Blecaute: Próximos Capítulos...

O Brasil viveu na noite de ontem (10/11/09) e madrugada de hoje (11/11/09) um blecaute por conta de problemas a partir da estação hidrelétrica de Itaipu. Este incidente atingiu 8 estados e deixou às escuras centenas de cidades, em especial no Sudeste do país, tendo atingido as duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro. Mais do que o fato, vale considerar algumas questões:

- O blecaute é resultado de falhas do sistema e atingiu não apenas 20% do país, mas também 87% do Paraguai, parceiro do Brasil na geração de energia a partir de Itaipu. É importante, no entanto, lembrar que o crescimento do país, com a criação de novos postos de emprego, empresas instaladas e consumo interno podem igualmente estar ocasionando um aumento na demanda por energia.

- O aumento da demanda, ocasionado a partir do setor produtivo e doméstico, se dá com a colocação em funcionamento de mais equipamentos (máquinas, computadores e sistemas operacionais nas empresas; eletrodomésticos e eletrônicos em geral em domicílios).

- Não houve a necessária expansão da capacidade elétrica do país para acomodar o crescimento da demanda. A infra-estrutura nacional não contou com os necessários investimentos para cobrir as necessidades da população e das empresas aqui instaladas e em expansão ou ainda das que vieram a se instalar, consequentemente, é possível pensar que novas situações como o apagão de ontem possam ocorrer novamente.

- O apagão vivido na rede de energia elétrica é apenas uma das possibilidades no horizonte do país, há ainda outros blecautes possíveis, a saber:
  • O trânsito das grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, pode entrar em colapso também. Somente na capital paulista a frota estimada é de mais de 6,5 milhões de automóveis. É preciso pensar e aplicar políticas públicas que estimulem cada vez mais o uso de transporte coletivo, melhorando sua qualidade e aumentando a disponibilidade de veículos (trens, metrô, ônibus...) e, também colocar em aplicação medidas pouco populares como a cobrança de pedágio urbano nos centros expandidos e a ampliação dos dias de rodízio... Infelizmente!
  • O crescimento dos negócios e da capacidade de consumo igualmente demanda investimentos e expansão das possibilidades do setor aéreo nacional e das malhas viárias, as grandes rodovias que cortam o país. No primeiro caso, há ainda falhas no sistema, apesar dos esforços visíveis da ANAC e da melhoria que permitiu o retorno a normalidade aparente nos aeroportos brasileiros. A temporada de férias, com um fluxo ainda maior de passageiros promete grandes dificuldades e muita dor de cabeça para um grande contigente de viajantes aéreos. Quem utiliza estradas tem visto a proliferação dos pedágios em algumas rodovias, em especial no estado de São Paulo, a melhoria das vias operadas por estas concessionárias, mas ainda gostaria de ver, em muitas estradas secundárias, a ampliação das pistas e dos serviços e dispositivos de segurança...
  • O país, em ascensão no cenário internacional, tem recebido investimentos e recebeu o reconhecimento externo quanto ao grau de segurança para que este dinheiro chegue e seja utilizado por aqui. Oportunidades de trabalho especializado estão surgindo na esteira da entrada deste capital e das empresas que estão vindo ou ampliando seus serviços no Brasil. O mais grave blecaute pelo qual podemos e, se continuarmos no ritmo que estamos, iremos passar, é a falta de mão de obra qualificada para atender a demanda das empresas e da expansão econômica prevista para o Brasil... Nossa mão de obra apresenta deficiências não apenas quanto a quantidade de pessoas disponíveis no mercado para atender as necessidades crescentes, mas também entre aqueles que estão disponíveis, é perceptível ainda restrições quanto aos saberes e possibilidades técnicas, ou seja, é imprescindível melhorar a formação tanto nas escolas técnicas quanto nas universidades e faculdades brasileiras... O país terá que, por exemplo, ampliar enormemente a quantidade de pessoas que atendem em áreas vitais como o Turismo, a indústria petroquímica, o setor automotivo, a área de tecnologia, os serviços, o comércio... E nem mesmo o inglês, língua básica para esta ampliação, é moeda corrente para oferecermos...
Por João Luís de Almeida Machado

Comentários

  1. Basicamente é a falta de aplicação de recursos em infraestrutura básica.
    Enquanto discutem pré-sal, algo que sabe-se lá quando dará frutos, deixa-se a educação (pilar do desenvolvimento) e a ampliação de matrizes (energéticas,de transporte, etc) de lado.

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