Envelhecer com dignidade

Ser jovem para sempre é um sonho impossível. Por mais que a medicina tenha evoluído e nos permita alimentar esta ilusão através de cirurgias, drogas ou cosméticos, nossos corpos envelhecem e pedem que cuidemos deles e, ao mesmo tempo, os respeitemos. Não podemos mais, por exemplo, exigir que tenhamos a mesma velocidade que tínhamos aos 20 anos quando jogamos bola, corremos ou nadamos aos 40 ou aos 60. Igualmente não é possível que queiramos ter a mesma aparência que tínhamos aos 25 ou 30 ao atingirmos os 50 ou 70 anos.

Porque trago a tona este tema? Talvez seja porque cruzei a barreira dos "enta", ou seja, pelo fato de ter mais de 40 anos de idade (faço 42 no próximo dia 28 de agosto). Nunca tive receio de dizer minha idade e nem tampouco vergonha ou embaraço quanto ao que o tempo (inclemente) realiza com minha aparência. Já não tenho a cabeleira vistosa de outrora. Algumas marcas aparecem em meu rosto. Fios brancos se misturam ao castanho que me é característico. Apesar de tudo isto e tantas outras coisas naturais que ocorrem comigo, continuo me amando profundamente e procuro curtir cada nova fase da vida do melhor jeito possível.

Lembro-me de ter visto, há algum tempo atrás, uma materia sobre Hollywood, descrevendo a dificuldade de produtores e diretores de filmes para conseguir estrelas de cinema que aparentassem 50 ou 60 anos. Tantas eram as plásticas, o botox, os cremes, os cosméticos e as drogas utilizadas pelas atrizes nesta faixa etária que elas não aparentavam ter tal idade... Sempre pareciam ter menos. A ciência e a medicina criaram a ilusão de que continuavam jovens ao terem suas peles esticadas e submeterem a sessões intermináveis de tratamentos estéticos... E a felicidade? Será que veio junto?

Para mim elas apenas estavam se iludindo, fugindo da realidade e mascarando o que é inevitável. Isto quer dizer que sou contra tais atitudes? Não, de forma alguma. Penso apenas que, na maioria dos casos, buscam de forma incessante não apenas a beleza física de outros tempos (e assim desprezam outra forma de beleza, mais madura e serena, associada ao passar dos anos) e se esquecem de viver o que tem agora, neste momento... É certo que vivem da imagem e que, certamente isto lhes garantiria melhores papéis e oportunidades... Será? Ou será que não está na vez de outras jovens atrizes experimentar o sucesso e oportunidades vivendo personagens de 20 ou 30 anos...

De qualquer forma, penso que precisamos rever alguns movimentos que caracterizam a sociedade atual quanto ao envelhecimento. É hora de pensar e vivenciar com diginidade o passar do tempo. Cuidar-se sim, com dietas adequadas, exercícios, viagens, vida em família, estudos e, mesmo, trabalho (para utilizar toda a experiência que possuem, mas certamente de forma mais branda, amena e muito menos corrida para quem assim desejar). Tratamentos de beleza, estética e cirurgias plásticas também são permitidas, desde que não se tornem obsessão na busca pela eterna juventude, afinal de contas, "Benjamin Button" é apenas um filme, ou seja, rejuvenescer é só nas telas dos cinemas...

Por João Luís de Almeida Machado

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