Histórias de vida (II)


Sempre gostei de desafios e na maior parte da minha vida profissional, até o presente momento, procurei encará-los sem medo, apesar de saber que exigiriam de mim novas aprendizagens, adaptação a novas demandas, conhecimentos que ainda não tinha, estabelecimento de relações de trabalho com outras pessoas... Fiquei por 16 anos numa mesma escola, o Colégio Cecília Caçapava Conde, em minha cidade natal, Caçapava (SP), no Vale do Paraíba, mas mesmo durante este período tive outros trabalhos (como já mencionei em outro texto, no comércio, entregando leite, ensinando inglês...).

Em 2001, no final do ano, fui questionado por parte de uma amiga professora, com a qual atuava na Unitau (Universidade de Taubaté), se gostaria de trabalhar em Campos do Jordão, no Centro Universitário Senac. Estava surgindo uma vaga para dar aulas de história da gastronomia naquela instituição e ela também lecionava lá e pensou em indicar meu nome.

Não tive dúvidas em dizer que sim, que indicasse minha pessoa para a vaga. Alguns dias depois recebi uma convocação para uma entrevista com a chefe de departamento para que eles, além do currículo, pudessem saber quem eu era e se tinha qualificações para a função.

Fui para Campos do Jordão sabendo apenas que o que iriam me oferecer eram aulas de história e, não especificamente ligadas a gastronomia. Quando fui entrevistado é que fui informado dessa especificidade de tais aulas. É claro que me pegou de surpresa, mas não demonstrei, pelo contrário, estava tranquilo e demonstrei segurança. A coordenadora ao dizer isso me questionou se já havia dado aulas desta disciplina tão específica e respondi que não, mas na mesma resposta completei meu pensamento naquele momento dizendo a ela: "Mas posso aprender, me preparar e, caso me contrate, garanto que estarei com o curso pronto para o início do próximo período de aulas". Creio que isso me auxiliou naquele processo e me garantiu a oportunidade de ficar naquela instituição de ensino superior por 6 anos...

Pesaram duas circunstâncias a meu favor: o fato de ter falado a verdade (que nunca tinha lecionado história da gastronomia) e também a disponibilidade e coragem de querer aprender, de buscar informações, de me preparar para este novo desafio. E confesso, foi uma ótima oportunidade trabalhar com história da gastronomia no Senac, juntei numa única experiência a possibilidade de trabalhar com educação, história e gastronomia, um privilégio, uma delícia verdadeira!

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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