A gostosa infância dos Meninos Maluquinhos
Os sapatos são grandes demais. O casaco também não foi feito para ele. A mãe já lhe disse diversas vezes que não se deve colocar panela na cabeça. Apesar de tudo isso, poucas são as pessoas que não se comoveram e se identificaram com a história do Menino Maluquinho criada pelo grande mestre Ziraldo.
O livro, considerado um dos maiores clássicos da literatura infantil de nosso país, marcou a vida de gerações e gerações de leitores, entre os quais me incluo com grande orgulho. A história do menino que encantava a todos que viviam ao seu redor é sedutora do início ao fim graças à eloqüência de um texto curto mas profundo e rico. Além disso os traços de Ziraldo que levaram a elaboração desse personagem que transborda felicidade foram capazes de criar uma das imagens mais singelas e simpáticas do mundo das crianças.
Tenho a enorme felicidade de ter um menino e uma menina maluquinhos em minha casa. Sinto que como no livro o tempo passa depressa e que de repente iremos abrir os olhos e eles estarão moços, em busca de seus diplomas, correndo atrás de um emprego, querendo se casar e, como resultado de tudo isso, tendo seus próprios maluquinhos para tornar suas vidas muito felizes.
Criança em casa é sinônimo daquilo que há de melhor na humanidade. A singeleza misturada com inocência e sorrisos marotos a cada travessura praticada é capaz de dobrar qualquer adulto. Não há quem não se derreta e não relembre os seus tempos de meninice. Ademais, Ziraldo nos fala em seu livro de uma infância pra lá de inesquecível, daquelas em que subíamos em goiabeiras, descíamos as ladeiras das ruas em carrinhos de rolimã, jogávamos taco, disputávamos figurinhas em animados jogos de bafinho ou deixávamos nossos piões rodopiarem e rodopiarem...
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



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