Não recebem salário integral no fim do mês. Perdem benefícios como valores superiores por assiduidade ou ainda quinquênios e afins... Se faltarem como se ausentam em escolas públicas, na rede privada perderiam não só nos vencimentos mensais... Estariam na rua, demitidos por justa causa...
Como cobrar responsabilidade, idoneidade, honestidade e decência de quem quer que seja (como dos políticos) se na escola esse não é o exemplo que vem sendo dado como podemos ver com tantas faltas, descomprometimento e falta de ética e civilidade?
Por João Luís Almeida Machado

Comentários

Postagens mais visitadas