Além da bruma e da escuridão
De dentro da noite que me cobre,
Preta como a cova, de ponta a ponta,
Eu agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.
Na cruel garra da situação,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
Minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.
Além deste lugar de ira e lágrimas
Avulta-se apenas o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará destemido.
Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.
William Ernest Hemley
(1849-1903), poeta inglês
Além da bruma e da escuridão
Não tema. Não trema.
Tenha coragem. Tenha fé.
Além da bruma e da escuridão,
Atrás das sombras e do pesar,
Há de valer o seu destemor.
Pedras e paus
atirados em minha direção
me fazem arder, chorar, sofrer
Mas não perco a esperança
e continuo forte, firme
na direção de meus objetivos.
As grades podem me impedir
de sair, estar, compartilhar,
mas o encarceramento
não bloqueia meu pensamento
minhas letras e sentimentos,
a expressão do meu ser
A agressividade e violência
parecem silenciar minha pessoa
impedir os passos a serem dados
o não, o impedimento e a força
querem coagir e calar
mas não podem e não irão...
Capitão do meu destino
Senhor dos pensamentos
não temo as trevas
que me compelem ao medo
e tentam enfraquecer e tirar-me o viver
Por isso mesmo prossigo e tento, novamente...
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



Comentários
Postar um comentário