O que você quer ser quando crescer?


Crianças reunidas em torno da professora. Todos os meninos e meninas ainda na educação infantil. E propõe-se que falem sobre o que querem ser "quando crescerem".

Marina levanta a mão e fala que gostaria de ser médica, como sua mãe. 

Pedro explica que quer trabalhar num escritório, usar terno e gravata, ter secretária e reuniões como seu pai.

Fred está em dúvida. Gosta da ideia de ser bombeiro ou policial, como aqueles que aparecem na TV, pois acha que esse trabalho deve ser "legal" e que todos estes homens e mulheres são heróis.

Bruna pensa em ser modelo. Vai para a escola sempre com as unhas pintadas e quando é permitido, usa roupas coloridas e de grife, combinando com seus calçados. Faz até pose ao andar e adora tirar fotos.

Carla, por sua vez, gosta muito de desenhar e pintar e, por isso, crê que no futuro será artista. 

Todos eles, de algum modo foram influenciados ou por alguém da família ou pelo que viram na televisão ou na internet. 

Alguns alunos falam em ser advogados como os pais ou os tios, mas ninguém sabe ao certo o que significa isso e é esse o motivo desta conversa iniciada pela professora, que busca com as crianças informações que já tenham sobre tais profissões.

Há os sonhadores que alimentam a ideia de se tornarem astronautas ou cientistas enquanto os mais ligados ao cotidiano pensam em ser dentistas ou professores, como a Laís, que quer ensinar as crianças como a professora Débora, a quem tanto admira.

Todos responderam, exceto o João Vitor, que quietinho em seu canto, a tudo observa sem se manifestar. Curioso quanto as repostas dos colegas, parece ter também, na ponta da língua, a solução para a pergunta que anima a todos neste dia de aula.

Quando questionado pela professora Débora, ele não demora muito a dizer que gostaria de ser paleontólogo.

"O que?" - pergunta a atônita professora, sem entender direito o que disse o menino de 5 anos.

"Paleontólogo!" - ele afirma mais uma vez.

"Mas, o que faz um paleontólogo?" - pergunta a professora, sem saber do que se trata e, pensando que nem mesmo o pequeno João Vitor soubesse direito.

"Paleontólogos são pessoas que estudam os fósseis dos dinossauros." - respondeu ele, de bate e pronto.

"E fósseis são os ossos dos dinossauros encontrados debaixo da terra." - arrematou com conhecimento de causa de quem assistira filmes, colecionara figurinhas, tinha livros que eram lidos pelos pais e que brincava diariamente com bonecos de dinossauros a ponto de saber de que tipo eram (tiranossauro rex, pterodátilo, mastodonte, mamute...).

Passados alguns anos desta história da vida real, João Vitor cresceu e não sonha mais em ser paleontólogo, pensa em ser engenheiro, administrador de empresas ou advogado, mas o acontecimento em si revela principalmente como em sala de aula somos todos aprendizes o tempo todo, inclusive os professores. Além disso, reforça a necessidade do contato das crianças com elementos culturais, como filmes, livros, quadrinhos, exposições, músicas, dança, artes plásticas...

Obs. Os nomes dos colegas e da professora não correspondem aos originais... Tanto para preservá-los quanto pelo fato de que a memória não me permitiu buscar sua identidades reais.

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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