Saia da Internet! Visite seus amigos!
“Navegar é preciso, viver não é preciso!” (Fernando Pessoa)
Neste século XXI, tão marcado pela forte presença das Tecnologias de Informação e Comunicação, parece ter mais sentido a afirmação de Fernando Pessoa.
Navegar ou surfar tornaram-se verbos que indicam o trânsito, o tráfego, o andar da carruagem das pessoas na rede mundial de computadores. Sendo assim, conjuga-se cada vez mais o primeiro verbo indicado na famosa frase do imortal escritor português e dá-se, igualmente, grande ênfase a segunda parte desta afirmação inicial, ou seja, navegar é preciso (no sentido literal de necessário e não de precisão, acurácia, grande ou total possibilidade de acerto, conforme algumas interpretações de estudiosos da obra de Fernando Pessoa).
A segunda afirmação, sobre o viver, torna-se também mais verdadeira no que tange ao mundo real. Há a transferência de boa parte das nossas ações cotidianas das ruas, locais de trabalho, encontros casuais, andanças pelas cidades, visitas ao campo ou a praia e tantas outras possibilidades, destes espaços para o mundo virtual.
Nos encontramos e vivemos cada vez mais nas telinhas dos computadores, nos programas e ambientes da internet, em simulações ou através de elementos de comunicação rápida e/ou instantânea. Conhecemos ou trocamos idéias com pessoas que nunca vimos. Batemos papo ou nos relacionamos pelo computador com gente que até conhecemos, mas que não vemos há muito tempo. Se as distâncias justificam em muitos casos esta intermediação das tecnologias, em muitos outros casos, tal mediação ocorre entre pessoas que não estão tão distantes assim, chegando ao cúmulo de ocorrer dentro de mesmos locais de trabalho...
Viver não é preciso, segundo Pessoa, não no sentido da total falta de necessidade do ir e vir, do respirar, do abraçar, do escrever, do falar, do escutar, do encontrar, do beijar, do apertar as mãos... Pelo contrário, não é preciso por carecer de precisão (no sentido da acurácia e do acerto mais que provável, mencionado anteriormente). Traçamos mapas, fazemos planos, tentamos dar rumo, queremos organizar não só o hoje, também o amanhã, mas quanto disso realmente irá acontecer do jeito que antevemos?
O certo é que gastamos cada vez mais tempo nos computadores e na web. E perdemos traquejo das pessoas. Não advogo com isso que se deixe para sempre a internet e nossos desktops e notebooks (ou netbooks). Sei que isso é impossível e irreversível. Mas, se não podemos abrir mão dos computadores e da rede mundial, NÃO PODEMOS E NEM DEVEMOS DEIXAR DE ENCONTRAR AS PESSOAS, DE VER OS AMIGOS, DE TROCAR IDÉIAS AO VIVO E EM CORES...
Desligue seu computador, SAIA DA INTERNET, deixe as redes sociais na web por algumas horas...
VISITE SEUS AMIGOS, tire algum tempo para conversar com eles, mate saudades, saiba o que está acontecendo com estas pessoas que fazem sua vida valer a pena...
Passe adiante essa mensagem! Propague a idéia! SAIA VOCÊ TAMBÉM DA INTERNET E VISITE AMIGOS!
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



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