Chega de levar vantagem em tudo, é preciso fair play no futebol brasileiro
Nos anos 1970 ficou famoso um comercial de TV estrelado pelo craque Gérson, da Seleção Brasileira tricampeã do mundo no México. Divulgava um cigarro e marcou época por conta da seguinte frase de Gérson: “É para quem gosta de levar vantagem em tudo”.
Emblemático sinal daquilo que acontece dentro das quatro linhas e também nos bastidores do futebol brasileiro. “Levar vantagem em tudo” virou sinônimo de esperteza, malandragem e capacidade de enganar os outros.
Em 2005, por exemplo, tivemos a Máfia do Apito, que levou a CBF, após denúncias apuradas pelos meios de comunicação, a cancelar jogos, suspender juízes e reorganizar o campeonato brasileiro durante seu andamento. Os árbitros estavam recebendo propina para direcionar resultados das partidas.
Em 2012, a apenas 2 anos do início da próxima Copa do Mundo, a ser realizada no Brasil, o presidente da CBF, alegando problemas de saúde, renuncia ao cargo. Foram 20 anos no poder. Ao cair fora na reta de chegada de um dos maiores eventos esportivos do mundo, Ricardo Teixeira antecipou-se a denúncias que o perseguiam desde os anos 1990 e que, certamente, poderiam lhe tirar o poder por outras vias, como um impeachment.
No campo de jogo, entre os atletas, tornam-se mais comuns os casos de jogadores que assinam vultosos contratos e não cumprem sua parte. Adriano, por exemplo, ficou por uma temporada na Roma e não marcou sequer um gol, passou mais um ano no Corinthians e atuou em apenas 8 partidas.
Casos que denotam falta de ética no futebol brasileiro e que levaram o cronista esportivo Juca Kfouri a dizer que o Brasil já não é mais o país do futebol. O descaso, descompromisso e as ações em benefício próprio em detrimento do respeito às regras do jogo afastam os fãs do esporte.
Cresce a quantidade de novos torcedores no Brasil que torcem por times como o Real Madri ou o Barcelona. Estas equipes, além de vitoriosas, são mais organizadas e procuram jogar dentro do regulamento.
No caso do futebol brasileiro, é preciso que dos atletas aos dirigentes, prevaleça a ética, bem entendida como a filosofia moral, ou seja, o compromisso com aquilo que é justo, correto e honesto. É preciso substituir a prática do “levar vantagem em tudo” pelo Fair Play (Jogo Limpo), não apenas nos lances de jogo, mas em toda a sua organização.
Por João Luís de Almeida Machado



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