O direito de errar


Erro zero. Tolerância zero. Paciência zero. Em casa, na escola, no trabalho e em qualquer instância de nossas vidas as pessoas se permitem cada vez menos o erro. Vivemos dentro de um mundo em que prevalece a cultura da produtividade, estamos sob a égide da perfeição. Esquecemos que, no entanto, não há entre nós pessoa alguma que seja capaz de acertar sempre. Desprezamos o fato de que com toda esta carga sob nossos ombros estamos fazendo com que a própria cobrança individual (além da social, coletiva), desde a infância, seja brutal, desumana...

O erro é parte do caminho que todos e cada um de nós teremos que enfrentar e, é certo, para sempre. Não que o nossos erros sejam eternos ou que eles constituam a base de nossas existências. Acertamos mais do que erramos, felizmente, mas que somos "errantes", se me permitem a brincadeira com as palavras, tanto no sentido de que estamos em peregrinação ou jornada durante nossas vidas e que nesta trilha surgirão pedras no meio do caminho a nos fazer tropeçar, cair e ter que se levantar, isso é de conhecimento geral.

Errar não deve ser encarado como sinônimo automático de fracasso, decepção e derrota como atualmente prevalece na sociedade. As tais pedras no caminho que nos causam bolhas nos pés orientam nossa ação para que paremos durante algum tempo, pensemos na jornada e em suas dificuldades e busquemos remédios e alternativas para que a caminhada prossiga sem tais e tantos empecilhos.

Ainda assim temos que estar cientes de que novos problemas e, com eles, erros, surgirão. Aprender com os erros e de suas lições trazer para nossas vidas respostas melhores para os dilemas que enfrentamos não deve ser apenas chavão, surrado como pensam tantos, a ser repetido como ladainha entre todos. Devemos corporificar a ideia de que a vida, na medida em que prossegue, deve considerar tais momentos oportunos para que o amanhã seja verdadeiramente melhor. Neste sentido, mais que ideias apenas, o importante é transformar os ensinamentos em ações, as dificuldades em superação, os erros em acertos...

Não tenho medo de errar. Faz parte do meu caminho. Nem, tampouco, tenho a pretensão de acertar sempre. Quero, no entanto, aprender com os erros e, com isso, me tornar um pouco melhor a cada nova pedra que encontro em meu caminho.

Tire toda a pressão que existe quanto ao erro zero de suas costas. Permita-se viver mais e melhor sem toda esta carga que lhe é imposta pela sociedade e por você mesmo. Você tem o direito de errar...

Por João Luís de Almeida Machado

Comentários

  1. João, essa questão do medo de errar é fundamental na educação. Ou melhor do "não medo de errar". Aprendemos muito mais com nossos erros do que com as coisas que correram certinhas. O erro leva à reflexão e às novas tentativas. Aprender num ambiente livre de críticas e que permite o erro, a tentativa, a experimentação seria o ideal para qq aluno. Ótima reflexão. Bjs!

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  2. O homem vem aprendendo com os erros desde o primordio da civilização. Não existe evolução sem a ajuda dos erros cometidos, faz parte de nossas vidas. Nos só melhoramos quando reconhecemos nossos próprios erros e tentamos não cometê-los mais.

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