Plataformas digitais educacionais: O ovo de Colombo
382.317 tablets já foram distribuídos pelo MEC a professores de ensino médio da rede pública. A meta é chegar a 600 mil equipamentos até o final de 2013. Algumas constatações:
- Iniciar o projeto pelos professores é necessário para que os docentes sintam-se amparados pelo estado frente a realidade em que vivemos, na qual as tecnologias chegam sempre antes as mãos dos alunos.
- De acordo com o MEC além de entregar os tablets aos professores, formações estão acontecendo para que o uso destes recursos seja compatibilizado com a realidade da sala de aula, ou seja, inserido no cotidiano escolar, como parte do planejamento das ações educacionais.
- O MEC ainda informa que em parceria com o Consed (Conselhos Estaduais de Educação) estão sendo pensadas e propostas mudanças curriculares e implementadas ações formativas em prol do uso das tecnologias em sala de aula.
- A oferta de conteúdos, via Portal do Professor (12 mil aulas), portal Domínio Público e Khan Academy (traduzida para o português pela Fundação Lemman, com acervo expressivo em exatas e biologia), é outra preocupação das autoridades.
Todas estas iniciativas precisam ser avaliadas. A formação dos professores, por exemplo, usa quais materiais, dura quantas horas, existem aulas-laboratório para testar o uso das tecnologias em sala de aula?
Os conteúdos disponibilizados nos portais do MEC são reconhecidamente úteis e de qualidade? Os objetos educacionais apresentados são atualizados e fáceis para o manuseio de alunos e professores em sala de aula?
Há ainda as questões técnicas, como acesso a internet de banda larga (de boa qualidade, pois os serviços brasileiros são sofríveis e estão sempre abaixo da média mundial) e estrutura elétrica para carregar os tablets e demais recursos utilizados, questões que estão sendo discutidas em outras nações, como a China, que também estão inserindo tablets na realidade de suas escolas.
Os tablets adquiridos: Quanto custaram? De que marca são? Qual a autonomia das baterias? Tem telas sensíveis de boa qualidade?
Tudo isso é muito importante saber e, mais do que isso, testar para que depois os resultados esperados sejam atingidos.
Agora, a mais importante peça de todo este quebra-cabeças é, sem qualquer sombra de dúvidas, o que o governo noticiou estar desenvolvendo, ou seja, uma plataforma nacional digital de educação. É o ovo de Colombo, ou seja, a estrutura que permitirá a professores e alunos ter, num só ambiente, todos os recursos que necessitam para realizar suas atividades escolares.
Há iniciativas já em desenvolvimento quanto a plataformas digitais educacionais no país e no mundo, notadamente a partir de startups, empresas jovens, encabeçadas por engenheiros recém-saídos das melhores universidades brasileiras e estrangeiras, como o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) ou Stanford, entre outras.
Estes recursos prometem reunir conteúdos, monitorar os estudos, avaliar o aproveitamento, mensurar as horas e o desempenho geral do aluno, permitir que os participantes se relacionem em rede (alunos, professores), dar acesso ao mundo de informações da internet e compor acervos de produções tanto de docentes quanto de estudantes. De preferência usando as mais modernas metodologias pedagógicas e tornando o ambiente interessante e estimulante para os alunos, formatando-os como redes sociais ou gamificando as atividades.
O tempo trará estas novidades, na verdade, já está trazendo nas redes privadas ou no ensino público dos países mais avançados. Agora é esperar as cenas do próximo capítulo para ver se este ovo de colombo ficará de pé...
Por João Luís de Almeida Machado



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