Voto Consciente: O que é isso?
Ano sim, ano não, no Brasil temos eleição. Parece até proposital a rima, assim como parece totalmente proposital tantas eleições seguidas, próximas, importantes e decisivas sempre. Este ano de 2010 escolheremos entre inúmeros candidatos, milhares para ser preciso, nossos representantes para a Câmara Estadual, o Governo do Estado, a Câmara Federal, o Senado e a Presidência da República. No caso dos senadores, serão dois novos representantes por estado, ou seja, votaremos duas vezes. O mais interessante é notar que há muitas pessoas que nem ao menos são capazes de distinguir quais as funções do legislativo e do executivo (sem contar o judiciário, para o qual não escolhemos nossos representantes!) ou, muito menos, estão aptas a diferenciar os trabalhos realizados por deputados federais e senadores...
Por isso mesmo penso ser importantíssimo que nas escolas sejam realizados trabalhos de esclarecimento e conscientização pública não apenas para os alunos, mas também para seus pais e toda a comunidade, afinal como votar de forma consciente se nem ao menos sabemos quais responsabilidades cabem a quem na divisão das atribuições políticas/públicas?
Fala-se muito em voto consciente no Brasil mas pouco é feito para termos reais condições de levar a cabo tal intento. A informação neste sentido é de suma importância e, não adianta dizer que o trabalho de divulgação feito pela TV, rádio, jornais e internet pelo Tribunal Superior Eleitoral é suficiente... Não é e todos sabemos bem disso, o buraco, como dizem no popular, é mais embaixo...
Consciência, de acordo com os dicionários, significa pleno conhecimento, acesso a informação, capacidade de discernir e entender, compreensão quanto ao contexto em que vivemos... De posse desta definição, é isso o que vemos quando os brasileiros se encaminham para a urna eletrônica, para exercer o seu direito, a sua cidadania?
Se há brasileiros que trocam seus votos por benesses então estamos diante de um quadro que não caracteriza esta situação de voto consciente. Quanto vemos pessoas que se decidem quanto aos candidatos escolhidos recolhendo informações de última hora, algumas até mesmo pegando "santinhos" a caminho do local de votação, muito menos. Se os depoimentos dos candidatos em comícios ou na TV são suficientes para muita gente, não podemos esperar melhor situação do que aquela em que vivemos...
E o que vivemos? Fiz recentes levantamentos juntamente aos grupos de alunos para os quais leciono, no Ensino Médio e na Faculdade sobre política, nos cursos de Filosofia e Sociologia, quanto a termos relacionados a sua visão de política. Sabem o que obtive? Corrupção, escândalos, roubalheira, propina, meias, cuecas, pizza... E quem quer participar da política? Quase ninguém... Todo mundo associa política a maracutaias e, ao fazer isso, querem distância para que estes erros não sejam a elas associados...
E o que vivemos? Fiz recentes levantamentos juntamente aos grupos de alunos para os quais leciono, no Ensino Médio e na Faculdade sobre política, nos cursos de Filosofia e Sociologia, quanto a termos relacionados a sua visão de política. Sabem o que obtive? Corrupção, escândalos, roubalheira, propina, meias, cuecas, pizza... E quem quer participar da política? Quase ninguém... Todo mundo associa política a maracutaias e, ao fazer isso, querem distância para que estes erros não sejam a elas associados...
O universo deste levantamento foi de mais de 500 pessoas. Quase todo mundo associa política ao universo público, governamental. As pessoas não se vêem como elementos que também participam da política e isso demonstra tanto desejo, vontade (ou falta de ambos) quanto vergonha da situação que vemos nos jornais, na TV, nas revistas, na web...
Tenho tentado esclarecer que se os bons se omitem, abrem-se espaços para os que tem más intenções. Ao mesmo tempo, demonstrar que fazemos política todo o tempo, até dentro de casa ou em nosso trabalho. Ainda que nos posicionemos assumidamente como apolíticos, procuro explicar que isso tem repercussões e significado político para todos, inclusive para as pessoas que estão se ausentando e isentando-se de posturas mais participativas.
Tenho tentado esclarecer que se os bons se omitem, abrem-se espaços para os que tem más intenções. Ao mesmo tempo, demonstrar que fazemos política todo o tempo, até dentro de casa ou em nosso trabalho. Ainda que nos posicionemos assumidamente como apolíticos, procuro explicar que isso tem repercussões e significado político para todos, inclusive para as pessoas que estão se ausentando e isentando-se de posturas mais participativas.
O voto consciente é apenas uma parte do processo, da vivência política. E acontece com esclarecimento pleno sobre o pleito, das funções dos cargos eletivos em disputa ao próprio funcionamento do processo eleitoral, da compreensão daquilo que são os partidos e suas posições ao histórico dos candidatos, do entendimento da propaganda eleitoral e das alianças partidárias até a necessidade de continuar atento ao que os eleitos fazem depois de assumir seus mandatos.
Você se lembra em quem votou para os cargos em disputa nas últimas eleições? Em anos eleitorais esta pergunta é muito frequente por parte das rádios, TVs e jornais. O mais interessante é perceber que o contingente de pessoas que não se recorda é grande. Normalmente conseguem lembrar o voto para os cargos executivos (presidente, governador e prefeito), mas para o legislativo, a maioria não consegue resgatar os nomes... Que se diga então cobrar trabalho, comprometimento com a população, ética e honestidade no trato com o bem público, lisura e transparência em suas ações políticas, não é mesmo?
Voto consciente é parte essencial de uma democracia saudável e plena. Deveria ser demanda do povo, da sociedade civil como um todo e não bandeira de poucos abnegados ou ONGs ligadas a política. A temática é tão importante que poderia ser, juntamente com uma introdução aos direitos dos cidadãos, um elemento a mais a ser estudado nas escolas brasileiras. Na realidade, o exemplo e a ação neste sentido poderiam e deveriam começar no próprio Congresso Nacional, com a cobrança por deputados e senadores, de ações mais efetivas no sentido deste voto consciente... Mas aí parece que sonhei demais...
Voto consciente é parte essencial de uma democracia saudável e plena. Deveria ser demanda do povo, da sociedade civil como um todo e não bandeira de poucos abnegados ou ONGs ligadas a política. A temática é tão importante que poderia ser, juntamente com uma introdução aos direitos dos cidadãos, um elemento a mais a ser estudado nas escolas brasileiras. Na realidade, o exemplo e a ação neste sentido poderiam e deveriam começar no próprio Congresso Nacional, com a cobrança por deputados e senadores, de ações mais efetivas no sentido deste voto consciente... Mas aí parece que sonhei demais...
Por João Luís de Almeida Machado



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