Precisamos de mais contato com a natureza e a com as pessoas...
Veja - Avatar valoriza experiências sensoriais como entrar em uma floresta cheia de flores coloridas ou sentir a terra sob os pés nus. A humanidade esqueceu como apreciar estas sensações?
James Cameron - Sim. As pessoas estão se afastando não apenas da natureza, mas do contato humano. Os jovens têm suas interações sociais on-line, em vez de pessoalmente. As aventuras acontecem em jogos de computador, não mais fora de casa. A interação com a realidade, com outras pessoas está diminuindo. A tecnologia permite isso. (Trecho da entrevista de James Cameron, cineasta norte-americano responsável por filmes como Avatar, Titanic, Aliens e Exterminador do Futuro, a Revista Veja, ed. 2160, 14/04/2010)
Cameron é um cineasta consagrado, responsável por filmes que estão entre as maiores bilheterias de todos os tempos e que, além disso, consegue sucesso não só de público, mas também respeito da crítica. Além de dirigir filmes, este ex-caminhoneiro, também escreveu seus roteiros e é responsável por inovações tecnológicas que estão revitalizando a indústria cinematográfica, definindo seus rumos neste século XXI. Em suma, falamos aqui de um vencedor, de um homem que merece respeito e consideração por suas realizações.
Esteve no Brasil recentemente participando de eventos de defesa do meio-ambiente, trabalhados em Avatar e que, segundo disse, devem ser aprofundados na continuação desta produção, que deve se tornar uma série cinematográfica.
Ao trazer a tona esta questão respondida por James Cameron, quero apenas dar a necessária ênfase e, colocar em pauta novamente esta temática dos excessos que estamos vendo quanto ao uso da tecnologia. Excessos, como sabemos, conduzem a problemas variados. No caso de alimentos, por exemplo, o uso desmedido de chocolates, fast-food (hambúrgueres e afins) ou refrigerantes, para ficarmos em casos notórios, conduz a situações como obesidade, doenças cardíacas, problemas circulatórios...
No caso dos computadores e videogames, mencionados pelo cineasta americano, há registros de tendinites, obesidade, problemas circulatórios, males da visão (vista cansada)... Isso só para mencionar as doenças fisicamente detectáveis... Há ainda dificuldades de ordem social e psíquica, como: violência, problemas de relacionamento, solidão, síndrome do pânico e algumas neuroses e mesmo psicopatias. É claro que tudo isso compõe o limite da relação entre homens e máquinas, podem dizer alguns. Existem aqueles que hão de pensar que sou um ferrenho opositor das tecnologias, um ludista contemporâneo...
Não sou opositor das tecnologias e, mesmo, advogo o uso destes recursos em palestras, aulas e oficinas, tendo experiência com computadores desde 1983... Isso mesmo, estive presente na pré-história da informática como usuário, ainda garoto, adolescente! Esta experiência não me impediu, no entanto, de viver além dos limites das telinhas dos computadores, como observo tão frequente e desmedida, em tantos casos, entre a atual geração de crianças, adolescentes e jovens.
Me lembro de uma situação ainda em 2003 em que alguns alunos me disseram estar interagindo através do ICQ (o comunicador instantâneo de então, antecessor do MSN e do Skype). Eram garotos e garotas de Ensino Médio, ótimos alunos, inteligentes, vivos, vibrantes, dos quais guardo ótimas recordações. É claro que o ICQ tinha sabor de novidade e que, como tal, era uma forma dos mesmos interagirem por mais tempo depois das aulas. Ainda assim lhes perguntei se moravam longe uns dos outros... A resposta? Muito simples e objetiva, eram praticamente vizinhos, vivendo em casas no mesmo bairro, a poucas quadras ou quarteirões de distância...
No caso dos computadores e videogames, mencionados pelo cineasta americano, há registros de tendinites, obesidade, problemas circulatórios, males da visão (vista cansada)... Isso só para mencionar as doenças fisicamente detectáveis... Há ainda dificuldades de ordem social e psíquica, como: violência, problemas de relacionamento, solidão, síndrome do pânico e algumas neuroses e mesmo psicopatias. É claro que tudo isso compõe o limite da relação entre homens e máquinas, podem dizer alguns. Existem aqueles que hão de pensar que sou um ferrenho opositor das tecnologias, um ludista contemporâneo...
Não sou opositor das tecnologias e, mesmo, advogo o uso destes recursos em palestras, aulas e oficinas, tendo experiência com computadores desde 1983... Isso mesmo, estive presente na pré-história da informática como usuário, ainda garoto, adolescente! Esta experiência não me impediu, no entanto, de viver além dos limites das telinhas dos computadores, como observo tão frequente e desmedida, em tantos casos, entre a atual geração de crianças, adolescentes e jovens.
Me lembro de uma situação ainda em 2003 em que alguns alunos me disseram estar interagindo através do ICQ (o comunicador instantâneo de então, antecessor do MSN e do Skype). Eram garotos e garotas de Ensino Médio, ótimos alunos, inteligentes, vivos, vibrantes, dos quais guardo ótimas recordações. É claro que o ICQ tinha sabor de novidade e que, como tal, era uma forma dos mesmos interagirem por mais tempo depois das aulas. Ainda assim lhes perguntei se moravam longe uns dos outros... A resposta? Muito simples e objetiva, eram praticamente vizinhos, vivendo em casas no mesmo bairro, a poucas quadras ou quarteirões de distância...
Imediatamente lhes disse o que sentia sobre aquilo, ou seja, que imaginava o uso das tecnologias como apoio e recurso de valor, porém, que pensava insubstituíveis as relações humanas e todos os laços que criamos com a natureza, o mundo ao nosso redor, extra-computador, onde estes recursos tecnológicos são também componentes de nossas vidas e realidades e, nunca, os condutores de nossas existências, por onde iremos canalizar nossas emoções, sensações, vibrações, dores, problemas, vitórias, decepções, êxitos...
Disse-lhes que esperava que se encontrassem ao vivo, em cores, olhos nos olhos e que curtissem a oportunidade que existe nessa interação, nessa reunião presencial. Penso que devemos sempre privilegiar aquilo que é sensorial, físico, presencial e, quando isso não for possível, daí sim utilizar as redes, a web, os computadores e todas as tecnologias que temos e que estão surgindo.
Quanto estamos juntos como é gostoso apertar as mãos, abraçar, beijar, fazer um carinho, dar um tapinha nas costas, trocar ideias, jogar papo fora, conversar sobre coisas sérias... Sentar à mesa e dividir o pão, literalmente... Ouvir música, ir ao cinema, asssistir uma peça, sair para dançar... Praticar esportes, ler ou simplesmente dar um belo mergulho, sem compromisso... Colocar os pés no chão, sentir a terra e seu cheiro único, pegar uma fruta no pé, admirar a beleza das flores e das árvores, curtir os passarinhos e os animais silvestres...
Não há, creiam-me, equivalentes eletrônicos ou virtuais tão maravilhosos quanto tudo aquilo que a natureza criou ou passíveis de comparação com estar com as pessoas...
Por João Luís de Almeida Machado


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