Steve Jobs: O mago da revolução digital
Há aproximadamente um ano atrás, quando dava aulas de filosofia no Colégio Poliedro, em São José dos Campos (SP), em uma de nossas aulas diferenciadas, nas quais apresentávamos e discutíamos com os alunos as realizações de expoentes contemporâneos, trouxe a tona a trajetória de Steve Jobs, o mago da revolução digital. Muitos dos alunos daquele curso tinham produtos da Apple e já cultivavam em relação a empresa uma admiração, mas ainda assim Jobs foi uma novidade para eles, estava apresentando o pirata que se tornou capitão do navio, como o próprio criador da Apple costumava se referir a si mesmo.
Minha relação com a Apple e com a obra de Jobs é, no entanto, muito anterior a este episódio. Iniciou-se ainda nos primeiros anos da década de 1980, quando comecei a trabalhar com computadores, e a empresa de Steve Jobs, como criadora dos primeiros computadores pessoais vendidos a um grande público, com o Apple II, já começava a se tornar icônica.
A preocupação de Jobs com o produto final de suas empresas, aliada a genialidade de Steve Wosniak, o cérebro por trás destes primeiros inventos da Apple no que tange a eletrônica, ocasionou o surgimento do mundo como é hoje. O que era uma aposta de dois jovens estudantes de eletrônica no início dos anos 1970 tomou dimensões planetárias. Tente imaginar como seriam as relações entre as pessoas, povos e nações no século XXI sem os computadores pessoais.
A sede de Steve Jobs era por produtos que fossem simples, de fácil manuseio, capazes de serem manipulados e utilizados por qualquer pessoa e embalados dentro do mais fino e elegante design possível, justamente o que a Apple ofereceu desde os seus primeiros computadores, passando pelo Lisa, Macintosh e chegando aos Ipods, Iphones e Ipads atuais.
Rápido como era foi capaz de descobrir o significado de aparelhos criados por seus concorrentes antes mesmo que equipes inteiras de profissionais altamente especializados o fizessem, como foi o caso do mouse, criado pela xeróx, que não sabia exatamente como utilizá-lo ou se conseguiria torná-lo popular. Foi Jobs quem transformou este recurso em item onipresente ao redor do mundo.
Se não bastassem suas realizações no mundo altamente tecnológico, tratou ainda de dar a luz a Pixar, tornando-a a maior empresa de animação digital do mundo e igualmente revolucionando a forma como se faz cinema para crianças e adultos.
A constatação da doença de Jobs, câncer pancreático, altamente fatal, a partir de 2004, fez com que o CEO da Apple tivesse que diminuir a intensidade de sua participação na empresa que criou e da qual foi "expulso de campo", literalmente, no final dos anos 1980. Seu afastamento, por sinal, coincidiu com os anos mais difíceis da empresa, que entrou em crise e teve que correr atrás de seu ex-líder para que voltasse a crescer e ser admirada.
Os cuidados com a saúde, no entanto, não fizeram com que Jobs parasse de trabalhar. Entre 2004 e 2011 a Apple espalhou pelo mundo afora a febre dos produtos Ipod, Iphone e Ipad e ganhou status de marca a qual se devotam milhões de fãs pelo mundo todo. Suas lojas tem filas de espera quando do lançamento de novos produtos e gera enorme ansiedade no mercado quando anuncia novidades tecnológicas pois acaba influenciando o comportamento do público e também de seus concorrentes.
Enorme perda por seu gênio criativo, o falecimento de Jobs pode ser comparado ao de outros grandes realizadores como Henry Ford ou Benjamin Franklin, que com seus inventos e produções fizeram com que o mundo mudasse muito e para melhor. Descanse em paz Steve Jobs.
Obs. Recomendo a leitura dos textos sobre as aulas de filosofia em que falei de Steve Jobs, que podem ser acessados em CONECTANDO OS PONTOS (STEVE JOBS EM STANFORD, 1ª HISTÓRIA) e AMOR E PERDA (STEVE JOBS EM STANFORD - 2ª HISTÓRIA) ou ainda em THE PIXAR STORY - LIÇÕES DE QUEM AMA OS DESENHOS ANIMADOS. Outro texto interessante para entender a influência de Jobs é A GERAÇÃO "I".
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



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