A escola é um lugar sagrado!


  • "A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". (Paulo Freire)

Escutei no último final de semana de um amigo a frase que dá título a esta reflexão. Achei belíssima. Encerra em poucas palavras aquilo em que acredito e que, certamente, deveria ser como verdadeiro mantra para todas as pessoas, especialmente para os educadores. Certamente vale registrar que este amigo e sua esposa disseram tal frase dentro de um contexto muito específico, mas que tal afirmação foi feita no sentido de reiterar que para eles a educação tem um enorme potencial e poder no que tange a vida de seus filhos e, ampliando o conceito, chegamos aos dizeres de mestre Paulo Freire, que abrem este texto, e que ressaltam o quão indispensável é a educação para toda a sociedade.

Dizem que no Japão, de cultura milenar, tradições arraigadas e, ainda assim, moderníssimo e vanguarda no mundo contemporâneo, ainda que tenha passado por uma verdadeira hecatombe em virtude da 2ª Guerra Mundial, o imperador somente abaixa sua cabeça em sinal de respeito e veneração aos pais e a seus professores. Talvez a partir deste exemplo consigamos perceber os motivos que levam os japoneses a estar tão adiantados e viverem de forma harmônica como poucos povos conseguem. A escola para eles é, certamente, um lugar sagrado!

Na Coréia, Finlândia e Chile, modernos exemplos de como a educação deve ser conduzida no mundo atual, percebeu-se desde os anos 1970 (Coréia) e 1980 (Finlândia e Chile), que o caminho para o desenvolvimento econômico, a melhor qualidade de vida, maior participação política e valorização da cultura passam necessariamente pela sala de aula. Neste sentido não apenas reiteram a idéia de que o espaço educacional é sagrado (pois gera vida, promove bem-estar, estipula as bases para o crescimento...) como, igualmente, fazem valer a máxima de Freire, ou seja, concluem que a educação qualificada pode mudar, se acompanhada de outras ações (políticas, sociais, econômicas e culturais), o mundo em que vivemos!

Não que com estas afirmações estejamos vislumbrando uma escola percebida e vivida como um templo religioso... Não é isto! Professores não são missionários, são profissionais e, como tal, merecem respeito, valorização, consideração social e, por certo, devem sempre dar o máximo de si para atingir o objetivo maior do trabalho educacional, a melhor e mais plena formação para seus alunos (todos eles!). Formação esta que não deve se restringir aos conteúdos - certamente muito importantes - mas a valores, capacidade de relacionar-se com o mundo, ética, cidadania, empreendedorismo, criatividade...

Os quatro pilares educacionais, defendidos mundialmente pela ONU (Organização das Nações Unidas), preconizam que a educação deve permitir aos estudantes, ao final de sua jornada por diferentes níveis, atingir quatro objetivos fundamentais: Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a relacionar-se (viver com os outros) e aprender a ser. A síntese desta concepção simples e enriquecedora de Jacques Delors nos dá, com certeza, o rumo previsto por Paulo Freire ao longo de toda a sua obra e que, singelamente, resumi nesta pensata a partir de uma frase igualmente objetiva e poderosa.

Ao estabelecer que as metas da educação devem ser estas, a ONU torna claro que a escola tem um papel decisivo para a vida de todas as pessoas ao definir para cada uma delas os meios, saberes e recursos pensados ao longo de toda a jornada humana na Terra para que sejam capazes de respeitar o próximo, entender e agir no sentido de produzir e realizar um mundo em que consigam viver de forma digna e, acima de tudo, entender a si próprios e, a partir desta compreensão, empreender todas as demais em seu próprio benefício e de toda a coletividade humana no planeta.

Se isto não é suficiente para perceber como a escola é verdadeiramente um lugar sagrado, não saberei encontrar outras palavras e pensamentos que traduzam tão bem esta máxima, este mantra...

Por João Luís de Almeida Machado

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