"A reforma educacional acontecerá primeiro na América Latina", diz Edgar Morin
"... o pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional acompanhe uma reforma moral, baseada na solidariedade planetária e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. Ou seja, no lugar de separar o conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a uma conexão entre esses vários modos de pensar. Há, hoje, algumas universidades que resistem ao processo de uniformização do conhecimento, e uma delas fica no Peru, o que me leva a crer que uma reforma educacional acontecerá primeiro na América Latina e só depois na Europa. No Brasil, por exemplo, vejo algumas iniciativas na escola secundária que poderão frutificar, assim como nos centros de formação do professor." (Edgar Morin - filósofo, sociólogo, historiador e economista - em entrevista ao Estado de São Paulo, Caderno Mais, 02/08/09)
- Há vários pontos a se destacar na fala de Morin, a começar pela própria constatação da necessidade da mudança, mas não de reformas que estabeleçam e ratifiquem uma uniformização do pensamento e das formas de agir. Certamente a globalização e o neoliberalismo muito contribuem para que isto aconteça, ao estipular modelos e padrões a serem observados não apenas na educação, mas em praticamente todas as áreas de atuação humana. Resistir e persistir na busca pela autonomia e pela autenticidade não significa apenas mostrar-se diferente, mas principalmente acreditar que a diversidade é o maior fator de enriquecimento que possuímos.
- Não basta apenas a reforma educacional, é preciso, de acordo com Morin, a reforma moral e o estabelecimento de relações baseadas na solidariedade planetária. O movimento que vivemos hoje no planeta é totalmente voltado para o sucesso pessoal, o enriquecimento individual, a exaltação do eu e não do nós... Progredir por conta de seu esforço e trabalho não é demeritório, mas é preciso abrir os olhos e agir também em torno do coletivo, e não mais apenas daquilo que é próximo, mas do que é mundial, do que está do outro lado do mundo, das injustiças que abatem pessoas e seres vivos aqui e alhures...
- Separar os conhecimentos em compartimentos já era... Aproximar os saberes e criar caminhos e conexões que permitam a interação e o diálogo entre diferentes áreas e seus respectivos representantes é, certamente, o melhor trajeto para todos que lidam com educação e todas as demais profissões.
- Acredito que possamos realmente desencadear a diferença e promover autênticas e necessárias mudanças na educação a partir da América Latina (e neste sentido o Brasil pode ter papel proeminente), mas precisamos acreditar mais naquilo que fazemos e valorizar nossas realizações, além, é claro de lutar contra as mazelas do dia a dia que percebemos em nossas escolas, da falta de material para o trabalho até o desinteresse e a desmotivação de quem educa...
Por João Luís de Almeida Machado


Boa tarde, prof. João Luis!
ResponderExcluirÉ muito gratificante ler a matéria acima.
Entender assim, porque realmente a América Latina e, principalmente o Brasil, oferecem as condições preeminentes de uma reforma educacional.
Traz consigo um histórico dos descasos e problemas até hoje não resolvidos no sistema educacional brasileiro.
Entendo que o filósofo Morin, vem justamente com esta instigante revelação animar os atores da educação e, aí estamos todos nós que acreditamos no que fazemos, essencialmente, nas possibilidades de melhorar a educação no país.
Com certeza, muita gente boa espalhada por esse país, afora vem atuando com brilhantismo.
É agora e sempre! Nossa atuação por uma educação autônoma,verdadeiramente consciente e comprometida com a transformação da sociedade...
Só um rascunho inicial: Escola Livre: uma proposta de Coexistência Pacifica com a Educação Tradicional - http://www.coolmeia.org/wiki/index.php/Escola_Livre:_uma_proposta_de_Coexist%C3%AAncia_Pac%C3%ADfica_com_a_Educa%C3%A7%C3%A3o_Tradicional
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