A educação prepara para a vida, mas que vida é essa?
A escola deve preparar as crianças e os adolescentes para a vida. O mundo lá fora é competitivo, sendo assim é preciso que a escola demonstre que esta realidade deve não apenas ser conhecida, mas também que é necessário estar pronto para enfrentar a concorrência. Os sistemas de avaliação e rankings vigentes na educação mundial de certo modo antecipam tudo aquilo que irá acontecer quando os alunos forem para o mercado de trabalho.
Todas estas são falas que escuto, com frequência, de educadores antenados com o mundo lá fora. A globalização mudou a forma como nos relacionamos de modo radical e pede que estejamos totalmente preparados para tudo o que pudermos prever e até mesmo para aquilo que é imprevisível. Criou-se um ambiente de competição extrema e chegar nas primeiras posições não é apenas uma meta, é uma demanda.
Pensando nisso surge a questão: Preparar para a vida, para a competição, para o mundo globalizado... É o que realmente queremos para nossos filhos e netos? Ou seria melhor repensar estes termos e agir no sentido de dar-lhes condições de escolher e realizar um mundo diferente, melhor, mais justo, solidário, ético, fraterno e, creio, mais feliz?
Você está satisfeito com o ritmo de sua vida? As demandas que só aumentam e lhe fazem ter dores de cabeça permanentes? Sabe aquela sensação de enxaqueca que parece interminável e lhe pede remédios para aplacar o sofrimento físico a todo o momento... É fruto do stress, das cobranças, da correria, dos êxitos a serem obtidos sempre, numa jornada sem fim...
Pense, por exemplo, no seguinte... Sua vida hoje e sua importância é avaliada pela quantidade de reuniões, contatos que estabelece, projetos aos quais está integrado, velocidade em tudo o que faz, lucratividade que gera para a empresa na qual trabalha, participação em redes sociais virtuais ou profissionais? Para muitas pessoas é assim! E é esta a vida que você deseja para seus filhos?
Que tal oferecer a ele, na educação em casa e na escola, alternativas a este modelo de vida que hoje prevalece no planeta? Mostrar que na vida o que de fato vale muito são os relacionamentos plenos que estabelecemos, o sentimento verdadeiro, o sentido da conquista gradual, o serviço bem realizado (no devido tempo, ponderado, construído a partir do talento individual e da união das possibilidades de todos, numa verdadeira comunhão), poder se sentar a mesa e fazer uma boa refeição sem pressa e na companhia dos amigos, ter tempo para si mesmo (para o que quiser fazer), ter a possibilidade de estar em redes virtuais sem abrir mão da vida fora da web...
Preparar para a vida como ela é hoje, dando continuidade aos ciclos que prevalecem e que geram tantos problemas para tantas pessoas, sem a possibilidade de refletir sobre o que nos cerca e, desta forma, poder optar por outros caminhos é insano. Se conscientemente as pessoas preferem o que existe e não agem como autômatos a repetir diariamente os caminhos sem saber ao certo aonde vão chegar ou mesmo porque assim o fazem, deixa de ser loucura e passa a ser aceitável a escolha individual e coletiva. Mas as novas gerações precisam ter a chance de escolher e, para isso, de conhecer caminhos alternativos, diferentes daqueles que estão sendo impostos a elas...
Por João Luís de Almeida Machado


Prezado João, você se superou com esse artigo. Ele é digno de ser repassado, como já o fiz. Seu texto é uma reflexão madura sobre o que podemos fazer com nossas vidas além de dar um fim ou vazio ou meramente utilitário para a acumulação estúpida de riqueza material. Precisamos de cooperação, urgente.
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