Sinta o mundo ao seu redor!
- “Aquela poderia ser mais uma manhã, como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô. Vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Simphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.” (O Verdadeiro Luxo, artigo de Márcia Bindo, publicado pela Revista Vida Simples, Edição 60, Dezembro de 2007).
Todos os dias quando acordo sou agraciado com a possibilidade de vislumbrar a exuberante paisagem do local onde moro. São inúmeras as espécies que povoam as cercanias. Árvores, flores, arbustos, aves das mais variadas espécies e algumas outras surpresas podem ser vistas todos os dias por aqueles que por ali passam...
Depende apenas de apurarmos os sentidos... De olharmos com profundidade... De irmos além daquilo que é óbvio e evidente aos nossos sentidos... Temos que aprender a ler o mundo em suas entrelinhas...
E o que temos feito até o presente momento? Na maioria dos casos apenas perambulamos pelo mundo com nossos sentidos direcionados como se fôssemos cavalos puxando carroças, orientados pelo cabresto e mobilizados pela força do chicote que é batido em nossos lombos... Não aprendemos a diferenciar sabores... Raramente somos educados para apreciar a música em sua totalidade... Desprezamos a diversidade das cores e tons... Poucas pessoas são capazes de realmente discernir odores e fragrâncias... Estamos perdendo até mesmo a força do toque, do tato, do encontro físico...
Preferimos à virtualidade... Escolhemos a distância e a ausência... Vivemos nos desencontrando... Comemos aquilo que é pasteurizado, sem sabor, sem gosto... Nossas existências estão perdendo o calor, as emoções... Desconectados dos homens e da natureza, vivemos existências tristes e tentamos compensar consumindo...
Trocamos as sensações profundas de prazer e satisfação, que se constroem ao longo do tempo - com parcimônia, paciência e sabedoria – por experiências fugazes, velozes, inodoras, insípidas e incolores...
Hoje, nas escolas, se ensina eficiência. Mercado é a palavra-chave do ensino e da vida. Produção, consumo e lucro superam longe qualquer idéia relacionada à espiritualidade, valores e sentimentos...
A curta narrativa que inicia essa reflexão, que nos conta a história de Joshua Bell e seu violino Stradivarius, tocando ininterruptamente por 45 minutos na entrada de uma estação de metrô é apenas um indicativo de como estamos ficando insensíveis... O que aconteceu com Bell está também ocorrendo com o planeta, devastado pelo aquecimento global... Situações semelhantes são aquelas em que pessoas morrem de fome por falta de solidariedade ou assistência... Tudo isso igualmente nos faz lembrar dos analfabetos, das vítimas das guerras, dos agredidos em virtude da intolerância, dos jovens que perdem a vida em função das drogas,...
Que mundo é esse que estamos construindo?
Por João Luís de Almeida Machado


Como disse um compositor em uma de música de nosso cancioneiro:
ResponderExcluirComo a pimenta e o sal
que um pouquinho não faz mal.
Quem nunca brigou,
fingiu amar por certo não amou".
De tudo que nos cerca devemos observar os detalhes e as nuances, não devemos deixar que outros fatores nos impeçam de ver a verdadeira forma, a verdadeira cor e o verdadeiro sabor de cada criação de Deus. João Machado
O mais interessante é que esse assunto é sempre falado em programas de TV, em entrevistas, é presente vários dias nas coluninhas magras do jornal. é falado até por gente influente, é tema de muitas redações, mas ... acredito que a educação dos sentidos, a percepção humana das pessoas só mudará apartir do momento em que for mudada uma cultura... a identidade humana, viva, participativa no mundo... acho que é isso que precisa ser revisto... Infelismente as coisas que vem acontecendo em nosso planeta merecem aquela frase: "Eu aviseeeeiiii...." pois não é de hoje que vem sendo falado nisso, mas parece que ainda assim há uma trava nos seres humanos de falar uma coisa, pensar uma coisa mas agir de outra completamente diferente.
ResponderExcluirAcho que mais do que avisar a população sobre a falta de sentir o mundo aos nosso redor, devemos cobrar, mudar hábitos, ensinar novos hábitos aos nossos filhos, alunos, amigos...
E "SE"... um dia tivermos novamente que falar "Eu aviseeeiii..." falaremos assim " E avisei e eu agi!!!"