Relacionamentos...


Nossa vida toda é marcada por relacionamentos. E isso começa já no útero materno, na relação entre a mãe e o filho, entre a criança e o pai a acariciar a barriga materna ou a conversar com o filho ou entoar canções para o bebê vindouro. Tais ações já estabelecem bases para o que serão as relações futuras desta criança que está prestes a nascer e que irá conhecer pessoas para que novas ligações sejam feitas.

Se há carinho e compreensão, se a criança é desejada e acalentada como parte de um projeto feliz de família já estará sendo comunicada a ela tudo isso a partir da ação dos pais. E isso repercutirá nas ações e relacionamentos que tal criança irá desenvolver com tudo e todos que estiverem ao seu redor.

Os bons relacionamentos dependem, igualmente, de cuidados. Como uma planta que precisamos regar, permitir doses salutares de exposição ao sol, adubar e conversar sempre que possível, as pessoas igualmente carecem de atenção, cuidados e carinho. Precisam de estímulo, palavras de conforto e limites. Pedem dos outros parceria, compreensão e uma constante troca de informações e dados. 

Nos relacionamentos é preciso sensibilidade, emoção e também razão. Palavras desmedidas ditas fora de hora magoam, ferem e podem estabelecer o fim de relacionamentos. É preciso pensar e amadurecer o que se vai dizer, como se vai agir, de que modo as coisas devem ser conduzidas. Falar no calor dos acontecimentos, movido apenas pelo sentimento imediato, sem a mediação da razão pode ser desastroso.

Ao se relacionar com outras pessoas fazemos concessões e igualmente as demandamos. No amor, no trabalho ou nas amizades há pontos comuns que devem ser respeitados por todos aqueles que prezam as pessoas com as quais estão se relacionando. O respeito, por exemplo, é essencial em todas elas. Sem respeito nenhuma relação de fato se estabelece.

Elementos imprescindíveis são também a tolerância e a compreensão das diferenças e de que isso, na realidade constitui uma riqueza, uma "biodiversidade" entre os seres humanos a lhes permitir o crescimento. Somos diferentes e isso é muito bom mesmo. Precisamos não apenas compreender, mas empreender ações no sentido da aceitação do outro, da compreensão de suas qualidades e limitações.

Educação é outro atributo essencial. Entre pessoas que compartilham espaço de trabalho, por exemplo, é sagrado e uma verdadeira regra de ouro que a crítica seja em particular e o elogio tornado público. 

No relacionamento com o outro, colocar-se no lugar do outro, perceber suas necessidades e perspectivas, suas possibilidades e problemas ajuda muito. Temos uma tendência a querer sempre que nos ouçam, mas o quanto realmente nos dispomos a ouvir o outro e tentar de fato entender.

Ao relacionar-se com alguém você perceberá que há momentos em que é preciso dar colo, ombro e suporte emocional e outros em que serão necessárias palavras firmes, duras, maior rigor. Com os filhos, por exemplo, é assim. Se tentarmos ser muito amigos e permissivos as coisas podem desandar e prejuízos irão se acumular.

Mas mesmo nos momentos em que for preciso endurecer, não podemos perder a ternura jamais. Tais ações, tendo por princípio a preservação do relacionamento, podem até não ser compreendidas de início, mas o passar do tempo irá clarear seus motivos e propósitos, resultados e consequências.

Em minha vida pessoal e profissional - como pai, filho, marido, educador, colega de trabalho e nas funções de chefia que exerço - procuro sempre ser justo, correto, ponderado. Erros ainda assim acontecem e reconhecê-los (para corrigir o rumo) é igualmente uma tarefa importante nos relacionamentos. 

Não acredito que socos na mesa, gritos, empurrões ou qualquer tipo de ação mais intensa ou agressiva possa contribuir para um bom relacionamento e, por isso mesmo, algumas vezes creio que as pessoas confundem minha calma, tranquilidade e paz como falta de intensidade, energia, envolvimento e vibração. Discussões e diferenças sempre existirão, mas se não houver maturidade, controle emocional e espaço para resolver estes dilemas os relacionamentos podem ficar abalados. 

Todos estes fatores essenciais para qualquer relacionamento, mas asseguro-lhes, muito daquilo que tem dado bons frutos para mim vem desta postura, destas atitudes e, em especial, do diálogo como grande aliado para a composição dos relacionamentos. 


Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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