Chuvas, aquecimento global e planejamento urbano
São Luís do Paraitinga, interior de São Paulo,
afetada pelas chuvas no início do ano de 2010.
Os dramas e as tragédias vividas em São Paulo, São Luís do Paraitinga e Angra dos Reis (entre outras) no início deste ano se repetem, com intensidade, nestes últimos dias no Rio de Janeiro e cidades vizinhas e interioranas daquele estado. Já foram computadas mais de 100 vítimas fatais. A quantidade de desabrigados está na casa dos milhares. Enconstas de morros novamente foram levadas pela força das chuvas e, com elas, imóveis instalados de forma provisória e imprópria. O comércio praticamente parou. As ruas ficaram desertas. As pessoas que se aventuraram ficaram ilhadas ou presas em seus veículos, correndo risco de vida. Eventos esportivos foram adiados (o Maracanã e o Maracanãzinho, que alojariam partidas de futebol e vôlei, ficaram alagados). As imagens repetidas à exaustão na televisão nos mostraram a Cidade Maravilhosa em estado de alerta.
Autoridades municipais, estaduais e até mesmo federais, como o presidente Lula, deram depoimentos e afirmaram que o caso é isolado e que isso não afetará o Rio de Janeiro em 2014 e 2016, quando a cidade será sede de jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O próprio Comitê Olímpico Internacional emitiu nota em que afirmava ser tal chuva excessiva uma catástrofe passível de ocorrer em qualquer cidade do mundo de forma isolada, não como um fato frequente.
Preocupações a parte com estes eventos internacionais, que podem auxiliar a cidade a melhorar sua infra-estrutura urbana com os investimentos previstos para os próximos anos, o que cabe a nós pensar e propor, neste momento, além é claro de todo o esforço emergencial por parte das autoridades, da defesa civil, dos bombeiros e de qualquer cidadão que perceba a gravidade dos fatos e possa ajudar no resgate a vítimas, é detectar os motivos e pensar a curto e médio prazos o que pode ser feito para evitar novas tragédias.
No que se refere as causas, além daquelas imediatas, facilmente perceptíveis em uma cidade como o Rio de Janeiro, na qual infelizmente existem construções irregulares, nos morros, tanto nas áreas pobres e carentes quanto em zonas de classe média e alta, há também outras, mais profundas e perigosas não somente para a ex-capital da república. Neste sentido, é preciso que atentemos para a questão ambiental e, especificamente, para o aquecimento global. E não se trata aqui de falarmos desta temática de forma alarmista e oportunista, aproveitando a tragédia que se abateu sobre a capital fluminense e cercanias.
O problema é recorrente e universal. No Brasil são as chuvas e as alterações climáticas bruscas que causam estragos tanto pelo excesso quanto pela falta de água ocasionais. No mundo estamos vendo terremotos, furacões e tsunamis que causaram perdas humanas e materiais de vulto recentemente no Haiti, Chile, México, Estados Unidos...
Estes fenômenos climáticos são, como atestam os especialistas, resultantes de ações humanas como a emissão exagerada de resíduos na atmosfera, nas águas do planeta, nos solos e em todos os ecossistemas, tanto os mais próximos quanto os mais distantes e aparentemente ermos, a partir das fábricas, automóveis, residências, áreas comerciais, hospitais, escolas e todos os locais onde vivemos, interagimos e trabalhamos.
Não é, certamente, possível e desejável qualquer retrocesso grandioso, que nos faça voltar a viver como na Idade Média, por exemplo, a partir daquilo que a terra nos provê de forma mais imediata. Ninguém em sã consciência há de advogar em tal direção ou a favor de proposta semelhante. Mas ficar do jeito que está só irá causar mais estragos, perdas, mortes e desesperança.
Há medidas a serem tomadas que estão sendo discutidas desde a Eco 92, realizada nesta mesma cidade do Rio de Janeiro, como a diminuição da emissão de carbono na atmosfera por todos os países ou ainda medidas ambientais de proteção dos leitos d'água (rios, mares e lagos), propostas de reaproveitamento do lixo (tanto o orgânico quanto o inorgânico), projetos de ampliação de ciclovias e de redes de transporte coletivo e solidário... Medidas estas que já deveriam estar sendo aplicadas em larga escala mundialmente mas que, infelizmente, ainda não foram, em muitos casos, tiradas do papel, sendo aplicadas apenas de forma experimental ou isolada por alguns países ou cidades.
Tudo isso (e tantas outras boas idéias e projetos), na certa, poderia diminuir as situações de risco e, até mesmo evitar, senão na totalidade ao menos parcialmente, os ciclos de catástrofes ambientais e climáticas que estamos vivenciando de forma mais frequente a cada ano que passa.
No caso de cidades com contingentes populacionais superiores a um milhão de pessoas e, principalmente as megalópoles como São Paulo ou o Rio de Janeiro, a qual se agregaram com o passar do tempo cidades vizinhas, formando conglomerados urbanos que contam mais de 5 ou 6 milhões de habitantes, outra importante arma contra tais tragédias é o planejamento urbano. Vão certamente dizer que estou chovendo no molhado, ou seja, que estou falando o que autoridades e especialistas que já atuam no comando político do país, dos estados e mesmo destes municípios já sabem e trabalham em cima.
Congestionamento e caos em São Paulo com
as constantes chuvas de janeiro de 2010
Mas meu questionamento é no sentido de entender porque, mesmo já sabendo e teoricamente projetando mudanças e alterações que evitem estes problemas, continuemos a ver tais situações caóticas no Rio e em São Paulo?
Certamente irão dizer que não é possível alterar as vias urbanas, projetar mais áreas verdes, criar mais ciclovias, investir pesadamente em transporte coletivo de qualidade e mexer no zoneamento urbano... Que tudo isso é por demais complicado e que, isso exigirá investimentos que estão muito acima da capacidade de tais prefeituras no atual momento, envolvidas como estão com diversos planos e projetos já em andamento.
Não é difícil entender isso, mas meus questionamentos vão na direção do valor da vida humana, do respeito ao cidadão, da preservação das cidades e bairros e da clara necessidade de agir em relação a isso, não de forma emergencial apenas, quando vidas já foram perdidas e perdas materiais se acumulam... É preciso que a vontade política e pressão da sociedade civil levem as autoridades a ir além daquilo que está sendo feito, caso contrário, infelizmente, e não sou adivinho ou arauto do apocalipse, apenas um analista e professor, teremos mais tragédias pelas quais chorar brevemente...
Por João Luís de Almeida Machado


Lendo sua mensagem vejo como reflexão que neste ano político novamente teremos promessas que ficarão a longo prazo sem realização.Como uma bola de futebol,volei ou basquete,sempre passando para o próximo colega a continuidade ou solução.Se unirmos nossos propósitos respeitando o outro como a nós mesmos conseguiremos evoluirmos do caos em que nosso planeta se encontra.
ResponderExcluirSERÁ QUE NÃO PASSOU DA HORA DE OUVIR A SOCIEDADE SOBRE O TEMA AQUECIMENTO GLOBAL?
ResponderExcluirNosso grupo - Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA (sem fins lucrativos) - iniciou uma pesquisa na Região da Grande Vitória (ES) voltada a obter informações sobre este foco.
Interessados podem contatar roosevelt@ebrnet.com.br