Por que viver?
Terminei de ler o livro do Dráuzio Varella, "Por um fio", e entre tantas histórias interessantes e enriquecedoras mantive em minha cabeça algumas considerações do autor... Por exemplo, a de que somente quando estamos próximos da morte é que damos valor para o que realmente é significativo em nossas vidas. Isto ficou claro através de vários casos por ele contados ao longo das páginas desta obra.
E que o levaram a refletir sobre os motivos que não nos permitem valorizar e viver com intensidade o que é mais importante quando estamos saudáveis, na plenitude de nossas vidas, contando com toda a energia e disposição possível... Por que só entendemos que a vida é uma dádiva nos pequenos presentes que nos concede apenas quando ficamos doentes, próximos da morte, da finitude?
Tantas horas gastas em trabalho, realizando os sonhos alheios, concretizando negócios que não são os nossos próprios... Pelo dinheiro, sobrevivência, bem-estar, comodidade, conforto - certamente dirão alguns, mais pragmáticos... E nossos próprios sonhos, onde ficam? De repente não somos mais necessários para nossos empregadores e tudo fica para trás, horas e horas dispendidas, trabalhos bem realizados, lucros auferidos pelas empresas e tudo o mais tornam-se passado, peça de museu e, em muitos casos, nem ao menos são considerados, nem mesmo lembrados se já não somos os realizadores que esperam que sejamos...
E as horas com os filhos? E o tempo do amor, profundo e sincero, doce e sensível? E os amigos, para quem nunca tínhamos disponibilidade? E os livros, os discos, os filmes e aquelas tardes de sonho no campo ou na praia?
Será que voltam? É claro que não! Todo este tempo passou, ficou para trás, é irrecuperável... Mas, ainda há tempo, é possível conciliar os sonhos e a realidade, compor cotidianos e respostas que nos permitam viver de forma mais intensa e, é isto que Dráuzio Varella se esforça nesse seu livro para que possamos ver, perceber, viver no tempo que ainda nos resta...
Por que não repensar a vida e definir prioridades que sejam mais afins com nossos projetos de vida, contemplando trabalho sim, mas permitindo que haja sempre espaço para as pessoas que ama, para as atividades que nos dão prazer (inclusive o próprio trabalho, que deve legar a quem o realiza o sentido da realização), para conhecer e explorar o mundo ao seu redor...
Viver a vida, dia após dia, sem se amarrar ao passado e sem se angustiar com o futuro é outro importante ensinamento com o qual voltei a ter contato através das histórias contadas em "Por um Fio". Quantas vezes tenho visto a mim mesmo deixando de viver o hoje e todas as suas possibilidades por conta daquilo que já aconteceu ou do que ainda é amanhã, consumido pela ansiedade de querer antever o futuro, me antecipar a ele e deste modo garantir alguma segurança para os dias, semanas e anos seguintes...
São idéias, colocadas no papel a partir de histórias vividas por este médico notável, que ao se confrontar com diferentes casos de pacientes em estado terminal, preferiu optar por nos contar o que é possível aprender, como é possível crescer, de que modo podemos viver melhor os anos que temos pela frente até que o inevitável venha a ocorrer... Suas lições são sempre de vida, de esperança, de paz, de harmonia e felicidade ainda que o tema central da obra seja a morte...
Se nos resta um fio, que dele sejamos capazes de fazer brotar a alegria, o encantamento e o amor é o que, no final, me pareceu ser sua grande mensagem!
Por João Luís de Almeida Machado



É preciso valorizar cada momento, cada dia que nos é dado a viver, realmente como se fosse o único - em realidade ele é único.
ResponderExcluirMuito bacana João! Bem-vindo à bordo da caravana dos despertos.
ResponderExcluirAinda somos poucos, cada um chegou aqui por um caminho, mas somente nós sabemos do que se trata essa escolha.
Amei o que você escreveu. Foi exatamente o que fiz em 2009. Cansei de acumular de 9 a 15 horas em sala de aula e busquei qualidade nas que sobraram e na minha vida particular.
ResponderExcluirEstou muito mais feliz, e as filhas e o marido também.