Bullying: Intolerância, Violência e Medo nas Escolas
Portanto, o ‘fenômeno Bullying’, designa comportamentos agressivos e anti-sociais, adotado por um ou mais indivíduos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento. São ações intencionais e repetitivas, que causam humilhações, constrangimentos, angústia, medo, vergonha, traumatizando o psiquismo, principalmente das vítimas. Manifesta-se de várias maneiras: física, verbal, moral, sexual, psicológica, material e virtual. (Jamar Monteiro, em seu livro "Fenômeno Bullying ou Crise de Valores", publicado pela Editora Intersubjetiva)
Fui a uma loja, comprar um novo jogo para videogame em virtude do aniversário de meu filho. Uma infinidade de opções nos foi mostrada. Desde games de esporte (futebol, basquete, tênis,...) e corridas automobilísticas, passando por aventuras fantásticas ou cômicas baseadas em filmes de sucesso do cinema ou da televisão (Os Simpsons, Mr. Bean, King Kong, Star Wars,...) até chegar a produções bastante violentas – cujo pano de fundo são guerras, filmes de terror e, para minha surpresa, até mesmo “bullying”... Pois é, como o importante é vender, utilizar jogos eletrônicos para difundir a prática do “bullying” é prática aceita e referendada pelo mercado.
Quando uma grande empresa produtora de novos games para o mercado se interessa em produzir um jogo para videogame em que o objetivo do personagem principal é agredir, socar, chutar e praticar atos de violência da mais variada natureza de forma indiscriminada, precisamos necessariamente repensar não apenas o significado do termo, mas suas origens, fatos, circunstâncias, consequências...
E o que já sabemos sobre o assunto? Muito pouco. A maior parte das informações que possuímos sobre “bullying” nos chegam pela imprensa ou são extraídas da Internet.
Nessas fontes temos dois tipos de problemas fundamentais: no caso dos jornais e revistas não existe a preocupação em aprofundar a discussão, normalmente ocorrendo apenas à apresentação da notícia, do fato, do acontecimento isolado; no que se refere às informações obtidas na internet, temos sempre dúvidas quanto à origem e a fidedignidade dos dados apresentados (a não ser, é claro, quando há uma identificação clara dos autores e instituições que representam aquele material e uma indicação - por origem/autoria - da qualidade que tal texto ou artigo pode ter).
Nem mesmo existe uma definição do termo em nossos dicionários ou ainda em seus equivalentes de língua inglesa. Coube ao professor Jamar criar uma explicação para o termo partindo de palavras relacionadas existentes no idioma de Shakespeare. E a compreensão final da expressão, conforme apresentada no início deste texto, deve causar muita preocupação e, já está gerando inúmeras dores de cabeça, em muita gente...
O que se percebe é que o problema não é tão simples quanto parece e que sua delimitação não pode e nem deve ser feita olhando-se apenas para as agressões e violências praticadas de forma indiscriminada por (principalmente) adolescentes e jovens.
Ao percebermos que “o buraco é mais embaixo”, associando o bullying a crise de valores pela qual passamos enquanto sociedade nos dias de hoje, surge a polêmica e advêm o mal estar em muitas pessoas que querem atribuir exclusivamente aos agressores e praticantes do “bullying” todas as responsabilidades.
Destacar que a complexidade do problema é tão grande que requer ações prementes por parte da família e da escola e que não estamos falando apenas da aplicação de sanções e penas exemplares a quem pratica as violências é um primeiro passo a ser dado. As mudanças devem começar nas relações familiares e na forma como as escolas estão conduzindo o seu trabalho...
O que se percebe é que não há mais tempo para os filhos. A correria cotidiana é tão grande que os pais não têm disponibilidade para conversar e trocar idéias com seus filhos. Problemas e dificuldades do cotidiano se acumulam nas mochilas e cabeças de nossas crianças e adolescentes durante longos períodos sem que nem ao menos as famílias consigam perceber. São desde questões simples do dia a dia, como paqueras ou trabalhos escolares, até as mudanças hormonais que os atingem na puberdade.
Sem orientação ou informações adequadas por parte dos pais e da escola, buscando apoio entre seus pares (que muitas vezes também carecem de maior atenção familiar e educacional), não tendo suas questões solucionadas e estando cada vez mais aflitos e angustiados, alguns jovens partem para soluções nem um pouco convencionais e abrigam-se no álcool, nas drogas, nas gangues e na violência desmedida.
A escola, por sua vez, muitas vezes distanciada da realidade e preocupada com conteúdos, prazos, notas e cadernetas coloca em segundo plano a formação humana, social, ética e cidadã dos alunos. Não são poucas as vezes em que a educação encara seus clientes (os alunos) - responsáveis pelos caminhos (ou descaminhos) futuros da sociedade - como atribuições e estatísticas, ou seja, percebendo-os como sua responsabilidade somente no que tange a apresentação e apreciação de conhecimentos pré-estabelecidos e pré-concebidos como básicos para o seu ingresso no mundo social e profissional...
Isso quer dizer que a atribuição de responsabilidades pelos violentos acontecimentos que acometem nossa juventude é responsabilidade da família e dos professores? Não somente aos pais e educadores cabe a atribuição dos problemas e das culpas decorrentes do “bullying”. Aos pais e educadores compete, porém, a responsabilidade maior de prever, antecipar-se, buscar soluções e caminhos, dialogar e orientar as ações das crianças, adolescentes e jovens antes que a violência e outras variáveis a ela associadas aflorem.
As dificuldades e fatores que estão complicando a vida de tantas pessoas, e em especial dos próprios adolescentes e jovens que participam de atos de vandalismo e agressão, estão relacionados a questões de âmbito global. Os problemas que vivenciamos em nosso cotidiano também têm relação com questões familiares e educacionais, mas o drama que vivemos está ligado a outros atores – muito mais poderosos e onipresentes – do cenário mundial, como as mídias, a internet, a globalização...
O que fazer? A resposta passa necessariamente pelo diálogo, compreensão, tolerância. Admitir as diferenças é essencial. Percebê-las como riqueza inerente as relações humanas é um próximo passo. Somos melhores porque somos vários, únicos, diversos. A presença da família, compartilhando as experiências vividas pelos filhos, trocando ideias, orientando, tirando dúvidas e aconselhando, representa o que de melhor a humanidade apresenta como resposta desde sempre.
A escola e a sociedade igualmente precisam se renovar, revigorar, rever. Os exemplos negativos têm prevalecido. A violência e o erro ganham mais destaque juntamente as pessoas do que os bons exemplos. Na política, no esporte, na sociedade em geral... Ficamos sabendo mais de falcatruas, malandragem, corrupção, violências em geral do que de bons exemplos. Virar o disco, literalmente falando, é uma missão que cabe a todos, pelo bem de nossas crianças e jovens, contra o bullying e todas as formas de opressão!
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Bom dia John.. ontem aluguei justamente um filme chamado Bullying... Já viu?? Quero ver se assisto nesse fim de semana.. Abraço!!!
ResponderExcluirFala John, assisti ao filmes do Bullying.. achei bem mais ou menos... postei um texto sobre bullying no meu blog tb e falei inclusive sobre o filme... dá uma olhada depois: http://romulofaria.blogspot.com/2010/10/bullying-seja-contra-essa-ideia.html
ResponderExcluirabraço!!