Histórias de vida (I)
A primeira impressão é a que fica para muita gente, não é mesmo. Isso acontece de fato e, muitas vezes têm acontecido comigo. Há pessoas que associam a minha pessoa aos títulos, a produção, as publicações, aos cargos e as conquistas que tenham acontecido em minha vida e que, do ponto de vista delas, me fazem ser (ou parecer) um pouco (ou muito) arrogante e metido...
Talvez pelo fato de ser quieto, tranquilo e tímido, sem que saibam destas características que são minhas desde há tanto tempo e que, por motivos profissionais acabam não sendo percebidas, igualmente me consideram esnobe, distante, fria, dissimulada...
Não sou assim, pelo contrário, sou de fato uma pessoa simples, de história de vida construída a duras penas, com muito suor, ainda que meus pais sempre tenham possibilitado a mim e a meus irmãos uma vida confortável, fez também de nós pessoas trabalhadoras, justas e honestas, começando a trabalhar ainda na adolescência para garantir nosso próprio dinheiro e, em especial, para com isso ganhar maior responsabilidade em nossas vidas.
Quem hoje olha para mim e pensa que ocupo tal cargo ou função ou que sou possuo titulação acadêmica não sabe que já entreguei leite na rua ou que trabalhei no comércio, em posto de gasolina, atendendo nas bombas, ajudando no caixa ou vendendo produtos para clientes...
Em determinada parte de minha história pessoal começava a trabalhar as 5 e meia da manhã, quando o leite era tirado na roça de nossa família e preparava os latões (depois a máquina de empacotar leite) para que as 6 horas saísse com o carro e entregasse de 300 a 350 litros em tantas e tantas casas de Caçapava. Voltava para casa por volta das 8 e meia, tomava banho, comia meu pão com manteiga e sorvia meu café com leite para que as 9 e meia fosse dar aulas...
No período da tarde, atendia no comércio, em locadora de vídeo, recomendando filmes, fazendo pedidos, analisando produtos novos... E, no final do dia, ainda universitário cursando história, saía do serviço as 6 e meia da tarde para ir para a faculdade e retornar por volta das 11 da noite e exausto cair na cama...
Era duro, mas foi uma época marcante de nossas vidas, trabalhando em família, dando valor ao dinheiro que ganhava, podendo comprar meus livros, roupas e discos e aprendendo a ser pessoa digna, honesta e sem medo do trabalho. Foi um tempo feliz, apesar da árdua rotina e, por isso, agradeço a meus pais que nos permitiram tudo isso e nos fizeram, com estas lições, pessoas melhores!
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras



Claro que tivemos a nossa participação na formação da sua personalidade mas o que é bom já nasce feito.- Abraços e beijos, Ana e João.
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