Voto Nulo ou em Branco? Abrindo mão de seu direito de escolha...
Tudo bem, votar em branco ou anular também é escolher... É, neste caso, optar por nenhum dos candidatos, partidos, projetos e perspectivas para o futuro. Faz parte do jogo democrático. Temos igualmente este direito e, de certo modo, é uma manifestação de eleitores que se mostram insatisfeitos, inseguros e incertos quanto ao que se apresenta e nos espera depois que as eleições acontecerem, ou pelo menos deveria ser assim...
Muitas vezes não é assim pelo simples fato de que não se buscam e avaliam as candidaturas que temos para saber separar o joio do trigo. É como aquela história antiga, do homem que caminhava pelo mundo afora carregando consigo uma vela, numa daquelas ancestrais lanternas que a protegia, evitando que se apagasse. De dia ou de noite, fizesse sol ou chuva, lá estava ele, andando pelas ruas, vagando com sua lanterna, nunca a apagando.
Isso gerava dúvidas em muitas pessoas que o viam passar. Para tantas outras era motivo de ironias ou piadas. Não entendiam porque ele, mesmo de dia, por exemplo, carregava aquela lanterna, mantinha acesa tal chama. A cada um deles vinha a explicação daquele homem: Estava a procurar um sujeito honesto que fosse, totalmente verdadeiro, autêntico, de opinião, presença e caráter, em quem pudesse realmente confiar.
Quando explicava, acabava ocasionando risos e indignação. As risadas eram provenientes dos descrentes, que juravam não existir tal pessoa, com tanta credibilidade e tão virtuoso. Os que se mostravam indignados o faziam porque juravam de pés juntos que a busca deveria terminar porque eles seriam o tal indivíduo honesto, humilde e digno pelo qual tanto procurava aquele senhor... De qualquer modo, muitos pensavam que ele passaria a vida inteira perseguindo este sonho, que seria como cavaleiro errante, um Quixote nascido muito tempo antes da obra de Cervantes... A chama só seria apagada quando tal homem morresse...
Pois quem vota em branco ou nulo apagou a chama muito cedo! Desistiu rapidamente de procurar pessoas dignas que valorizem seu voto. Não acredita em homens capazes, que uma vez investidos num cargo público não irão desistir de seus ideais, projetos, decência, ética, valores, caráter. Se não acreditarmos, o que imaginamos para o amanhã, quando acordarmos, abrirmos nossas janelas e sairmos para o mundo? O que diremos para nossos filhos, para as futuras gerações?
Além disso, quem desperdiça seu voto dessa forma está passando o bastão para outras pessoas decidirem em seu lugar. Os votos nulos e brancos não tem valor algum para efeitos eleitorais, como acreditam muitos, ainda hoje. Há entre diversas pessoas a crença de que tais sufrágios contam em favor dos candidatos mais votados... Isso não existe, foi suplantado há mais de 10 anos em nossa legislação. O que conta são os votos conferidos a candidatos e partidos (legendas). São, por isso mesmo, chamados de votos válidos.
Se você votar em branco está abrindo mão de um de seus maiores direitos. Pense muito bem antes de fazer isso. Procure se informar sobre os candidatos, apontar sua lanterna na direção de muitos para que, em algum momento, sua busca seja recompensada e você encontre alguém em quem possa depositar seu voto e a esperança de um país melhor no futuro, para você, seus compatriotas e, principalmente, para os futuros cidadãos!
Em tempo: Qual a diferença entre Brancos e Nulos? Quem anula dá a mensagem direta e evidente, externando sua total insatisfação em relação a todos os candidatos na disputa. Representa a ideia mais clara de inconformismo e decepção com candidatos, propostas, partidos... O Voto em Branco, por sua vez, indica que quem está votando dessa forma pouco se importa em relação a quem irá vencer, é um "tanto faz". Para este eleitor, seu voto não é uma manifestação de protesto, mas de indiferença quanto aos rumos do pleito eleitoral e, consequentemente, de tudo o que virá a partir daí, na educação, saúde, habitação, economia, cultura... Se sua intenção for protestar, é bom pelo menos conhecer a diferença...
Não vote em branco! Não anule seu voto! Vote de forma consciente!
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras


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