Tarefa Escolar: 8 dicas para tornar mais eficiente esta prática
TAREFA – 1. Qualquer trabalho, manual
ou intelectual, que se faz por obrigação ou voluntariamente; 2. Quantidade de
trabalho realizado ou a realizar dentro de um prazo determinado; empreitada.
(Fonte: Dicionário Houaiss Online)
Ao assistir o filme “Feitiço do
Tempo” acompanhamos o personagem vivido por Bill Murray vivendo um autêntico
inferno astral. Ele se encontra encarcerado no tempo, a viver repetidas vezes o
mesmo dia, justamente aquele que no início da produção é descrito pelo mesmo
como um dos piores de sua existência. E o que leva tal protagonista a
verdadeiramente detestar um dia de sua vida? A repetição de práticas que ele já
executara anteriormente sem que as mesmas apresentassem qualquer traço de
renovação, nenhum frescor ou possibilidade de crescimento.
Resgato esse filme para trazer à
tona a questão das tarefas escolares, pois é justamente dessa forma que nossos
alunos, no Brasil inteiro, em escolas públicas ou privadas, percebem (na
esmagadora maioria dos casos) as tarefas escolares.
Repetição, repetição e repetição.
Sem fim. Sem qualquer relevância do ponto de vista do estudante já que
invariavelmente está distanciada da realidade em que vive e não lhes são
explicados os conceitos aprendidos como parte do mundo real, com aplicabilidade
no cotidiano.
A reprodução torna-se então uma
obrigatoriedade, conforme nos diz a primeira definição de tarefa apresentada no
início desse artigo. E como obrigação que passa a ser distancia-se ainda mais
de seus objetivos, de suas metas e, principalmente, daquele que deveria se
beneficiar dessa prática, o estudante.
Resultado inevitável e imediato?
Depois de algum tempo, quando o aluno amadurece e ultrapassa a cândida infância
(ou mesmo durante essa etapa, como os professores já podem perceber com
constância em suas salas de aula), adentrando a pré-adolescência ou a
adolescência em casos mais tardios, surge a revolta, o grito de alerta que
poucas vezes é escutado da forma como deveria, ou seja, os estudantes fazem as
vezes de operários em greve, ativam a “operação tartaruga” e deixam de realizar
os deveres escolares com a regularidade esperada.
Impregnados pelo cotidiano tantas
vezes tolhe qualquer ação criativa, os professores nem se dão conta ou, se
percebem que essa estratégia mais do que atingi-los pessoalmente, quer a todos
fazer entender que as tarefas devem ser repensadas, recriadas e reestruturadas
para que renasçam e sejam efetivas. A rebelião dos alunos que não querem fazer
tarefas é, afinal, legítima e justa se as tarefas escolares são desprovidas de
sentido ou se são burocráticas e repetitivas apenas, não os fazendo pesquisar, entender
conceitos, trabalhar de forma significativa os saberes aprendidos em aulas.
Ter todos os recursos necessários
para fazer as tarefas escolares pedidas é um quesito importante para que o
trabalho seja bem feito. Além disso, outro dado imprescindível para que os
deveres sejam feitos com correção são as instruções e orientações dos
professores quanto aos mesmos.
Como o tema desse texto são as
tarefas, vamos lá para algumas práticas que podem ser valiosas no processo de
revalidação das tarefas. Antes de apresentá-las, que fique claro que não
pretendemos ou ousamos acreditar que essas orientações sejam definitivas e nem
tampouco que consigam solucionar os problemas relativos às tarefas.
Cada educador deve, num primeiro
momento, examinar seu contexto, avaliar sua clientela, discutir possibilidades
com seus colegas de trabalho, ler os livros de especialistas, buscar mais
informações na internet ou em revistas de educação e, com base em toda essa
jornada, daí sim ter condições de firmar um compromisso ainda mais sério e de
resultados melhores com seus alunos.
Creio, no entanto, que nesse espaço
devemos socializar não apenas críticas e considerações mais gerais. Por isso,
como disse, apresento a seguir algumas ideias que me auxiliaram (e continuam a
fazê-lo) em minha prática como professor:
1- As tarefas são essenciais, mas
não devem ser vistas como obrigação pelos estudantes. Nesse sentido vale sempre
criar a partir das aulas um envolvimento bem profundo com os temas trabalhados,
estabelecendo elos entre os conceitos e ideias trabalhados com a realidade dos
estudantes. Essa aproximação irá fazer com que os alunos sintam-se mais
interessados e dispostos a produzir respostas aos questionamentos da aula e
também àqueles que porventura sejam mandados para casa.
2- Os próprios alunos sabem que as
tarefas ajudam a fixar e concretizar o conhecimento. E por que reagem tão
negativamente as propostas que geralmente são feitas pelos professores? Porque
querem atividades que os desafiem, que os coloquem em situação de busca e
pesquisa de respostas. Transformar os estudantes em jornalistas, detetives ou
pesquisadores profissionais em busca de respostas para os trabalhos propostos
exige inteligência na composição das tarefas, ou seja, dá trabalho para os
professores, é mais difícil do que continuar fazendo o “arroz e feijão” de
todos os dias, mas compensa muito!
Utilizar os recursos das tecnologias
de informação e comunicação é válido desde que não se restrinja simplesmente ao
tradicional “copiar e colar” executado por alunos de todas as idades. Nesse
sentido cabem medidas como orientações dos professores e dos pais quanto a
softwares, sites e portais onde a pesquisa possa ser realizada.
3- Associar os conteúdos a cultura
em geral sempre dá bons resultados. Trabalhar com música, cinema, artes
plásticas, dança, artesanato, literatura, histórias em quadrinhos, teatro ou
qualquer outra forma de representação da cultura humana em paralelo aos temas
da história, da biologia, do inglês, da matemática, da educação física ou de
qualquer disciplina ajuda muito e serve como um grande fator de motivação para
os estudantes.
4- Pedir a leitura semanal de
jornais e revistas, com a seleção de artigos que possam ser trazidos para as
salas de aula e comparadas ou equiparadas aos temas trabalhados nas disciplinas
também é uma ótima forma de dar aos estudantes mais argumento, força e
criatividade na composição de respostas aos deveres escolares e até mesmo as
atividades de sala de aula.
5- Tarefas em que as disciplinas
sejam trabalhadas conjuntamente permitem que os estudantes fujam da
compartimentalização dos saberes, tão típica da educação bancária mais
tradicional. Compartilhar projetos, trabalhos e tarefas com outras matérias
escolares faz muito bem para todos.
6- Projetos e tarefas a serem
executadas em casa devem ser sempre bem explicados para que não fiquem dúvidas
quanto a sua execução pelos alunos.
7- Trabalhos em pequenos grupos
devem ocorrer com certa frequência, até mesmo para que os alunos aprendam a
cooperar uns com os outros, dividir responsabilidades, trocar ideias, debater
sempre que necessário e entrar em consenso quando for o caso.
8- Corrigir tarefas em sala de aula
não é aconselhável. O melhor a ser feito é recolher as produções e corrigi-las
com calma depois dos compromissos na escola.
Acredito que existam muitas outras
boas propostas e práticas em uso por educadores de todo o Brasil. Lançamos mão
de alguns expedientes com o objetivo de alimentar o debate e de ouvir outras
ideias quanto ao tema. O principal é tomarmos atitudes responsáveis, sérias que
demonstrem não apenas a nossa preocupação com o fato, mas principalmente a
nossa grande disposição de mudança.
Por João Luís de Almeida Machado

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