A Geração "i"

Entre os inúmeros objetos do desejo plantados no inconsciente coletivo pela publicidade ao longo dos últimos anos, alguns produtos da Apple, idealizados por Steve Jobs, ganharam vulto e destaque no mundo todo. Inicialmente foi o iPod. Pouco tempo depois, o iPhone.
O primeiro aparelho permitiu que a idéia da música em formato digital, baixada da Internet, se tornasse rentável, com a venda de canções, por um dólar, através do site iTunes. Desta forma, certamente, consolidou o mundo da música transportável, que levamos de um lado para o outro, num equipamento com mais memória e maior facilidade de uso que os concorrentes "made in China".
O telefone celular da Apple, por sua vez, fortaleceu o conceito de convergência de mídias permitindo que num só aparelho, portátil, que cabe no bolso de uma camisa, com design inovador, possamos nos conectar ao mundo de várias formas, inclusive falando ao telefone...
Creiam-me, foram grandes idéias de Jobs e equipe. A Apple se provou vanguarda. Mas não é disto que pretendo falar nestas linhas...
O surgimento destes equipamentos e de outros tipos de produtos e serviços pelo mundo afora que levam o "i" minúsculo a sua frente, consolidou muito mais do que design elegante, convergência de mídias, conectividade, conforto ou afins... O uso do "i" apenas reiterou a idéia de que o mundo em que vivemos é cada vez mais "I" ao invés de "We", ou seja, vivemos uma realidade sempre mais individualista, egoísta, competitiva do que coletivista, solidária, cooperativa...
E, se não bastasse isto, há também o fator "consumismo"... Ter, comprar, adquirir, possuir e exibir aos olhos alheios o que é meu virou exercício constante, corriqueiro. Não mais somos... Temos. Quando a humanidade se organizou em suas primeiras vilas e aldeias, assim o fez por conta dos benefícios notáveis do trabalho em grupo e, nesse interim, dividia funções e o resultado do trabalho coletivo. Não estou aqui advogando em favor de algum sistema sócio-político ou partidário, apenas constatando que vivemos hoje dentro daquilo que poderia ser caracterizado como Geração "i" (leia-se como no inglês "ai", para dar o sentido do "eu").
As pessoas gostam mais (ou apenas? ou somente?) de si mesmas. Há pouco espaço para amar ao próximo. A não ser que ele seja tão próximo (da família, por exemplo), que não exista alternativa a não ser "amá-lo" também, ainda que um pouquinho... Exemplos? Reportagens várias, de diferentes fontes, dão conta da mudança dos hábitos que nos levam a considerar como real a existência da Geração "i".
Já não há tempo e espaço para cuidar dos mais velhos da família. Aumentou consideravelmente a quantidade de pessoas que vivem sozinhas. Diminuem, ano a ano, os casamentos formais e, em contrapartida, aumentam os informais. A razão para isto? É mais fácil para se separar depois... As famílias que se formam querem ter um filho ou nenhum... O mercado, de olho nisto tudo, lança cada vez mais produtos para pessoas que vivem sozinhas, de automoveis a alimentos, de apartamentos a viagens turísticas...
Aonde iremos parar?
Por João Luís de Almeida Machado

Comentários

  1. Enquanto percebemos, de fato, o crescimento do individualismo ao nosso entorno, cresce também a olhos vistos, iniciativas baseadas na cooperação e na colaboração. Coletivos permacultores, proutistas, antroposóficos, sistemas de cohousing, car pooling e tantas outras iniciativas.

    Depende para onde nossos olhos estão virados.

    Lá na Coolmeia aprendemos a ser "we", aprendemos a ser juntos, que o todo é maior do que a soma de suas partes, e compartilhamos exemplos deste mundo cooperado e solidário. Abração.

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  2. "Aonde iremos parar?" Me faço a mesma pergunta constantemente em meu momentos de reflexao, as vezes tenho até medo. Poderiamos acrescentar um "my" nessa geraçao. Um "my" que representa posse; essa busca incansavel pela posse material que assola nosso planeta. Infelizmente, o comportamento da sociedade atual é resultado desse "cessar da reflexao", em que ela vem sendo substituida por superficialidades. Como é possivel, um ser com tamanha capaciadade de pensar, provido de ciencia, ser conduzido assim facilmente? A conclusao que cheguei foi: a mente humana é fértil por natureza, porém comoda. Escolhemos o caminho mais facil e deixamos que outros façam o que deveria ser trabalho nosso. Deixamos que plantem, cultivem... ficamos apenas com o resultado, sem questionar. E assim segue a colheita, geraçao apos geraçao. Espero ainda poder ver o dia em que plataremos nossas proprias sementes, para assim podermos cultiva-las a nosso modo.

    Obs: Espero ter passado minha ideia(ja que nao tenho habilidade pra expressa-las atravez de textos :()
    Obs2: Desculpe os erros na acentuaçao(comprei o computador na europa e o teclado nao possui alguns acentos da nossa lingua)
    Obs3: Sou habitante deste planeta ha 18 anos e com muito orgulho, sempre plantei minhas proprias sementes
    Obs4: Professor, achei seu blog por acaso e ja pode me considerar uma seguidora de suas ideias e pensamentos. Parabéns pelo blog

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  3. Eu, enquanto mãe, me preocupo muito com o avanço da tecnologia. Como ensinar os meus filhos a usarem essas tecnologias a favor do estudo, do conhecimento e até mesmo da diversão? Fico muito preocupada mesmo, pois o importante não é TER os produtos e sim saber usá-los e empregá-los com intuito de aprimorar os conhecimentos, dividir opiniões, acrescentar desenvolvimento e comunicação. Como professora também me preocupo com os alunos e o que eles pensam a respeito. É um trabalho de formiguinha, mas não deve ser esquecido. Faz parte de nossa função cultivar o bom uso das tecnologias.

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  4. A geração "i" que deveria a da independência corre o risco de a da inconsistência, tamanha a voracidade das informações que acumula e muitas vezes,não sabe selecionar.
    Em contrapartida, nós (eu) da geração "ó" de espanto frente à diversidade da tecnologia, ficamos imersos neste ar de informações, tentando selecioná-las de um padrão que não tem mais sentido. Ficamos frustrados e fascinados. Hoje sou da geração "f".

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  5. Professor João Luiz,

    Tem um prêmio no meu blog pra você,
    em reconhecimento do seu trabalho.

    Abraço,

    Marise.

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