Quando a morte chegar...


Quando a chama se apagar quero apenas a presença ao meu lado das pessoas que amo e as orações de todos aqueles com os quais em algum momento me encontrei durante minha breve passagem por esta terra.

Espero a compreensão daqueles com os quais em algum momento tive desavenças ou diferenças, que o perdão prevaleça, desde já lhes digo, mais forte que qualquer pendência é o amor, a paz e a amizade.

Levo em minha memória uma passagem abençoada que me permitiu mais que conquistas pessoais ou profissionais, muito mais que isso, pois me legou a chance de conhecer o mundo, inúmeras pessoas, saborear (gostando ou não) tantas sensações maravilhosas que existem por aqui.

Carrego as lições que aprendi de meus pais, irmãos, amigos, alunos, esposa, filhos e tantas pessoas e espero poder ter ajudado alguém, de algum modo, ainda que de forma singela, simples, humilde a tornar melhor seus dias, suas horas ou mesmo alguns minutos de suas vidas.

Lembro da água gelada do mar, dos rios e lagos em que nadei e da incrível sensação das ondas a bater em meu peito, dos mergulhos que dei. Ainda percebo o calor do sol a queimar meu rosto, a me fazer suar e a embalar as batidas do coração, ritmadas, compassadas, a me dizer o quanto vale a vida!

Me ocorrem o vento a bater nas árvores da fazenda em que cresci. Os pássaros que por lá, todos os dias, iluminavam nossa manhã com sua presença e canto. As flores que a natureza, graciosa, todos os dias nos permitia ver, sentir o odor, perceber as cores e a beleza.

Que a música esteja no ambiente, a tornar ainda mais tranquila e feliz a passagem. Que se toquem clássicos imortais, do pop, rock, MPB, Jazz, Bossa-Nova e tantas outras trilhas que embalaram nossos sonhos e passos de dança.

Espero lembrar de trechos de livros fantásticos que me guiaram pela vida. Personagens reais ou imaginários que em algum momento embalaram sonhos e incentivaram realizações. E que estas linhas, tantas que todos os dias me atrevo a escrever, possam servir a alguém, dando-lhes igualmente alguma inspiração...

Quando a morte chegar quero abraços, beijos, muito afago e amor sincero, que sei presente em cada pessoa com a qual tive a sorte de cruzar em minhas andanças. E que ao invés de lágrimas, se vejam sorrisos, pois quem parte viveu com intensidade e felicidade genuínas...

E que saibam, desde já, que valeu muito a pena, tudo o que vivi, sem exceção!

Arrependimentos? Do que vivi nenhum... Do que não vivi, também não, pois não constavam do roteiro de vida que fui escrevendo ao longo dos anos, linha após linha...

Quando o sopro de vida que alimenta esse peito e esse cérebro acabar, quero ter apenas a certeza de que deixei algum verso, palavra ou história que ajude alguém a acreditar que tudo o que vivemos é único e que deve ser sorvido como o melhor dos vinhos, com calma, buscando o sabor inigualável das uvas, do trabalho e do tempo que levou para ser produzido!

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Comentários

  1. Caramba João... sem palavras para comentar esse texto... ou melhor, achei uma ou duas: extremamente emocionante... consegui me enxergar vivendo boa parte do que você descreveu aí... parabéns mais uma vez.. :)

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  2. Olá, João, tudo bem?

    Seu texto é realmente emociante, aliás, é muito difícil encontrar pessoas que se expressam tão bem como você. Ah, quando as luzes se apagarem, não se esqueça de Deus, pois o sopro da nossa vida pertence a Ele.

    Abraço!

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  3. Voce tem uma aura tão grande que, mesmo para a hora da morte, voce consegue dar um ar de grandeza, de paz e de sublimidade. Só consegue essa façanha quem tem alma pura, quem nasceu para as letras e as usa para engrandecer a vida. Parabéns, da sua mãe que adorou o artigo e meus.

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