Bibliotecas fechadas em São Paulo

"Com um decreto publicado no dia 1º de fevereiro - véspera do Carnaval - no Diário Oficial de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) fechou quatro das 61 bibliotecas que existiam na cidade. A justificativa da administração municipal é a falta de freqüentadores. A decisão partiu da Secretaria da Cultura, que administra as unidades, e foi aprovada pelo conselho consultivo do setor de bibliotecas (formado por diretores de bibliotecas, escritores, representantes de entidades de bibliotecários e da comunidade acadêmica). Segundo a pasta, a unidades faziam poucos empréstimos e não eram usadas pelos moradores dos bairros." (Fonte: Folha de São Paulo)


Fechar bibliotecas ao invés de abrir novas unidades... Criticar os dirigentes públicos municipais paulistanos seria a primeira atitude desse colunista... A justificativa para o fechamento é, no entanto, tão forte e inibidora a crítica pura aos políticos e responsáveis que cabe, num primeiro momento ao poder público não apenas mencionar o baixo movimento nas quatro bibliotecas, mas divulgar dados, estatísticas e informações que comprovem essa queda na busca pelos livros nas referidas unidades.

E fechar bibliotecas não é a solução primeira a ser tomada... Criar campanhas de incentivo a leitura, em parceria com as escolas do bairro (públicas e privadas), associando trabalhos e projetos escolares ao uso dos acervos locais, incentivando uma nova geração de leitores a conhecer e usar as dependências daquelas bibliotecas (e de todas as outras) também é de fundamental importância... Quando a biblioteca do município onde passei minha infância foi inaugurada, não saía de lá, aquele universo sagrado do conhecimento com inúmeros livros era verdadeiramente o céu para mim (como também Jorge Luis Borges, o eminente escritor argentino se referiu por escrito as bibliotecas e aos livros).

E os livros que ali estavam, para onde vão? E os funcionários... Serão deslocados, removidos ou transferidos? E a comunidade, o que achou de tudo isso? Não houve manifestações? Ainda há alguma possibilidade de salvar essas bibliotecas ou a decisão já foi tomada e é definitiva?

Por João Luís Almeida Machado

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