Falta de cautela, pressa e arrogância: Caminho rápido para se fazer bobagens...
- "Errando, aprendi que falta de cautela e pressa, temperadas com pitadas de arrogância, são o caminho mais rápido para se escrever bobagens." [Gilberto Dimenstein, no livro As Armadilhas do Poder - Bastidores da Imprensa]
O que se aplica ao jornalismo serve muito bem para todas as demais instâncias da vida. A afirmação do jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha de São Paulo, autor de vários livros de destaque, pode e deve ser pensada além da área de atuação específica profissional onde ele atua e milita há anos com desenvoltura e qualidade. Diga-se de passagem que boa parte de seu sucesso se deve justamente ao fato de que levou em consideração esta e outras lições apresentadas em seus artigos e publicações!
No que se refere a vida, "cautela e canja de galinha", conforme o dito popular e revendo as palavras essenciais ditas por Dimenstein, merecem nossa atenção. Somos hoje instados todo o tempo a agir. Nossas ações parecem não carecer de tempo para pensar, refletir, analisar as situações, fatos e pormenores que envolvem nossos atos. Esses impulsos tem, conforme o pensador americano Nicholas Carr nos diz em seus estudos, um claro "link" com o mundo rápido que nos circunda e envolve, onde a tecnologia atingiu a condição de onipresente.
Não é possível ser cauteloso se somos e agimos de forma rápida. Qualquer precaução ou cuidado que eventualmente precisemos ter em relação as decisões e ao andamento de nossas vidas vai, literalmente, para o espaço (ou seria melhor dizer para o ciberespaço?) se a velocidade é a tônica.
A pressa é (realmente) grande inimiga da perfeição. Podem dizer alguns que a perfeição é inatingível, mas a qualidade está logo ali e deve ser o que queremos atingir em nossas vidas... Vejo hoje que há muitos alunos com os quais trabalho cuja preocupação é apenas resolver, o mais agilmente possível, as questões que estamos trazendo, propondo e levando-os a considerar. Como estou dando aulas de filosofia e sociologia, disciplinas que ensejam todo o tempo a necessidade da reflexão... Estou no meio do redemoinho, ou seja, nadando contra a maré ao pedir-lhes que se dêem o tempo para pensar com qualidade o mundo ao seu redor...
Agora, se falta de cautela e excesso de pressa prejudicam, certamente as tais "pitadas de arrogância" são insuportáveis, não é mesmo? Arrogância é, com certeza, uma das mais desprezíveis características de um ser humano, ao menos do meu ponto de vista. Pessoas que se sentem superiores aos demais por conquistas realizadas ao longo da vida, seja quais forem (dinheiro, status, conforto, destaque profissional...) perdem qualquer brilho por se pensarem especiais ou diferenciadas, membros de uma estratosfera, clube seletivo ao extremo ou mesmo, em alguns casos, do Monte Olimpo...
Sem comentários... Apoiar-se em suas conquistas para desprezar ou tratar os demais com desdém é o cúmulo da antipatia. Orgulhar-se de suas conquistas, demonstrar altivez, falar com propriedade e com isso projetar-se pessoal ou profissionalmente, mas sem em momento algum deixar a soberba lhe fazer pensar que é melhor que os outros é o caminho a seguir e não ser arrogante...
Na vida temos sempre melhores opções. Procure-as. No caso daquilo que acabamos de falar, dê-se a oportunidade de ser mais humilde, solicito e gentil com as pessoas. Permita-se o tempo necessário para refletir sobre suas questões, seus problemas, sua vida. Aja com cautela para não "queimar os dedos", "levar choques desnecessários" ou "cair da embarcação"...
Por João Luís de Almeida Machado

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