Sócrates, o adeus do craque


Acompanhei ainda menino a trajetória do Dr. Sócrates desde sua chegada ao meu Timão. Jogamos de luto hoje, buscando mais um título brasileiro, com este craque na mente e no coração. 


Além de corintiano, um brasileiro sintonizado com as questões políticas e sociais de nosso país, um médico que infelizmente perdeu a batalha para o álcool, uma cabeça iluminada que participou da história do país, nos campos e fora dele (como na luta pelas Diretas Já). 


Não vi Rivellino, acompanhei Neto, Marcelinho e Ronaldo (entre outros craques da história do Corinthians), mas Sócrates sempre me encantou por sua inteligência, habilidade, toques rápidos, calcanhar como marca registrada e belos gols. 


A Democracia Corintiana, com Casagrande, Wladimir, Zenon, Biro-Biro e outros jogadores daquele timaço, marcou época e colocou em discussão as relações entre atletas e clubes, questionando, por exemplo, a concentração, as decisões internas do Corinthians e a possibilidade de participação de todos, tanto dos jogadores quanto de funcionários. 


A Copa de 1982, com a melhor Seleção Brasileira que vi jogar - ao lado de Falcão, Júnior, Zico e outras feras treinadas por Telê Santana - o tinha como capitão e foi uma das poucas páginas da história deste esporte em que chorei uma derrota... 


Polêmico, opiniões francas, defensor do futebol arte, queria que a cartolagem deixasse de atrapalhar o esporte bretão em nosso país, por isso foi para tantos dirigentes persona non grata. Na TV Cultura, como comentarista, de novo a inteligência nos comentários e críticas fez com que se destacasse. 


Que lá em cima o Doutor Sócrates descanse em paz e ilumine o Timão e o Brasil, no futebol e fora das quatro linhas a ser campeão como ele foi!

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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