Marcos e Robinho: Lições dos gramados
Começo este texto esclarecendo, de antemão, que não sou palmeirense e nem, tampouco, santista. Trago através destas linhas impressões obtidas a partir de recentes depoimentos dados por Marcos, goleiro do Palmeiras, pentacampeão mundial de futebol com a Seleção Brasileira em 2002, e por Robinho, atualmente no Santos, clube que o lançou e que, certamente consta da lista de nomes que Dunga, treinador da atual Seleção, pretende levar para a Copa na África do Sul.
O tema, a princípio, pode parecer futebol, como tudo indica, tendo as falas de Marcos e Robinho como referências principais, mas a idéia é ir um pouco além...
Para tanto, apresento a seguir o que disseram esses craques do mais popular esporte no Brasil:
"As vezes o pessoal espera aquele Marcos de 99, com 26 anos, que é bem diferente do Marcos de 37 anos. A bola tem chegado muito ao gol e não tenho condições de pegar tanto quanto pegava. Perdi um pouco da agilidade que tinha, da velocidade, da arrancada. E os erros vão acontecer mais do que aconteciam." (Marcos)
"No futebol, em frações de segundos tudo muda. Você está a um palmo do céu e do inferno." (Robinho)
Resolvi abordar o que ambos falaram, dentro de contextos particulares bastante específicos, com Marcos vivendo momento difícil e o Palmeiras sendo bastante pressionado, o que levou o goleiro a adiantar que pretende encerrar a carreira no final do ano e, por outro lado, com Robinho retornando ao futebol brasileiro, depois de momento decepcionante de sua carreira na Inglaterra, tendo sucesso no novo Santos, sensação atual do futebol paulista e brasileiro.
Marcos traz a tona a mudança a que todos estamos sujeitos com o passar dos anos. A maturidade chega, o corpo muda, não temos a mesma velocidade, os reflexos também já não são os mesmos de antes, quando tínhamos 20 e poucos anos... Para um atleta de alto nível, é sinal de que está chegando a hora de parar... Mas sua experiência, seu conhecimento, caráter (reconhecido por colegas que jogam no mesmo time e nos adversários), talento e história não podem ser esquecidos.
Com tudo o que tem de conhecimento na área, Marcos certamente pode se tornar um profissional que atua nos bastidores do esporte, trazendo para os mais novos tudo o que pode aprender em sua carreira, aonde escolher atuar, seja como treinador, preparador de goleiros, gerente de futebol ou mesmo comentarista esportivo. Mudamos fisicamente, com algumas perdas evidentes, mas ganhamos com a experiência, a maturidade e nos tornamos hábeis e competentes para tantas outras funções. Sinto que isso também aconteceu comigo e, olhem, sou de outra área, a educação, que valoriza (ou ao menos costumava valorizar) a experiência e a maturidade...
Robinho por sua vez, ainda jovem e em idade de explodir no mundial, sentiu a mudança, as cobranças e, segundo a imprensa, andou abusando um pouco do alto poder aquisitivo que conquistou, o que pode ter lhe prejudicado o rendimento na Europa. De volta ao Brasil, no clube que o projetou, se sentido mais em casa, bem acolhido pela torcida santista, parece estar retornando ao jeito moleque de jogar que o projetou, com dribles, assistências e gols.
Suas palavras retratam a experiência de quem há pouco estava vivendo o caos, o inferno astral e a desvalorização ainda bastante jovem. O tempo, em curtíssimo prazo, permitiu-lhe levantar-se, dar a volta por cima, recuperar-se profissionalmente. O que esperar? Que as lições aprendidas não se percam e que, com elas, ele possa continuar brilhando, conquistando seu espaço, inclusive voltando para a Inglaterra para poder mostrar porque foi contratado a peso de ouro...
Divertir-se, usufruir da riqueza que conquistou e viver confortavelmente não são crimes ou pecados, mas para se manter bem profissionalmente é preciso consciência, treinamento, perseverança e, mesmo, sacrifícios. Que as benesses venham nos momentos mais adequados e que não prejudiquem o senso profissional de Robinho e outros craques, dos atletas mencionados e de todos os profissionais...
Por João Luís de Almeida Machado


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