Para repensar a relação com o Google
- "Revista Info: Você afirma que o Google está nos deixando bobos. Por quê?
- Nicholas Carr: Eu respeito o Google por sua inovações tecnológicas. Mas as mudanças proporcionadas pelo Google têm impacto negativo na vida pessoal e cultural. O modelo de negócios da empresa é baseado em juntar o máximo de informações sobre o que você faz, sobre o que lhe interessa. Por isso, para eles é bom que naveguemos de site em site, clicando links com rapidez. Nosso cérebro está sendo remodelado para ficar eficiente em buscar informações, mas perde a capacidade de contemplação, reflexão, concentração. Perder essa habilidade é algo ruim para as pessoas e a sociedade." (Fonte: Info, Setembro/2008)
Nicholas Carr é um especialista em TI dedicado a pensar e repensar a web. Polemista, destaca pontos pouco observados ou pensados anteriormente por nenhuma pessoa que utiliza as Tecnologias de Informação e Comunicação, as TICs.
Destaquei a observação de Carr, em entrevista concedida a revista Info, no meio de mais um carnaval em torno do Google, empresa inovadora, que está completando dez anos de vida sendo hoje a marca mais valorizada do planeta e que, há alguns dias, lançou o seu próprio navegador, o Chrome, para abocanhar o mercado de sua maior rival, a Microsoft.
Penso que por todo o seu investimento no avanço das tecnologias relacionadas com a web, o Google realmente merece que tiremos o chapéu parra a empresa. Por outro lado, enquanto estudioso das Tecnologias e do impacto que elas causam em nossas vidas, não posso deixar de concordar com a ponderação final de Carr, ou seja, quanto ao fato de que estamos perdendo a capacidade de contemplar, refletir e nos concentrar nas informações que buscamos na rede.
Todo o processo é extremamente veloz no que tange a busca e ao processamento e uso das informações que procuramos que, não resta dúvida, pouco tempo dedicamos a nos debruçar sobre esses dados e pensá-los para nossas vidas, trabalho, estudo... Creio que, na realidade, se pudéssemos fazer um paralelo, seria como se fôssemos a caça, conseguissemos rapidamente pegar o nosso alvo e o comêssemos cru, ou no máximo, o passássemos durante poucos minutos no fogo... Não preparamos mais o alimento para deleite e degustação, com parcimônia e cuidado, dedicando a ele o tempo necessário a sua maturação e tempero... Com a informação está acontecendo algo semelhante e, em ambos os casos, dores de barriga e indigestão são possibilidades reais e fortíssimas... Cuidado com o caldo!!!
Artigo e análise muito pertinentes, amigo João. Anotei as impressões e o link pois irei desenvolver o assunto em breve. Obrigado por adicionar mais tempero ao meu caldo.
ResponderExcluirComo diz disse o Lulu Santos: "não existiria som se não houvesse o silêncio". A grande questão é como fazer o ser humano entender suas multifacetas e a necessidade de alimentar a todas. Se quero informação rápida- Google. Se me interesso por um assunto e percebo sua complexidade, preciso buscar outras fontes de pesquisa.Tudo isso sem esquecer o prazer de um bom livro, de um cheiro ou de um sabor agradável. Enfim, de cuidar de todos os nossos sentidos, de exercitar nossa capacidade de refletir. Valeu o alerta do Carr!
ResponderExcluirSerá que o uso de ferramentas simples e fáceis tornarão a aprendizagem superficial? Como ficará o prazer em realizar uma experiência? Amigos professores, está é a nova geração!
ResponderExcluirCom a facilidade e a rápides que a internet disponibiliza dados para pesquisa, tende-se a criar uma sociedade acomodada.Debora Nardi
ResponderExcluirO Google é um instrumento a mais, porém não deve ser o único.
ResponderExcluirMinha mãe já dizia: tudo que é de mais pode fazer mal.Mas a questão se faz pertinente, pois não podemos deixar de lembrar que o Google e outos mais são apenas ferramentas e não podem substituir o que é do ser humano, isto seja, a percepção, a concentração,a reflexão e a partilha dos saberes!
ResponderExcluiras ferramentas disponiveis nos fazem crescer, mas não nos deve engessar.è importante nunca perdemos o nosso lado humano, e não humanizar aquilo que é máquina, ou fazer de uma máquina aquilo que é humano. Tem coisas e sentidos que são isubstituiveis
ResponderExcluirPrecisamos tomar cuidado para não caírmos no comodismo e a nos costumar com as coisas muito fáceis e rápidas,condicionados a corrida pela informação a jato e sofrer de indigestão.
ResponderExcluirEquilíbrio e sabedoria em todas as coisas, é uma boa medida.
Não resta dúvida que o Google é um instrumento importantíssimo na conjuntura atual de nossa sociedade. No entanto é preciso cuidado para não cairmos na alienação de nossa condição humana.Vani/Ubatuba
ResponderExcluirAs questões da tecnologia e a busca de informações rápidas e eficazes( no caso do Google) não podem sobrepor aos nossos sentimentos e valores.Não é necessário enxergar a tecnologia como uma panacéia que tudo resolve. Nossas capacidades de reflexão, concentração e crítica devem estar sempre à frente, com o nosso olhar pedagógico...
ResponderExcluirO fenômeno "Google", sinônimo de resolução. É só procurar no Google que você acha!! É verdade, acha muitas coisa,mas o sentido, a interpretação, a reflexão, a sensibilidade no trato com as informações, você não encontra. Pois este refinamento só é possível com uma análise humana. Pense nisso, você pode comprar gato por lebre!!!
ResponderExcluirTelma Cristina
Com avanço da tecnologia, milhares de pessoas têm acesso ao meio de comunicação de forma muito rápida buscando muitas informações ao mesmo tempo , não refletindo sobre elas.
ResponderExcluirNunca refleti sobre isso, pois com tantas informações disponibizadas na rede, como faríamos sem os sites de busca? Fazendo uma analogia tosca, não perderíamos tempo demais se tivéssemos que analisar um prontuário de aluno sem o auxílio de uma ficha remissiva ou sistema semelhante? Ou seja, gastaríamos tempo demais procurando e de menos fazendo o essencial que é analisar a informação.
ResponderExcluirQuanto o interesse comercial desse tipo de site, embora questionável, está adequado ao sistema capitalista no qual vivemos.
A questão perpassa, mais uma vez, pela função da escola. "Como utilizar os avanços tecnológicos de forma a acrescentar e não acomodar. Não tem como negar, é mais uma tarefa para os educadores!
ResponderExcluirMárcia Coelho-Ubatuba