Barack Obama, Nobel da Paz...

O presidente americano Barack Obama foi escolhido para ganhar uma das maiores e mais importantes láureas mundiais, o prêmio Nobel da Paz. Desde que ganhou as prévias democratas, superando a forte candidata Hillary Clinton, a quem levou para sua equipe de governo, em atitude louvável e demonstrativa de seu caráter e valores, Obama tem surpreendido ao planeta em vários aspectos. Certamente a eleição deste afro-americano, que viveu em diferentes partes do planeta, com raízes tanto nos Estados Unidos quanto no continente negro, já foi uma surpresa para muitas pessoas e ajudou a melhorar, desde aquele momento, a deteriorada imagem da mais rica nação do mundo depois de dois mandatos consecutivos do republicano George W. Bush.
Mas Obama sabe que o desafio que tem pela frente, assim como as cobranças de seu próprio povo, assolado pelas pesadas conseqüências da crise econômica mundial ali surgida (com a especulação imobiliária e o ímpeto consumista que gerou enormes déficits e a falência de bancos e empresas), exigiriam dele uma postura diferente não apenas por ser democrata ou por ter se tornado o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.
Por isso mesmo criou possibilidades de intercâmbio cultural e comercial, abriu as portas da Casa Branca a vários países (entre os quais os emergentes, com destaque para o Brasil), está empenhado em fazer com que seu país deixe de atuar como "polícia" do mundo e saia de áreas onde estão instalados seus soldados (como o Oriente Médio, por exemplo), está moralizando o tratamento aos presos em Guantánamo (base militar americana em Cuba, onde estão vários presos políticos, inclusive mulçumanos relacionados aos ataques de 11/09/2001), pretende reformular o sistema de saúde americano, injetou dinheiro na economia para recuperar empregos e poder aquisito...
É certo que os desafios ainda estão no começo e que, queiramos ou não admitir, as tropas americanas ainda encontram-se espalhadas pelos quatro cantos do mundo, mas apenas a disposição de mudança demonstrada por Obama, vontade esta que tem sido acompanhada de medidas e ações que em alguns anos podem e, esperamos, devem reverter diversas situações delicadas da política mundial - como as questões relativas ao Oriente Médio - e mesmo do cenário político, social e econômico de seu próprio país - já lhe garantem destaque na história deste recém inaugurado século XXI.
Se o prêmio Nobel da Paz foi merecido ou não cabe a cada um julgar e avaliar os méritos e as ações do presidente dos Estados Unidos, mas que certamente tudo mudou desde que ele chegou lá, isto é certo...
Por João Luís de Almeida Machado


Acho que foi cedo. Muitas promessas e muita potência, mas poucas realizações. É a primeira vez que vejo um Nobel da Paz ir para alguém que promete fazer e não para quem já fez.
ResponderExcluirNobel infame
ResponderExcluirO Nobel da Paz para Barack Obama é uma brincadeira de mau gosto. Nada muito destoante dos condecorados anteriores, com a diferença de que o estadunidense nem precisou fingir que trabalhava para “fortalecer a diplomacia internacional e cooperação entre os povos” – primeiro porque não teve tempo e segundo porque não quis.
Ele é responsável pela sobrevivência de um campo de concentração e duas guerras injustificáveis, espalhou bases militares na América Latina e silencia perante um golpe de Estado a poucas horas de Miami.
Mas o comitê sueco quis enfraquecer o reacionarismo obtuso dos adversários do presidente. Aproveitou o grande marco histórico de sua vitória para lhe estender um salvo-conduto ainda mais duradouro e temerário que o já concedido pela provinciana imprensa mundial.
Dylan-Lá
Bob Dylan, descubro estupefato, concorre quase todo ano ao prêmio de literatura. Sua nova indicação, com apoios importantes, anuncia que a homenagem pode voltar a considerar apenas a importância da obra, não contingências político-biográficas. É só o velho bardo resistir mais alguns anos; o churrasco está marcado.