Albert Einstein e a beleza do sonho coletivo

"O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior." (Albert Einstein)
Conheço inúmeras pessoas realizadoras. Empresários, professores, engenheiros, médicos, advogados... Não há área do conhecimento em que eles não estejam presentes. Sonham e vivem aquilo que lhes ilumina a alma, o espírito... Conseguiram construir carreiras, patrimônio, nomes de respeito em suas cidades e profissões, alguns voaram até mais longe e se tornaram referências para a vida de outras pessoas. Todos os dias alimentam seus sonhos individuais. Dão seu suor, esforçam-se de modo contínuo. Alguns sacrificam sua vida pessoal para chegar lá - abandonam o sonho da família, dos filhos, do amor, dos amigos...
A realização pessoal não tem preço, pensam todos eles... E é justamente esta delicada questão que motivou o mais notável cientista do mundo contemporâneo, o físico Albert Einstein, a cunhar o pensamento apresentado acima: A realização pessoal. Não do ponto de vista da negação, da privação, da condenação. O próprio Einstein viveu seus sonhos. Qualquer um de nós, em sã consciência e dotado de um mínimo de bom senso há de concordar que não é possível viver sem alimentar planos, projetos, idéias e realizar ações que nos conduzam a concretização dos nossos sonhos.
Mas pensar os sonhos apenas do ponto de vista individual, pessoal... Não lhes parece um tanto quanto mesquinho, egoísta?
É certo que nossas respostas quanto a isto nos fazem sempre colocar outras pessoas como co-participantes destas realizações... Os empresários podem alegar que criam empregos, alimentam famílias, geram oportunidades, servem aos seus clientes com produtos ou serviços, entregam "soluções" (termo da moda utilizado por inúmeras empresas para representar sua versatilidade) para variados problemas... Os médicos certamente dirão que suas ações preservam a saúde alheia, salvam vidas... De acordo com os professores a educação que promovem é responsável pela formação das novas gerações e do futuro do país... Engenheiros e arquitetos projetam e constroem a casa dos sonhos...
Mas em suas realizações, como disse no começo do parágrafo anterior, vislumbram os demais como co-participantes e não levam, na esmagadora maioria da vezes, o sonho alheio em consideração...
Por isso Einstein se refere a necessidade de nos livrarmos da prisão em que nos encarceramos quando pensamos apenas em nossa própria realização... É, por certo, tarefa complicadíssima que não conseguiremos empreender na íntegra, talvez em pequenas doses ao longo de nossas existências, mas apenas o fato de compreendermos esta necessidade e nos empenharmos para que a mesma aconteça, ainda que parcialmente, já é realização notável. Mobilizar-se em prol da beleza do sonho coletivo é como o gol de placa em que todos os jogadores em campo contribuíram, do goleiro ao ponta-esquerda, com um passe genial até a consecução da bola na rede... Foi o centroavante quem fez o gol, mas a placa no estádio tem que conter o nome de todos...
Neste sentido vale lembrar a célebre reflexão "Perguntas de um trabalhador que lê", de Berthold Brecht, que encerra a revolta, o choro, a lamúria e a dor daqueles que fizeram a história e não são nunca lembrados ou ainda, de um modo mais alegre e caloroso, o maravilhoso filme "A felicidade não se compra", de Frank Capra, em que o personagem de James Stewart acalenta seus sonhos e realiza o de inúmeras pessoas ao seu redor porque consegue ir além daquilo que é individual, pessoal...
Por João Luís de Almeida Machado


Comentários
Postar um comentário