Viciados em Internet...
Saia, vá conhecer o mundo, há muito para se ver e fazer...
- “Com 14 anos, ganhei meu primeiro computador e fui, pouco a pouco, me tornando dependente dele, sem me dar conta da gravidade disso. Há seis meses, desde que concluí a escola e fiquei ociosa, ainda sem saber qual faculdade seguir, passo em média oito horas por dia navegando — e sempre me parece insuficiente. Na internet me refugio da timidez. Tenho um blog e frequento as redes sociais, onde já conto com 300 amigos e arranjei até namorado. Só me sobrou uma amiga dos tempos pré-internet, e as refeições eu faço apenas em frente à tela. Vivo num mundo tão à parte que, confesso, saio à rua e acho tudo estranho. Sou uma pessoa improdutiva, e o mais assombroso é que tenho total consciência disso. Ainda não procurei tratamento, mas talvez seja o caso.” (Marilia Dalabeneta, 18 anos, depoimento dado a Revista Veja)
Quando uma jovem, no esplendor de seus 18 anos, admite que está se tornando dependente de um recurso, seja ele uma droga ou um computador, cigarros ou a internet, é mais do que certo que há algo a ser feito quanto a isso. O depoimento acima, dado a revista Veja, em matéria publicada na edição 2157 (24/03/10), não é o único. Há outros jovens que percebem estar vivendo mais no mundo virtual que no real e, em todos os casos, demonstram até alguma preocupação, mas não parecem se dar conta que o relógio biológico está correndo e que as experiências do mundo lá fora estão indo embora...
Demonizar os computadores e a web não é, certamente, o caminho a ser seguido. Estas tecnologias compõem recursos úteis, que podem facilitar o trabalho e a aprendizagem, estimular a pesquisa e o conhecimento e, mesmo, aumentar os contatos sociais, ocasionando novas amizades. Mas tudo tem que ser dosado e utilizado sempre em paralelo ao que ocorre fora do mundo virtual, com as pessoas interagindo não apenas através de seus micros, mas em escolas, no trabalho, nas ruas, nos clubes, no comércio...
Os computadores e a web são ferramentas. Meios através dos quais as pessoas podem e devem melhorar em suas atividades pessoais, profissionais e educacionais. Mas não é aceitável que o uso destes recursos seja visto como substituto de tudo aquilo que temos fora deste universo eletrônico aparentemente infindável. Continuamos precisando das pessoas (muito!), da natureza, dos outros recursos criados para facilitar nossa existência (como livros, filmes, roupas, alimentos, remédios, calçados...).
Se seu filho ou alguém conhecido caiu de cabeça na web e não consegue tirar os olhos da telinha, fique atento, procure ajudá-lo, dê orientações e encaminhe para algum tipo de apoio, em casos mais extremos. Mais importante ainda, seja presente e faça com que ele (ou ela) perceba o quanto há de riquezas e possibilidades além da web. Programe atividades simples, prazerosas, corriqueiras e frequentes com esta pessoa. Leve-a para um passeio no parque (brinque no balanço, deite na grama, leia um jornal ou um livro), uma volta numa feira livre (experimente um pastel, converse com os feirantes, faça-o escolher algumas frutas...), um passeio num clube ou numa quadra do bairro para bater uma bolinha ou dar alguns arremessos, vá a biblioteca municipal e folheie alguns volumes, programe um bate papo ao vivo e em cores com amigos comuns...
Não recrimine ou proíba o uso dos computadores, mostre outras opções e deixe claro que estas máquinas são instrumentos de trabalho, também de lazer ou estudo em alguns casos, mas que a vida pra valer está lá fora, onde as pessoas podem e devem se encontrar, se amar, resolver suas diferenças, aprender, crescer, trabalhar...
Por João Luís de Almeida Machado


É a Revolução do Prometeus em andamento.
ResponderExcluirPrometeus - vídeo em que se anuncia uma revolução no modo de vida do homem, o ponto final dessa revolução é a completa virtualização da vida.