Política em discussão
Realizar em política em prol da coletividade exige desprendimento e grande maturidade. Pensar um projeto público devotado a população como a princípio se espera exige por parte de quem participar um grau de doação grandioso e uma capacidade ainda maior de controlar-se diante das tentações do poder, da ambição e do dinheiro. Qualquer ação desta natureza, ou seja, em política, exigirá pessoas capazes de pensar, propor, fazer e agir que o façam abdicar de si mesmo e de alguns de seus mais intensos desejos e ambições.
Um projeto político tem que prever metas a curto, médio e longo prazos de acordo com as necessidades mais e menos urgentes. Adequar os planos as possibilidades financeiras do município é outra premência ainda que seja sempre possível buscar apoio na iniciativa privada e nas comunidades para realizar ações outras não previstas nestes planejamentos. O essencial, no entanto, é a lisura e a transparência no uso do dinheiro público. Imediatismos geram gastos desnecessários e oportunizam desvios de verbas. Não significa que devamos ser inertes, mas sim cautelosos para que depois do germinar do solo venham os frutos para toda a comunidade.
A política só é nefasta e suja se a realizarmos desta forma, ou seja, depende apenas de nós repensar e realizar a política dentro daquilo que originalmente a motiva, ou seja, a ação em prol do entendimento, do bem comum, da realização pela coletividade. Temos que partir da ideia de que qualquer ação política deve priorizar o bem do município e da população acima de todas as coisas.
Muitos são aqueles que dizem ser impossível na política agir de forma lícita, idônea ou honesta. Que aqueles que tem essa condição ética e moral acabam sucumbindo perante as pressões dos desonestos. Ou abandonam a política ou se deixam corromper igualmente pelo poder e dinheiro associados ao comando e aos cargos. Creio que os projetos políticos somente terão sentido e poderão funcionar de fato se forem pensados, planejados e executados não apenas por uma pessoa ou por um pequeno grupo, mas como ações que surjam de discussões e participações que efetivamente contem com a participação de todos. E que os vícios da cultura política brasileira, arraigados como são e estão há tanto tempo, como o populismo e o clientelismo, sejam superados em benefício de políticas públicas que visem realmente ao bem maior.
Ouvi certa vez de um conhecido que eu era cândido, ou seja ingênuo, e idealista demais e que isso causava nele desconfiança. Prefiro pecar por acreditar que a honestidade e a idoneidade devem imperar, apesar dos desvios e desmandos nos darem a impressão de que o mundo é dos espertos, do que abrir mão de princípios aprendidos com a família, na escola, na vida. Não é só o sono dos justos que devemos buscar, mas uma vida da qual tenhamos sempre orgulho e que nos permita manter a cabeça erguida por termos nos guiado sempre por valores éticos, morais e por um compromisso que ultrapassa o pessoal e atinge o coletivo.
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



Educação gera conhecimento, conhecimento gera sabedoria,e, só um povo sábio pode mudar seu destino.
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