O fim do mundo...

 
- Alô, alô...
- Tem alguém aí do outro lado?
- Respondam por favor...
- Será que fiquei sozinho neste mundo em chamas?
 
Estamos no que seriam as primeiras horas depois do fim do mundo previsto pelos Maias.
 
Eles superaram a NASA, os cientistas do século XXI, todos os computadores do Planeta, os telescópios terrestres e espaciais, as agências de notícias e tudo o mais...
 
Sem que ninguém esperasse veio choque, o estrondo, as chamas, as ondas gigantescas, as cidades engolidas pelo fogo, pela água, pelo choro e desespero de bilhões que desapareceram...
 
Restou o que? Ninguém sabe...
 
Restou quem? Nem posso imaginar...
 
Digito algumas palavras nesta tela sonhando com a possibilidade de que venham a chegar em algum lugar, em alguém, em busca de resposta, de gente, de civilização, de alimento para a alma e o espírito...
 
Rezo mas nem sei se devo. Será que Deus também não desapareceu? Continuo a acender minhas velas para Ele ou para algum santo?
 
O que sei é que neste canto onde agora me encontro, tenho ainda alguns víveres, não tenho mais rádio, televisão, nem tenho vizinhos ou pessoas estranhas com quem interagir, a família não responde e nem o cachorro amigo a abanar o rabo por aqui se apresenta...
 
O cheiro de morte ronda, assombra e nas ruas só se vê o cinza ou as águas que a tudo tomaram e destruíram...
 
O que sobrou de tudo? Nada, ninguém... Vejo alguns painéis, as marcas ainda estão por ali, mortas e insones, sem sentido, sem valor, sem ninguém que as compre ou que as exalte...
 
De repente, de um canto qualquer vem um som, parece uma música, não sei se cantarolada ou vindo de algum dispositivo... Me arrisco a ir até lá e encontro crianças, junto a elas algumas pessoas, o medo e insegurança a lhes dominar, até a mim parecem temer, como se minha chegada anunciasse novas tragédias.
 
Estendo a mão, falo da alegria de vê-los, brilham os olhos dos pequenos, a força parece retornar a seus corpos, se levantam, pegam seus pertences e vamos a luta, a um mundo se reconstruir...
 
E então acordo...
 
Estamos no dia 22 de dezembro de 2012. Os Maias erraram. Vejo na internet a manchete "Nasa explica porque o mundo não acabou". Respiro aliviado. A vida segue. Temos uma nova chance, muitas oportunidades, sonhos a concretizar. A música a embalar os sonhos de todos nós pelas rádios. Ando pelas ruas e meu desejo é o de abraçar a todos e a cada um, lhes dizendo em seus ouvidos, que bom é viver, como é bom estar aqui...
 
Por João Luís de Almeida Machado

Comentários

  1. "Alô alô planeta terra chamando! Esta é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva falando diretamente do Mundo da Lua... Onde tuuudo pode acontecer...."

    Ficou excelente, me diverti com seu texto.

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