Chove chuva, chove sem parar: São Paulo debaixo d'água desde o início de 2010
Foto de Jardim Pantanal, bairro da Zona Leste de São Paulo,
inundado pelas chuvas de janeiro e fevereiro de 2010.
É, as chuvas de março cantadas por Tom Jobim de uns anos para cá acontecem desde novembro, as vezes com maior ênfase em dezembro, outras em janeiro ou mesmo em fevereiro. Entre os meses de janeiro e fevereiro em São Paulo, por exemplo, o aguaceiro tem sido tanto que, segundo os especialistas, já choveu o que se esperava para 6 meses... Isso mesmo, em quarenta dias (incluindo-se nessa conta o final de dezembro), já choveu no estado de São Paulo e, principalmente na capital paulista e cidades vizinhas, o equivalente a meio ano!
Tem alguns bairros e regiões da grande São Paulo [incluindo-se aí alguns municípios vizinhos] que estão, literalmente, debaixo d'água há alguns dias ou mesmo semanas, como é o caso do Jardim Pantanal, na Zona Leste. Os moradores têm água até o tornozelo desde o início de 2010 dentro de suas próprias casas... E o que as autoridades estão fazendo quanto a isso? Pois é, a piada corrente é que a gente nunkassab [Nunca sabe mesmo e deveríamos estar sendo sempre informados, não é senhor prefeito, vereadores, governador e todas as demais autoridades responsáveis... ou seria melhor dizer, neste contexto, irresponsáveis?].
Temos, é claro, que ter consciência que o que está acontecendo não é culpa dos atuais governantes somente, mas de toda uma série de erros administrativos e políticos que vem sendo cometidos há décadas na capital dos paulistas quanto a infra-estrutura urbana. A cidade é hoje, mais do que nunca, vítima de seu gigantismo, de seu crescimento não planejado.
O progresso não é proibido e, espera-se que aconteça para que novas oportunidades de trabalho e prosperidade surjam para a população em crescimento. Mas tal progresso tem que ser sustentável! As áreas verdes da capital paulista se tornaram pouco significativas para o montante de concreto, asfalto, canaletas, guias e demais itens das construções que agigantaram São Paulo.
As águas, mesmo com os sistemas de vazão que foram criados, inclusive contando-se com os piscinões e a ampliação das margens do Rio Tietê e do Pinheiros, nas marginais cada vez mais congestionadas, já surgiram insuficientes para conter perspectivas climáticas como as que temos hoje em dia. Tudo piorando ainda mais se pensarmos na questão do aquecimento global, a destruição da camada de ozônio, o aumento na emissão de poluentes, o lixo em quantidades cada vez maiores...
Não é mais questão que possa ser resolvida com algumas poucas obras os problemas com as chuvas vividos pelos paulistanos e cidadãos das cidades vizinhas que formam a Grande São Paulo. Os investimentos têm que ser maiores no sentido de revitalização do meio-ambiente ao mesmo tempo em que estas obras de escoamento são ampliadas. Outro ponto vital é melhorar a situação do transporte público, criar alternativas para que menos carros circulem e poluam as cidades, compor campanhas que incentivem o uso de metrô, trens e ônibus e ainda, por mais que isso seja impopular, cobrar pedágios e impostos maiores para quem anda sozinho de carro e aumenta os congestionamentos e a poluição...
Ainda assim, ressalto, o principal é voltar a construir praças, jardins, áreas verdes e, com espaços assim, permitir melhor escoamento e vazão natural das águas que tanto castigam São Paulo e arredores todos os anos, cada vez com maior intensidade, grandes prejuízos e piores estragos...
Obs. A situação é ainda calamitosa pelas consequências que pode ter para a saúde pública, com a proliferação de doenças decorrentes do contato tão constante da população com a água acumulada das chuvas que se mistura com os esgotos, lixo...
Por João Luís de Almeida Machado



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