O mais fantástico entre todos os hiper-computadores
- "O poder de processamento de informação oferecido por tal número de conexões entre neurônios é incalculável. Em linguagem imprecisa, mas sugestiva, o cérebro é como um hiper-computador, no qual cada neurônio é uma CPU. Só que, diferentemente dos computadores modernos, nos quais a corrente elétrica flui linearmente entre uma ou duas CPUs ou é distribuída entre centenas ou milhares delas em computadores paralelos, no cérebro os trilhões de ligações entre as CPUs são infinitamente mais versáteis. O resultado é uma entidade eletrobiológica ('máquina' não parece um termo adequado) capaz de captar, por meio dos cinco sentidos, uma quantidade gigantesca de informação e, após processá-la, de recriar, integrando essa informação toda, o que chamamos de percepção da realidade. Ou seja, o que chamamos de 'realidade' é uma recriação do cérebro, o mais perfeito dos simuladores virtuais." (Maestro Invisível, artigo de Marcelo Gleiser, publicado na Revista Galileu, de Junho de 2007)
A tecnologia avança num ritmo que é tão acelerado que não conseguimos dar conta de tantos e tão bem sucedidos inventos e aperfeiçoamentos. Computadores, softwares, periféricos e a própria rede nos colocam em contato a cada novo dia com inúmeras novas possibilidades de uso e aperfeiçoamento para o trabalho que executamos com o auxílio dessas maravilhas da modernidade.
As novas gerações, tendo nascido já sob a égide da tecnologia de ponta, se familiariza rapidamente com esses recursos e os utiliza desde o seu surgimento com maestria e competência dignas de bons especialistas. Para as pessoas mais velhas, que vieram ao mundo antes que toda essa parafernália se tornasse onipresente, ainda há algumas dificuldades e dúvidas, mas mesmo essas pessoas estão aprendendo a conviver e a se relacionar bem com essas ferramentas.
O que podemos perceber em relação a presença da tecnologia em nossas vidas nesse século XXI, ou seja na alvorada do 3º milênio, é que a mais preciosa, impressionante e potente "máquina" que conhecemos está depreciada e sendo deixada em segundo plano. O cérebro humano é alvo de pesquisas que estão revelando sua enorme capacidade de produzir, realizar, recriar e abstrair. Estamos sendo informados dessas pesquisas e ficamos sabendo a cada novo passo desses estudos que não há tecnologia criada pelo homem que seja capaz de realizar tudo aquilo que o cérebro humano pode construir.
Apesar disso, e de sabermos que o contato com essas tecnologias e suas possibilidades alimenta o cérebro e permite que ele se reconstitua e se reconstrua a todo momento, as novas gerações precisam urgentemente criar mecanismos, práticas e ações através das quais a revitalização e a revigoração do potencial do cérebro seja fomentada não apenas pelo contato com as ferramentas da tecnologia, mas também de forma constante pelo contato com o meio-ambiente, pela relação com outras pessoas, pela leitura de mundo preconizada por Paulo Freire, através das diversas formas de expressão cultural da humanidade,...
O cérebro, descrito por Marcelo Gleiser, físico brasileiro renomado e um dos grandes expoentes da pesquisa científica do país, é realmente uma obra fabulosa que deve ser constantemente realimentada pela informação que está ao nosso redor, mas que não deve e nem pode reduzir os seus caminhos ao contato com os computadores e com a web... É muito pouco, precisamos de muitos outros e variados meios de crescimento...

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