Pesquisas Eleitorais: Dá para confiar?
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Eleições no horizonte? O dia de votar está próximo? Ainda há dúvidas quanto aos candidatos que merecem o seu voto? As informações do horário eleitoral, da imprensa e de outros meios de informação não foram suficientes para tirar suas dúvidas? Que tal dar uma olhada nas pesquisas eleitorais para conseguir definir-se?
Há muitas pessoas que se deixam levar pelas pesquisas eleitorais. Pensam que devem validar seus votos escolhendo os candidatos que estão na frente. Não perder o voto significa ir as urnas com os números de políticos que certamente vão ganhar, ao menos pelo que indicam as pesquisas eleitorais. Muitas vezes estes eleitores até reconhecem maiores qualidades em outros postulantes aos cargos públicos em disputa, mas acabam optando por nomes que podem vencer segundo o Datafolha, o Ibope, o CNT/Sensus, o Gallup...
Votar a partir do que sugerem as pesquisas eleitorais, escolhendo os nomes daqueles que aparentemente estão na frente e abdicando de candidatos, partidos e propostas que sejam melhores de acordo com sua análise para não perder o voto é um grande erro. A democracia supõe vencedores e vencidos nos pleitos eleitorais, mas a maior vitória é poder escolher livremente, sem que qualquer dado externo, como os resultados prévios das pesquisas, indique e influencie a sua ação na urna eleitoral.
Resolver a eleição no primeiro turno, por exemplo, é possível e faz parte do jogo democrático, das regras vigentes na legislação específica em nosso país, para os cargos do executivo, como presidente, governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil eleitores. A indução das pesquisas, que leva muitas pessoas a optar por candidatos que estão na frente, muitas vezes, podem levar as eleições a serem decididas antecipadamente, por contágio de eleitores indecisos ou então fazendo aqueles que irão votar em candidatos menos expressivos e com menor chance de vitória a mudar seu voto...
O segundo turno por sua vez, demonstra a pluralidade de opiniões, a democracia em pleno vigor, com espaço para que diferentes propostas, as majoritárias entre todas aquelas apresentadas no primeiro turno, sejam novamente avaliadas. Desta vez, com os eleitores dos demais candidatos se posicionando quanto a elas. É também uma alternativa da democracia no Brasil, válida e que deve ser encarada com naturalidade por todos. Ganha-se mais tempo para avaliar propostas e os eleitores não se deixam levar pelo embalo das pesquisas.
As pesquisas deveriam ser percebidas apenas como um indicativo de tendências, um termômetro que mostra a temperatura eleitoral, demonstrando as preferências dominantes num certo contexto (tempo/espaço). A princípio é o que tal ação dos institutos e órgãos noticiosos responsáveis por estes levantamentos preconizam. Mas a forma como se divulgam as pesquisas, apregoadas pelos quatro cantos do país por diferentes mídias, a anunciar vitórias e derrotas antes mesmo da realização do voto, mais do que sugerir, acabam orientando a ação de muitos eleitores, especialmente daqueles menos informados ou que tem menor escolaridade.
E, por mais que as pesquisas, apoiadas em metodologias aceitas e válidas, com pequenas variações (algumas são feitas por telefone, outras nas ruas de cidades grandes ou de médio porte) apresentem uma ideia daquilo que o eleitorado destas regiões urbanas pretendem, o recorte não é (nunca) tão abrangente que represente o total das opiniões existentes no país, sua diversidade, as crenças e valores localizados, a cultura vigente em cada região, estado ou município.
Como amostragem daquilo que as pessoas podem estar pensando, em especial em aglomerados urbanos de médio e grande porte e, ainda levando-se em conta que há redutos eleitorais onde certos partidos ou candidatos podem ter maior penetração e reconhecimento e que tais áreas podem estar aparecendo mais nas pesquisas realizadas, temos que olhar e analisar tais levantamentos apenas como representações do que pode ocorrer, não como indicadores do que irá acontecer...
O voto deve ser livre sempre de qualquer influência. Sua consciência e responsabilidade devem prevalecer. Escolha pensando no Brasil, não se deixe levar por vantagens pessoais, que muitas vezes representam, na verdade, benefícios maiores para quem lhe ofereceu tais ganhos. As eleições definem os rumos da vida no país pelos próximos anos, por isso mesmo, perceba a responsabilidade e o compromisso que você, como cidadão, tem pela frente! Vote de forma consciente!
Por João Luís de Almeida Machado



Deus te ouça que as pesquisas não se confirmem... :)
ResponderExcluirAqui no RS existem dois casos emblemáticos:
ResponderExcluir-Germano Rigotto, com 2% nas pesquisas, foi ao segundo turno e ganhou com ampla vantagem sobre o segundo colocado;
- Yeda Crusius, atual governadora e disputando contra a reeleição de Rigotto, partiu dos 3% de intenções de voto (sempre segundo as pesquisas) e hoje disputa a reeleição.
Ou seja: pesquisas sempre são direcionadas a nichos. Se você pesquisar no Bairro dos Casa, onde Lula morava quando fazia uso do camburão do DEOPS como meio de transporte (quase vizinho à época), Dilma terá mais votos que Serra. Se a pesquisa for na Paulista, Serra tem vantagem.
Ah sim: nunca fui 'pesquisado'.
Um abraço.