Menos tecnologia, mais contato pessoal
ou
Sempre entendi a tecnologia como recurso, como meio,
instrumento ou ferramenta que de algum modo facilita a vida das pessoas.
Quando as pessoas focam mais no recurso que nas pessoas
passo a me preocupar.
Crianças que não brincam com massinha, na terra, com lápis
de cor, boneca ou bola perdem muito do encanto da vida e, se não bastasse isso,
não desenvolvem habilidades motoras, capacidade de percepção sensorial,
possibilidade de criação por conta própria (ou seja, sem a intermediação de
algum cérebro eletrônico a induzir como deve pensar a cabeça da criança).
Adolescentes focados no celular ou no tablet além de
correrem o risco de assalto nas ruas perdem a chance de se apaixonar uns pelos
outros e, principalmente, de se apaixonar por tudo o que a vida lhes oferece, o
que está ao alcance de seus olhos, na natureza, nas ruas, nos locais que
frequentam (ou que deveriam frequentar pois até mesmo isso está mudando).
Adultos mais preocupados com gadgets tecnológicos vivem mais
sozinhos do que nunca, ainda que as redes sociais passem a ideia de que estamos
numa gigantesca rave por conhecermos
gente dos quatro cantos do planeta. Cai a produtividade porque somos infelizes
sem que reconheçamos o quanto estar com outras pessoas é muito mais importante
do que se conectar a elas por meio do computador ou afins.
Não grito ou esperneio para que as tecnologias sejam
suprimidas. Não sou xiita neste aspecto. Computadores, web, tablets,
smartphones e outros recursos vieram, estão presentes em nosso cotidiano e
certamente ajudam bastante. São meios que nos informam em movimento, a qualquer
momento; que nos permitem comunicar por texto, imagem, som ou vídeo o que
estamos vivendo; que legam a possibilidade de compartilhar com o mundo ou só
com uma pessoa se assim for desejado por quem socializa uma informação.
Não tenho dúvidas do poder, da possibilidade e da riqueza
presente nas tecnologias.
As questões que coloco referem-se a forma como usamos estas
tecnologias e como extrapolamos sua importância e presença em nossas vidas. Os
riscos estão nos excessos e na valorização demasiada de insumos e sistemas que,
de alguma forma, podem nos fazer viver virtualmente mais tempo do que vivemos
presencialmente.
Olhe de lado, perceba as pessoas, valorize a vida,
experimente a natureza, abrace alguém, seja solidário com quem precisa, ame o
próximo. Deixe a tecnologia para quando realmente for necessário. Viva de forma
intensa o que lhe é permitido e concedido em seu universo real.
Por João Luís de Almeida Machado




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