Brasil: Um país com muitos analfabetos... Até Quando?

  • "Se um em cada dez brasileiros com mais de 15 anos de idade ainda não sabe ler nem escrever, é na zona rural que residem quase 65% desse público. Atualmente, o índice de analfabetismo urbano é de 7,6%, enquanto 23,3% das pessoas da zona rural não têm instrução. Em 1997, a taxa era de 10,7% na cidade e de 32% no campo. Os recorrentes problemas de falta de professores, de transporte e de material didático adequado, além da infra-estrutura precária, limitam o acesso dos jovens do campo à educação e ajudam a aumentar o índice dos analfabetos funcionais, aqueles que têm menos de quatro anos de estudos. São cerca de 30 milhões de pessoas no país, o que representa 21,7% da população.A taxa para o setor rural, 42,9%, é mais do que o dobro da mesma apurada para o setor urbano, 17,8%. O Nordeste se sobressai com o maior índice, 33,5% (53,2% no meio rural), resultado ainda hoje maior do que as taxas das regiões Sul e Sudeste, em 1997, com cerca de 24%." [Fonte: UOL Educação]
Os números não mentem, costumam dizer para mim. Cresci vendo na ciência as possibilidades de compreensão do mundo e na escola o canal que nos permitiria o acesso a esse conhecimento, de bases científicas. Ao me tornar profissional elegi a educação como área dos desafios a serem enfrentados com valentia e persistência. Queria que outras pessoas pudessem perceber o valor, a importância, as possibilidades e os ganhos proporcionados a quem aprende a ler o mundo [literalmente].
Quando me deparo com os números dessas estatísticas penso em insucesso, em fracasso mesmo. Afinal, entra governo, sai governo - melhoram indicadores econômicos, constroem-se estradas, abrem-se novas fábricas, informatiza-se a sociedade e os dados que indicam a perseverança de uma das maiores chagas que podem abalar um país permanecem... Os indicadores do analfabetismo no país continuam elevados e nos colocam atrás de nações como a Bolívia, Suriname ou o Peru... Inaceitável, não acham?
Se, por um lado penso que ainda estamos perdendo o jogo, creio que temos que ter energia e disposição suficiente para virar a partida e, medidas como aquelas que permitem avaliar o sistema educacional e o evidente engajamento de variados setores da sociedade na labuta por uma educação de qualidade me fazem crer que ainda há esperança, existem luzes no fim do tunel...
Espero que isso ocorra muito brevemente. É mais do que um sonho, verdadeiramente constitui uma batalha de toda uma vida [que sei ser partilhada por muitas e muitas pessoas como eu]...
  • Por João Luís de Almeida Machado

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