Quanto custa a corrupção?

Novos mensalões (ou mensalinhos) estouraram nos últimos dias em Brasília... Desta vez o partido que está com a corda no pescoço é o DEM, ou democratas, como gostam de ser chamados. O governador do Distrito Federal, José Arruda, seu vice, todos os secretários (alguns de legendas aliadas que compunham até ontem e hoje a chamada base de apoio, que obviamente diante da enxurrada de denúncias tiraram o time de campo) e empresários que prestam serviço ao referido distrito, capital do país, estão envolvidos.

E o mais interessante, tudo documentado, com gravações que deixam claro que alguém pagou e que, em contrapartida, houve quem recebesse, inclusive com áudio e legendas no caso das gravações que ficaram muito baixas... "Falta o que para prender os bandidos?", ouvi pela manhã um mais do que indignado Arnaldo Jabor na Rádio CBN, a caminho do trabalho... Não há provas suficientes? O próprio Arruda declarou para a Folha de São Paulo que recebeu dinheiro algumas vezes e, somente uma vez das mãos do denunciante, mas que tudo era apenas "grana" de campanha, do partido...

Tudo é possível e limpo, tamanha a cara de pau destes homens que se utilizam do poder público para explorar, de tudo quanto é jeito, o erário de municípios, estados e até, como podemos lembrar do mensalão anterior (aquele do José Dirceu, Marcos Valério, Genoíno...), do governo federal... Pensam que para sempre suas desculpas e atalhos serão suficientes para acobertar-lhes e livrar-lhes a cara? Claro que não, o povo já está de olho, a imprensa está dando a devida e necessária cobertura, tudo está indo para a TV, jornais, rádios, internet...

Mas, quanto custa a corrupção? Certamente um montante que não temos como calcular, mas que está embutida até mesmo em cada clipe e folha de papel compradas por governos das diferentes instâncias em nosso país (assim como há denúncias e comprovações quanto a corrupção nos demais poderes também, mesmo no caso de Brasília, com procuradores de justiça sendo citados em documentos dos processos como co-participantes, ou seja, tirando algum por fora).

Mas voltemos aos custos... Imaginem que por trás de contratos como aquele da saúde que está sendo divulgado nos jornais, no caso de Brasília, há propinas embutidas de no mínimo 10% (ou mais). Sabem o que isto representa? Que a cada dez casas populares construídas seria possível erguer mais uma... Se o montante de casas sobe para 50, seriam mais 5 unidades habitacionais e 5 famílias beneficiadas, não é mesmo?

E se pensarmos em serviços como a limpeza pública... Se uma prestadora de serviços recebe um milhão por mês, ao final do ano serão 12 milhões... E dez por cento (ou até mais) vai para os bolsos destes larápios... Significa dizer que daria para ter 36 dias a mais de serviços de limpeza pública sendo realizada sem que fosse necessário arcar com este custo...

E olhem que estou trabalhando apenas com os números que apareceram para o contrato de Brasília, da área de saúde, que revelaram propina de aproximadamente 10%... Isto é só, por suposto, a ponta do iceberg... E os efeitos são tão nocivos para a vida da população quanto o aquecimento global que ameaça as geleiras polares... Pode ser 15, 20, 25% ou até mais o montante que vai para o bolso destas quadrilhas... E, por certo, Brasília é apenas um exemplo, aquele que chegou aos jornais... E o seu município ou estado, como está? Olhe para onde está indo seu dinheiro, duramente conquistado, e que é repassado ao governo em impostos (equivalentes a mais de 5 meses de seu trabalho árduo)...

Por João Luís de Almeida Machado

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